segunda-feira, 14 de outubro de 2024

O desafio da sucessão familiar no agronegócio: quando gerações e tecnologias se (des)encontram

 Mônica Jasper é engenheira agrônoma, doutora em Agricultura, pedagoga e coordenadora do ensino técnico em Agropecuária do Instituto Cristão Mackenzie (ICM), em Castro (PR)


Um dos principais motores da economia nacional, o agronegócio é responsável por grande parte do PIB, das exportações e da geração de empregos no país. A sustentabilidade deste setor produtivo envolve o conceito de sucessão familiar, que garante a continuidade das atividades e preserva o conhecimento adquirido ao longo de gerações. Esse processo é essencial para manter a estabilidade econômica e a inserção de tecnologia no campo, buscando práticas mais eficientes e sustentáveis.

Historicamente, o setor do agronegócio apresenta uma predominância pela passagem da gestão de geração para geração. Este momento de troca na gerência é decisivo, e, muitas vezes, conturbado. As gerações mais antigas cresceram em um modelo tradicional, e as atuais, normalmente se mostram mais abertas a inovações.

Conflitos geracionais e a mudança de percepção relacionada ao uso de tecnologias modernas, como a Inteligência Artificial na gestão de propriedades rurais são os grandes desafios enfrentados pelas diferentes gerações na sucessão familiar.

Outro fator que causa turbulências é a mudança estrutural da sociedade - a hierarquia e liderança deixam de ter a idade como principal critério e passam a ter na capacidade as suas definições, derrubando a antiga concepção de que para subir na carreira e liderar era imprescindível um longo tempo de experiência, a ideia de “esperar a sua vez”.

No que diz respeito à forma de trabalhar o Agro, costumava-se ver o campo de forma mais conservadora, com base no conceito do “olho do dono” e a experiência na terra. Isto acarreta na possibilidade de resistir a tudo que desafia a antiga forma de trabalho, rotulando como “desnecessárias” ou “complexas” as novas tecnologias. Aos mais antigos, falta confiança nas soluções oferecidas pela tecnologia, e parece intimidante o processo de mudança. Afinal, se tudo deu certo até aqui, por que mudar?

Inegável que a transformação digital está revolucionando a maneira de produzir, desde o monitoramento das lavouras até a análise preditiva das safras, passando pela gestão econômica do agronegócio. O potencial destas inovações paira na otimização dos processos, com o objetivo de melhorar a eficiência e, por consequência, alavancar os resultados econômicos da atividade agropecuária. 

 

Caminhos para a conciliação

Então, se a revolução tecnológica é uma realidade no mundo Agro, e se impacta na forma de planejar a sucessão familiar e gerenciar conflitos geracionais, quais são os caminhos para a conciliação?

O primeiro pilar deve estar bem sedimentado na comunicação. O diálogo aberto entre pais e filhos sobre o futuro da propriedade é primordial para o início do planejamento sucessório. Como segundo pilar, temos o respeito e a colaboração mútuos, considerando a experiência dos mais velhos, assim como os conhecimentos modernos adquiridos pelos mais novos. 

Fechando esse triângulo conceitual colocamos o pilar da capacitação. Programas de capacitação e familiarização com as novas tecnologias – especialmente se trabalhados em conjunto – podem ajudar a diminuir a resistência, e facilitar uma inserção gradual da inovação como objeto de trabalho. 

O conflito de gerações e a resistência ao uso de tecnologias são obstáculos reais e palpáveis no trabalho do campo, mas que podem ser superados com diálogo e capacitação. Manter a mentalidade aberta é essencial para garantir a longevidade dos negócios familiares e a competitividade no mercado global, uma vez que, com a integração correta, a tecnologia pode transformar o agronegócio, proporcionando mais eficiência e sustentabilidade.

A sucessão bem planejada impacta diretamente a população, uma vez que o agronegócio é responsável pela produção de alimentos e matérias-primas que abastecem o mercado urbano. A continuidade dessas propriedades familiares assegura a oferta de produtos agrícolas de qualidade e acessíveis, que influenciam diretamente o custo de vida, a segurança alimentar e o bem-estar das comunidades urbanas.

 

*O conteúdo dos artigos assinados não representa necessariamente a opinião do Mackenzie.

 

 Sobre o Instituto Cristão Mackenzie

Com mais de um século de tradição, em 2023 o Colégio Instituto Cristão foi incorporado à rede de colégios do Instituto Presbiteriano Mackenzie, passando a se chamar Instituto Cristão Mackenzie (ICM). Oferece ensino médio e o curso de técnico em Agropecuária, nas formas concomitante ou subsequente. Localizado em Castro, próximo a uma das principais bacias leiteiras do país, o colégio conta com área de 350 hectares e fazenda própria, onde os alunos aprendem agricultura, bovinocultura de corte e leite, suinocultura, fruticultura e zootecnia, conteúdos ministrados por profissionais que acompanham as áreas de tecnologia e inovação, agronegócios, cooperativismo e experimentação.

 

 

Informações

Assessoria de Imprensa Instituto Presbiteriano Mackenzie 

imprensa.mackenzie@agenciarace.com.br

56,6% dos brasileiros utilizam rádio convencional em seus lares


 O dado é de pesquisa do IBGE e evidencia a resiliência e o impacto duradouro do meio de comunicação.

A recente PNAD Contínua - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE trouxe à tona um dado significativo sobre a presença do rádio convencional no Brasil: 56,6% dos brasileiros escutam rádio por meio de aparelhos convencionais. Este número evidencia que, mesmo em uma era marcada pela digitalização e pela diversificação dos meios de comunicação, o rádio permanece como uma companhia constante na vida das pessoas.

Quando se observa a região Sul do país, os números são mais altos: 68,8% das residências mantêm o rádio convencional como parte integrante do seu cotidiano.

Roberto Cervo Melão, presidente do SindiRádio, destaca: “esses dados são uma prova clara de que o rádio convencional mantém uma relevância essencial na vida dos brasileiros. Mesmo com a diversidade de novas mídias e plataformas digitais, o rádio continua a ser uma fonte confiável de informação, entretenimento e companhia para milhões de pessoas. No Sul do Brasil, essa presença é particularmente forte, refletindo a conexão duradoura que as comunidades têm com o rádio.

Melão também acrescenta: “o rádio convencional é mais do que um meio de comunicação; é uma parte da vida cotidiana que, ao longo dos anos, tem se adaptado e evoluído, mas sempre mantendo sua essência e acessibilidade.


Sobre o SindiRádio

O SindiRádio é o Sindicato dos Radiodifusores do Rio Grande do Sul, representando e defendendo os interesses dos profissionais e empresas do setor de radiodifusão no estado. Com uma trajetória de compromisso com a qualidade e a ética na comunicação, o Sindirádio atua para fortalecer o papel da radiodifusão. Mais informações estão em www.sindiradio.org.br.

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

O que significa o selo CE que vemos em produtos?

 Você já deve ter reparado no selo CE que aparece em diversos eletrônicos. Essa é a sigla francesa para Conformité Européenne – ou “Conformidade Europeia” em português –, registro essencial para que qualquer produto seja vendido dentro da União Europeia. Então, o Canaltech vai te explicar mais sobre essa marca.

Qualquer fabricante que planeja lançar um produto na União Europeia, independentemente da nacionalidade, necessita obter o selo CE. O registro garante que o item foi aprovado em uma série de parâmetros e está apto para ser comercializado em território europeu.

Entretanto, o logo CE é bem comum em produtos eletrônicos fabricados em escala mundial. Por isso, esse selo costuma ser encontrado em computadores, notebooks, tablets, celulares e em diversos outros dispositivos e acessórios.

Por que o selo CE é importante?

O certificado CE é uma maneira dos fabricantes declararem que os produtos seguem diversas normas e certificações internacionais. O selo informa que os itens atendem aos requisitos de segurança, saúde e proteção ambiental da União Europeia.

Sob o comando da Direção-Geral do Mercado Interno, Indústria e Empreendedorismo, esse registro faz parte da legislação de integração europeia. Assim, o ícone também representa que as regras de fiscalização dos itens são aplicadas de forma imparcial e criam uma concorrência leal entre as companhias.

Para os consumidores, o selo CE é um indicativo de que o produto passou por uma série de testes de segurança antes do lançamento. Com isso, é esperado que os eletrônicos tenham um alto nível de qualidade.

Entretanto, o próprio órgão regulador europeu informa que a marcação não é uma garantia de que o item foi 100% aprovado como seguro pela União Europeia ou qualquer outra autoridade.


quarta-feira, 2 de outubro de 2024

“Outubro Rosa” – Mês de conscientização sobre o câncer de mama

 Em novembro de 2018 foi sancionada no Brasil a Lei nº 13.733, determinando que durante o mês de outubro, anualmente, sejam realizadas atividades para a conscientização sobre o câncer de mama, fortalecendo a campanha ‘Outubro Rosa’, movimento internacional para a detecção precoce do câncer de mama, criado no início da década de 1990, quando o símbolo da prevenção ao câncer de mama — o laço cor-de-rosa — foi lançado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure e distribuído aos participantes da primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York (EUA) e, desde então, promovida todos os anos.

O período é celebrado no Brasil e no exterior com o objetivo de compartilhar informações e conscientizar a sociedade sobre o câncer de mama, a fim de contribuir para a redução da incidência e da mortalidade pela doença.

As celebrações pretendem, além de informar, fortalecer as recomendações do Ministério da Saúde para prevenção, diagnóstico precoce e rastreamento da doença.

O câncer de mama é o tipo que mais acomete mulheres em todo o mundo, tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. Cerca de 2,3 milhões de casos novos foram estimados para o ano de 2020 em todo o mundo, o que representa cerca de 24,5% de todos os tipos de neoplasias diagnosticadas nas mulheres. As taxas de incidência variam entre as diferentes regiões do planeta, com taxas maiores em países desenvolvidos.

Para o Brasil, foram estimados 73.610 casos novos de câncer de mama em 2023, com um risco estimado de 66,54 casos a cada 100 mil mulheres.

Este tipo de câncer também ocupa a primeira posição em mortes por câncer entre mulheres no País, com taxa de mortalidade ajustada por idade, pela população mundial, para 2021, de 11,71/100 mil (18.139 óbitos). As maiores taxas de incidência e de mortalidade estão nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

 

A doença é causada pela multiplicação desordenada de células anormais da mama, formando um tumor com potencial de invadir outros órgãos. Há vários tipos de câncer de mama – alguns com desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem lentamente. A maioria dos casos, quando tratados adequadamente e em tempo oportuno, apresentam bom prognóstico e possibilitam melhores resultados estéticos.

Os principais sinais e sintomas suspeitos de câncer de mama são: caroço (nódulo), geralmente endurecido, fixo e indolor; pele da mama avermelhada ou parecida com casca de laranja; alterações no bico do peito e saída espontânea de líquido de um dos mamilos. Também podem aparecer pequenos nódulos no pescoço ou na região das axilas.

Fatores de risco

Não há uma causa única para o câncer de mama. Diversos fatores estão relacionados ao desenvolvimento da doença entre as mulheres, como: envelhecimento, determinantes relacionados à vida reprodutiva da mulher, histórico familiar de câncer de mama, consumo de álcool, excesso de peso, atividade física insuficiente e exposição à radiação ionizante.

Fatores Comportamentais/Ambientais:

– Obesidade e sobrepeso, após a menopausa;
– Atividade física insuficiente (menos de 150 minutos de atividade física moderada por semana);
– Consumo de bebida alcoólica;
– Exposição frequente a radiações ionizantes (Raios-X, tomografia computadorizada, mamografia, etc.);
– História de tratamento prévio com radioterapia no tórax.

Fatores da vida reprodutiva/hormonais:

– Primeira menstruação (menarca) antes de 12 anos;
– Não ter filhos;
– Primeira gravidez após os 30 anos;
– Parar de menstruar após os 55 anos;
– Uso de contraceptivos hormonais (estrogênio-progesterona);
– Ter feito terapia de reposição hormonal (estrogênio-progesterona), principalmente por mais de cinco anos.

Fatores Hereditários/Genéticos:

– Histórico familiar de câncer de ovário, de câncer de mama em mulheres, principalmente antes dos 50 anos e caso de câncer de mama em homem;
– Alteração genética, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2.

Mulheres com esses fatores genéticos têm risco elevado para câncer de mama. Entre os homens esse tipo de câncer ocorre, porém é raro, representando cerca de 1% do total de casos da doença.

Prevenção:

Além de controlar os fatores de risco comportamentais, todas as mulheres, independentemente da idade, podem conhecer seu corpo para saber o que é e o que não é normal em suas mamas. Olhar, palpar e sentir as mamas no dia a dia ajuda a reconhecer suas variações naturais e a identificar alterações suspeitas. A maior parte dos cânceres de mama é descoberta pelas próprias mulheres.

Manter o peso corporal adequado, praticar atividade física e evitar o consumo de bebidas alcoólicas ajudam a reduzir o risco de câncer de mama. A amamentação também é considerada um fator protetor.


Conheça outros materiais informativos produzidos pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA):

– Cartilha “Câncer de mama: vamos falar sobre isso?”
– Folheto “Câncer de mama: vamos falar sobre isso?”

 

Fontes:

Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA)
Instituto Nacional de Câncer (INCA)

Volta do horário de verão em novembro pode ser uma realidade, afirma ministro

 O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nesta quarta-feira, 2, em coletiva à imprensa, que a volta do horário de verão para novembro poderá ser possível se, nos próximos dias não houver uma melhora no cenário hidrológico do país - atualmente desfavorável. Uma decisão ainda não foi tomada, mas o ministro disse que já esteve reunido com representantes das companhias aéreas.

No mês passado, o CEO da Azul, John Rodgerson, reconheceu que o possível retorno do horário de verão teria impacto no planejamento de voos. Para o executivo, seriam necessários 45 dias, no mínimo, para a reprogramação.

O Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) mostrou que eventual retorno do horário de verão já em outubro preocupava também a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, sobre possíveis impactos no período de votação das eleições municipais deste ano, bem como na divulgação dos resultados.

O adiantamento dos relógios em uma hora era aplicado nos seguintes Estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e também no Distrito Federal. Havia seletividade porque o horário de verão teria mais eficácia nos locais do País que ficam distantes da Linha do Equador, pela diferença na luminosidade do dia.

Para Silveira, o horário de verão foi extinto pelo governo anterior por questão ideológica.