quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Impressões sobre a função social da escola

Uma escola tem sua função social a partir do momento que insere as pessoas em seu meio, ultrapassando os limites do ensino somente em suas salas de aula e agregando a si novas tarefas que conjuguem a participação de toda a família, de seus docentes e discentes.
Existem várias formas de destacar e expandir as funções sociais da escola, como quando os alunos realizam um passeio nas proximidades da escola para observar onde e como pode ser melhorada a participação dos alunos no embelezamento o ambiente que circunda a escola, tornando-os cidadãos conscientes de que se deve colaborar com a limpeza, com a arborização, com o trânsito e, principalmente, com a educação para com os demais.
Além disso, pelo fato de alfabetizar e tornar cultas as pessoas, já é uma grande função social, pois estes cidadãos poderão ser reconhecidos como alfabetizados, como conhecedores da língua culta, das operações matemáticas, dos primeiros conhecimentos científicos, tornando-os cidadãos capazes de tornar uma sociedade melhor e mais desenvolvida no âmbito cultural e intelecto, com maiores possibilidades de crescimento individual e coletivo, sendo esta a principal função social da escola.
Relacionando esta explanação inicial com o documentário “O menino da internet - A história de Aaron Swartz”, ( https://www.youtube.com/watch?v=2uj1EeiuK5U ) percebe-se que a escola não é preparada para pessoas com alto grau de inteligência, como ocorreu com o menino, pois ele mencionou no documentário que estava decepcionado com a escola, ele não gostava os professores, achava ele dominadores e controladores, a iaô de casa era uma espécie de farsa, eles forçavam a fazer muito trabalho, sendo que Aaron mesmo começou a ler história da educação e como o sistema educacional foi desenvolvido, sabendo assim formas alternativas onde as pessoas pudessem realmente aprender as coisas ao invés de ficarem regurgitando fatos que os professores lhes diziam e este tipo de caminho o levou a questionar as coisas.
Aaron questionou a escola em que estava, questionou a sociedade que construiu a escola, questionou as empresas para quais as escolas estavam trei
nando as pessoas e questionou o governo, que configurou toda esta estrutura.
O que deve ser função social da escola pode ser equivalente ao que foi o legado de Aaron Swartz na tentativa de democratizar o acesso à informação, algo que realizou em sua função de hacker, porém por tentar abrir informações preciosas ao coletivo e bloqueadas no sistema de uma empresa, ele foi penalizado. A função social da escola é abrir os conhecimentos ao coletivo, interagir com os alunos e a comunidade, fazendo com que os conhecimentos não fiquem apenas nas bibliotecas e nos bancos das salas de aula, que estejam disponíveis a todos a qualquer momento.
Bertold Brecht, em seu poema “A Indiferença”, retrata o que pode ser relacionado com a função social do individuo perante os outros, pois esta indiferença de quem não se importa com ninguém acaba com ninguém se importando com este alguém, se o conhecimento é recluso ao nosso interior e não compartilhado para o bem dos demais, estes não terão o conhecimento necessário para te ajudar em atos futuros, ou seja, como escreveu Cora Coralina – “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. A função social de compartilhar seus conhecimentos é determinante para que você também adquira com esta vivência maior experiência cultural transformando isto em um intercâmbio de informações. “A Indiferença” escrita por Bertold Brecht retrata a pessoa ou instituição que não realiza nenhum tipo de comunhão de saber, não socializa e não compartilha compaixão e a recíproca fatalmente é a mesma, pois não há com quem contar em seu momento de aprisionamento. Não deixemos que a indiferença tome conta de nossos corações, compartilhemos toda e qualquer informação, mantenhamos o espírito semelhante ao de Aaron Swartz auxiliando a escola neste papel de cumprir sua função social.
Em nossas cidades próximas à Sarandi, e aqui mesmo, temos um exemplo prático desta função social quando o Programa União Faz a Vida é posto em prática, impulsionados pela cooperativa de crédito Sicredi as comunidades escolares realizam várias atividades de cooperação na educação elevando a níveis práticos as ações desempenhadas em seminários e trabalhos de interação entre as entidades educacionais e seus alunos e professores. Trabalhos que fazem com que os alunos sintam-se inseridos no bairro e na cidade, levar pais, conhecidos e familiares para dar seus depoimentos valorizando as pessoas da comunidade levando-as para um diálogo com os alunos.[1]



[1]  Disponível em : http://www.auniaofazavida.com.br/projetos_vejaosprojetos/?start=40 acesso em 29.10.14 às 21h26min.
SARANDI - RS

Bom dia, os trigais estão sendo colhidos, a soja e as demais culturas de verão estão sendo plantadas, ou já foram. Este é o ciclo que acompanhamos bem de perto aqui em uma cidade do interior que deve grande parte de seu desenvolvimento ao campo, da mesma forma ao soar das sirenes das fábricas percebe-se o caminho da industrialização mantendo e crescendo seu desenvolvimento, a população aumenta, os carros aumentam nas ruas, Sarandi é um ponto de referência na região da Produção, muitos a procuram em busca do pão de cada dia e, felizmente, o encontram. Como dizia J.B. Scalabrini - "A Pátria é a terra que lhe dá o Pão". E Sarandi é esta Pátria para muitos. Bom dia, boa quarta-feira, bom trabalho, bons estudos, seja feliz!
Paz e Bem!

sábado, 11 de outubro de 2014

O ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA A FALANTES NATIVOS
Conclusões da disciplina de Introdução aos Estudos Linguísticos

1-      Possenti, à página 18, apresenta duas teses que abordam o ensino, ou não, de uma variedade linguística padrão pela escola, relacione-as, considerando que a escola tem como função ‘fazer do aluno um poliglota na própria língua’.

- O papel da escola é ensinar uma língua padrão, ou criar condições para que ela seja aprendida. Na tese de natureza político-cultural a língua padrão é dialeto de grupos sociais mais favorecidos. Tornar seu uso em grupos sociais menos favorecidos como se fosse o único dialeto válido, seria uma violência cultural.

2-      De acordo com o texto, explique o que é considerado como ‘português padrão’.

- O português padrão seria o domínio da gramática normativa na produção textual, do ponto de vista da escola seria a aquisição de determinado domínio da escrita e da leitura.

3-      O que é sugerido, pelo autor, como atividade para que os alunos venham a conseguir ler e escrever adequadamente?

- O autor propõe a realização de coisas óbvias, segundo ele, escrever e ler constantemente, inclusive nas próprias aulas de português. Possenti defende que ler e escrever são atitudes essenciais no ensino da língua e devem ser exercidas na sala de aula.


4-      Para Possenti, por que motivo a escola fracassa, em relação ao ensino de leitura e escrita em sala de aula?

- O fracasso da escola, de acordo com Possenti, pode ser de ordem metodológica (pedagógica) ou decorrentes de valores sociais complexos.

5-      Na página 22, o autor apresenta um processo gramatical produtivo. Comente o exemplo dado e qual a importância de Possenti chamá-lo desta forma.

- O exemplo do autor refere-se à expressão ‘imexível’ feita pelo ex-ministro Magri, que usou de uma palavra que não está no dicionário, porém ‘imexível’ deriva de mexer, como intocável deriva de tocar, ou seja, ele seguiu as regras, pois usou uma derivação de um radical ou núcleo existente na gramática. A nossa desconfiança sobre uma palavra existir ou não no dicionário ou gramática denota de nosso conhecimento das regras gramaticais e se há a possibilidade de criar novos termos, elas nos dão uma visão problemática do que seja realmente uma língua.

6-      Qual o argumento do texto para afirmar que ‘não há línguas fáceis ou difíceis’?

- Hoje, sabemos que todas as línguas são estruturas de igual complexidade, isto é, não há línguas simples e línguas complexas, o que há são línguas diferentes. ‘Nenhuma tem um mínimo de regras substancialmente diversas de outras’. ‘Não há dialetos mais simples do que outros’ - POSSENTI, Sírio. 2006


7-      As páginas 31 e 32, o autor afirma que A escola recebe alunos que já falam’, por que, então, ensinamos Língua Portuguesa para quem é falante nativo de Língua Portuguesa?
- Porque a função da escola é ensinar o padrão, em especial o escrito, pois o grande problema dos alunos está no domínio do texto não do da gramática. O que a escola ensina aos nativos, é a modalidade escrita desta língua, mas não propriamente a língua.

8-      Explique a afirmativa do autor de que ‘Falamos mais corretamente do que pensamos’, a página 41.

- Temos o costume de taxar as formas de falar que não sejam do português culto como sendo uma forma ‘errada’ de falar, porém não se trata de forma ‘errada’ mas sim, de dialetos diferentes e, assim, ‘falamos mais corretamente do que pensamos’, pois há erros que chocam e há erros que não chocam mais, então, damos conta de que aqueles que erram não erram tudo.

9-      Na página 49, Possenti afirma que Ler e escrever são trabalhos essenciais no processo de aprendizagem. Mas, não são exercícios. Explique como devemos compreender as noções de ‘trabalho’ e de ‘exercício’, neste caso, e como elas se contrapõem.
- Ler e escrever são trabalhos essenciais na escola, pois se deve tomar como exemplo quem escreve por ofício, como escritores e jornalistas, pois eles leem e releem mostram a colegas e chefes e, somente em seguida é que finalizam sua escrita. Algo assim está sendo feito em nossa disciplina de Introdução aos Estudos Linguísticos, na qual lemos, relemos, enviamos aos tutores, estes nos fazem apontamentos e, somente depois é que finalizamos nossa escrita.

10-  Qual a diferença entre ‘ensinar língua’ e ‘ensinar gramática’?
- ‘o que já é sabido, não precisa ser ensinado’(p. 50) – Afirma Sírio Possenti, ou seja, para falantes nativos do português não há a necessidade de ensinar coisas muito básicas, pois elas já vêm no léxico do aluno pela convivência desde o nascimento. Ensinar desde a nomenclatura dos objetos do cotidiano é ensinar língua a estrangeiros, ensinar a gramática e a boa construção de textos são práticas de ensino a nativos da língua.

11-  De acordo com o texto da página 73 à página 95, relacione e explique as noções de ‘regras’ e de ‘erro’.

- Regra é obrigação, algo que se obedece, regras expressam na gramática normativa uma expressão do certo e errado e os falantes que as transgridam são considerados ignorantes e não dignos de passar de ano na escola. Na gramática normativa, os erros são os fatos que divergem da variante padrão, sendo os vícios de linguagem e vulgarismos.




12    -De acordo com todas as questões consideradas até este ponto, posicione-se em relação a:
o    Por que ensinamos língua materna na escola?
o    Qual o melhor caminho para o ensino de língua materna na escola?

A língua materna é ensinada na escola para que os alunos tenham o conhecimento e domínio do português padrão, proporcionando ao aluno o grande domínio da escrita e da leitura. A função da escola é o de ensinar este padrão, em especial o escrito, pois o grande problema dos alunos está no domínio do texto e não da gramática, segundo Possenti.
A escola, assim, ensina a modalidade escrita da língua, pois de acordo com o autor, ‘o que já é sabido não precisa ser ensinado’ (p. 50). Aprendendo as regras da gramática normativa e das demais na escola, o falante da língua materna que estuda o português, saberá como escrever na norma culta da língua, da forma entendida como correta melhorando também a sua fala, sendo correto não forçar a mudança de dialeto ao aluno, porém quando da escrita, sempre prevalecerá a forma culta da língua.
Partindo do pressuposto citado por Possenti, o qual ‘o que já é sabido não precisa ser ensinado’, ou seja, para falantes de português ao ensinar em sala de aula a forma culta de sua língua, não é necessário voltar ao básico, pois já há um léxico mental adquirido em família e na escola e comunidade com os passar dos anos.
A melhor forma de ensinar a língua materna na escola, de acordo com Possenti, é por intermédio da leitura e da escrita, tomados como trabalho em sala de aula tomando, por exemplo, que faz da escrita e leitura um ofício de trabalho como os escritores e jornalistas, pois eles leem, releem, pesquisam, trocam informações com colegas e chefes e, somente depois escrevem em definitivo. Este exemplo citado por Possenti é muito bem executado pela disciplina de Linguística da UAB – FURG, pois os alunos leem, pesquisam, escrevem são submetidos a avaliação dos tutores que lhes reencaminham para que façam os trabalhos finais da disciplina somando os apontamentos dos tutores, sendo esta uma excelente forma de estudos.
Concluindo, no que se trata de ensinar a língua materna aos falantes, parte-se do pressuposto de Possenti de ‘quem diz e entende frases, faz isto porque tem um domínio da estrutura da língua’(p. 31), e ler e escrever são atributos essenciais no ensino da língua e devem ser praticados na sala de aula, deve ser ensinado o que o aluno não conhece da língua, para que o estudo seja mais proveitoso e avançado.



Foto: EMEFMFA - Sarandi