quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

TECENDO DIÁLOGOS. “Distúrbios de aprendizagem: Importância das intervenções pedagógicas”


SEMANA ACADÊMICA POLO UAB SARANDI.
TECENDO DIÁLOGOS. “Distúrbios de aprendizagem: Importância das intervenções pedagógicas”.Palestra das Profªs.  Cristiane Castoldi Gerevini e Mônica Faccienda, professoras das redes Estadual e Municipal de Ensino de Sarandi, graduadas em pedagogia e especializações na área. Dia 06/11/2015.

DISTÚRBIOS DE APRENDIZAGEM: IMPORTÂNCIA DAS INTERVENÇÕES PEDAGÓGICAS
            De acordo com as professoras  Cristiane Castoldi Gerevini e Mônica Facienda, os sinais da presença de distúrbios nos alunos podem ser demonstrados através de agressões ou timidez demasiada, alunos muito quietos. Distúrbio na aprendizagem pode estar ligado ao SNC – Sistema Nervoso Central o que pode ocasionar sintomas como a Dislexia, a Disortografia, a Dislalia, a Discalculia, o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e outros sintomas menos frequentes.
            A Dislexia é uma dificuldade de aprendizagem neurológica onde a criança apresenta dificuldade na linguagem e na escrita, é genético e hereditário e ocorre mais em meninos que realizam a confusão entre letras, sílabas e palavras. Para educar estas crianças com Dislexia as professoras orientam, através de pesquisas e experiência própria, o uso de jogos com recursos visuais e ainda utilizar o que eles gostam, destacando ainda que estas crianças gostam de se ver em vídeos, de serem filmados.
            A Distorgrafia pode ser observada nas crianças através de erros na escrita, com troca de grafemas e fonemas. Para trabalhar com elas é preciso estimular a memória visual com o uso de letras, números e famílias silábicas e também é necessário o encaminhamento ao profissional Fonoaudiólogo. Ainda na forma de trabalhar com estas crianças as professoras Cristiane e Mônica orientam que seja evitada a correção com caneta vermelha para não inibir seu processo de desenvolvimento cognitivo.
            A Dislalia provoca alterações na fala da criança e deixa ela falando “errado” até a adolescência, ela fala coisas como “tota tola” ao invés de coca-cola, porém este sintoma pode ser amenizado com o auxílio dos pais que não devem repetir as mesmas expressões imitando as crianças, pois criança infantilizada não é Dislalia, lembram as professoras.
            A Discalculia é um distúrbio que interfere na compreensão da matemática, a criança não consegue construir cálculos simples e não se dão conta de que estão fazendo isto. O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um distúrbio neurológico de sintomas de conduta excessiva.
            Na conclusão, as professoras ouviram relatos e experiências de colegas do auditório que expressaram a concordância com formas de agir das professoras diante de tais situações, sendo que o aluno deve ser tratado de forma individualizada e o professor deve ser um grande observador do comportamento de seus alunos, para detectar estes distúrbios e assim utilizar de meios pedagógicos que facilitem o progresso do processo de aprendizagem destas crianças que apresentam tais transtornos.     



Gilberto Machado, Acadêmico do Curso de Letras, Português/Espanhol UAB-FURG, polo Sarandi. Dezembro, 2015.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

ANÁLISE DO SONETO Apolo e as nove Musas, discantando

 PRODUÇÃO LÍRICA DE LUIZ VAZ DE CAMÕES

·       RESUMO
A produção lírica de Luiz Vaz de Camões em seus traços mais relevantes é o objetivo deste artigo. A busca do desconhecido, o característico marcante da antítese amor platônico x amor carnal; da reflexão sobre a condição humana; do desconcerto do mundo; da pátria; de Deus; da figura feminina; e da visão da natureza. A metalinguística, os traços de melancolia, a presença constante do eu lírico expressando seus sentimentos, são fortes características da obra lírica Camoniana.

·       PALAVRAS CHAVE
Camões. Lírica. Soneto. Apolo.

·       ANÁLISE DO SONETO
Apolo e as nove Musas, discantando

051
Apolo e as nove Musas, discantando  
com a dourada lira, me influíam
na suave harmonia que faziam,
 quando tomei a pena, começando: 

— Ditoso seja o dia e hora, quando
tão delicados olhos me feriam!
 Ditosos os sentidos que sentiam
 estar se em seu desejo traspassando! 

Assi cantava, quando Amor virou
 a roda à esperança, que corria
tão ligeira que quase era invisível.
 
Converteu se me em noite o claro dia;
e, se algüa esperança me ficou,
 será de maior mal, se for possível.

O soneto Apolo e as nove Musas, traz quatorze versos compostos de dois quartetos e dois tercetos, com rimas alternadas ABBA nos quartetos e rimas opostas ou interpoladas, CDE DCE nos tercetos.
Neste soneto Camões usa a figura do deus grego Apolo[1] e que trata do amor que sofrera encanto das nove musas que tocavam sua lira[2]. Camões se utiliza do eu lírico na primeira pessoa do singular com o pronome possessivo “me” (...) me influíam...
O soneto “Apolo e as nove Musas, discantando” retrata o eu lírico que projeta um amor platônico com as musas que estão a lhe influenciar apaixonadamente com seu canto à lira dourada, o fato de elas o inspirarem a escrever tomando da pena para tal e declarando que esta paixão que o arrebatava fazia o tempo da esperança correr ligeiro e ao defrontar-se com algo impalpável e quase invisível tornou o seu dia em noite, o dia que nem como Apolo, deus grego do sol, não tinha forças para vencer a noite da desilusão pelo amor platônico sem deixá-lo brilhar.
Na obra de Camões, destacam-se em seus versos trechos como (...) tomei a pena... olhos me feriam... me influíam...(...) com característica metalinguística estabelecendo relação com sus própria produção literária. O eu lírico toma de queixas perante as mudanças de destino humano, a felicidade que o amor às musas o proporciona é interrompida pela melancolia e dor da noite com a perspectiva de que o futuro o traga maiores sofrimentos.
Observa-se neste e nos demais sonetos de Camões as principais características que demarcaram a escola literária ou gênero literário Classicismo:
Quanto ao conteúdo:
·       Idealização amorosa, neoplatonismo;
·       Predomínio da razão;
·       Paganismo;
·       Influência da cultura greco-romana;
·       Antropocentrismo;
·       Universalismo;
·       Busca de clareza e equilíbrio de ideias;
·       Nacionalismo.
Quanto à forma:
·       Gosto pelo soneto;
·       Imitação às formas clássicas;
·       Emprego de medida nova (poesia);
·       Busca do equilíbrio formal.
·

·       CONCLUSÃO
Com os soneto  Apolo e as nove Musas, discantando e suas demais obras, Camões tem as mais altas produções líricas de sua época na Europa, poesias sonetos que possuem intertextualidade quando se trata, por exemplo, dos deuses da mitologia grega, quando envolve em sua narrativa entre outras e outros a deusa do amor Vênus a qual tem a missão de fazer as ninfas se apaixonarem pelos Lusos, portugueses filhos de Luso e especificamente em Apolo e as nove Musas, discantando Camões se coloca na figura do próprio Apolo, deus grego da luz, do sol.
Em sua obra Camões usa de características do classicismo com suas métricas, nos versos todos decassílabos, oitavas e marcação rígida em todo o poema. Seguindo o plano histórico das navegações da época, já em Os Lusíadas, Camões ligou sua obra na expedição de Vasco da Gama em difundir o cristianismo, a expedição era uma epopeia cristã. A forma de narrativa também dissemina ao mundo uma nova Portugal em meados do século XV com as expedições e novas conquistas mercantis.

·       ABSTRACT

The lyrical production of Luís Vaz de Camões in its most important features is the purpose of this article. A search of the unknown, the defining characteristic of the Platonic x carnal love antithesis; reflection on the human condition; of the world's confusion; Homeland; of God; the female figure; and vision of nature. The meta-linguistic, melancholy traces of them, the constant presence of lyrical expressing your feelings are strong features of lyric Camões work.

·       KEYWORDS

Camões. Lyrical. Sonnet. Apollo.





Referências Bibliográficas
- CAMÕES, Luís Vaz de. A Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro  <http://www.bibvirt.futuro.usp.br > A Escola do Futuro da Universidade de São Paulo. Permitido o uso apenas para fins educacionais.
- RODRIGUES, Marina Machado. Para Uma Edição Crítica Da Lírica De Camões. UERJ, UFF e ABRAFIL. Disponível em:< http://www.filologia.org.br/abf/rabf/8/139.pdf> Acesso em 03.12.15 às 00h55min.
- OLIVEIRA, Raquel Trentin. Para Ler Camões. Ver. Let, São Paulo, v.51, n.1, p.9-21, jan/jun 2011.
- INFOESCOLA. Apolo. < http://www.infoescola.com/mitologia-grega/apolo/  > Acesso em 02/12/2015 às 21h45 min.
- WIKIPÉDIA. Lira. < https://pt.wikipedia.org/wiki/Lira_(instrumento_musical)  > Acesso em 02/12/2015 às 21h.
- SONETOS DE CAMÕES.  Disponível em: < http://teleliteraturateen.blogspot.com.br/2015/03/sonetos-de-camoes.html > Acesso em 03.12.15 às 23h.




[1] Apolo, também conhecido com Febo (brilhante), na mitologia grega é considerado o deus da juventude e da luz, identificado primordialmente como uma divindade solar, uma das divindades mais ecléticas da mitologia greco-romana. Filho de Zeus e da titã Latona (Leto). Apolo deus justo e puro que ajudava doentes e também curava várias doenças através do sono. INFOESCOLA. Apolo. < http://www.infoescola.com/mitologia-grega/apolo/ > Acesso em 02/12/2015 às 21h45 min.

[2] A lira é um instrumento de cordas conhecido pela sua vasta utilização durante a antiguidade. As récitas poéticas dos antigos gregos eram acompanhadas pelo seu som, ainda que o instrumento não tivesse origem helênica. O gênero de instrumento a que pertence a lira terá tido o seu alvorecer na Ásia, inferindo-se que terá entrado na Grécia através da Trácia ou da Lídia. WIKIPÉDIA. Lira. < https://pt.wikipedia.org/wiki/Lira_(instrumento_musical) > Acesso em 02/12/2015. 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

RESENHA - TECENDO DIÁLOGOS. “O lugar da emoção e da afetividade na escola”.Palestra do Prof. Dr. Psicólogo Paulo Gomes, Professor da FURG - Fundação Universidade Federal do Rio Grande. Dia 07/11/2015.


SEMANA ACADÊMICA POLO UAB SARANDI.
TECENDO DIÁLOGOS. “O lugar da emoção e da afetividade na escola”.Palestra do Prof. Dr. Psicólogo Paulo Gomes, Professor da FURG -  Fundação Universidade Federal do Rio Grande. Dia 07/11/2015.

O LUGAR DA EMOÇÃO E DA AFETIVIDADE NA ESCOLA

            De acordo com o Prof. Dr. Paulo Gomes, a psicologia funciona como um guarda-chuva, pois abrange várias áreas do comportamento humano, ela é multifacetada. No âmbito da emoção e da afetividade ele observa que a emoção age antes da linguagem e a afetividade vem de afetar, indicar algo. Há o chamado plano afetivo que age com a emoção pois esta tem a missão de que cuidem da gente.
            O valor do professor ser expressivo em suas aulas foi destacado pelo Prof Dr. Paulo, segundo ele esta atitude do docente faz com que o aluno preste mais atenção na aula, uma forma expressiva e gentil envolve mais o cognitivo e aguça mais para o cultural e a forma de analisar do aluno. Diferenciando o adulto e a criança na questão da emoção, na criança a emoção organiza e no adulto desorganiza os sentimentos  e em consequência seu comportamento.
            Gomes frisou que o condicionamento é algo que condiciona e o estímulo é algo incondicionado, não precisa de condição, está presente na história biológica da espécie. Citando experiência feita pelo psicólogo americano John Watson[1], o medo é gradiente de generalização, citando a experiência feita com um bebê e um coelho simulando que uma barulho que amedrontava o bebê era produzido pelo coelho, após este não temê-lo e até o acariciar  acabara tornando o animal um relação com o que lhe causava medo, que era o estrondo em um metal.
            Comentando sobre a punição em sala de aula Gomes relatou eu os alunos fazem coisas na aula para escapar da punição, ou seja ela por uma retirada de recreio, ou em casa com o pais  e outras situações. De acordo com o professor e psicólogo o controle aversivo gera emoções negativas e é um modelo inadequado de se trabalhar em sala de aula.
Concluindo, Gomes enfatizou em sua palestra que professor deve trabalhar no aluno a compaixão e empatia, o professor é o único que tem o poder de mudar o ambiente de aula, deve pedir ao aluno que se coloque no lugar do outro.


Gilberto Machado, Acadêmico do Curso de Letras, Português/Espanhol UAB-FURG, polo Sarandi. Dezembro, 2015.




[1] John Broadus Watson (Greenville, 9 de janeiro de 1878  Nova Iorque, 25 de setembro de 1958) foi um psicólogo estadunidense, considerado o fundador do comportamentismo ou comportamentalismo (ou simplesmente behaviorismo).