segunda-feira, 30 de março de 2015

Policarpo Quaresma, um nacionalista

Policarpo Quaresma, um nacionalista


Em Triste Fim de Policarpo Quaresma, o autor Lima Barreto ao longo da história exalta a paixão do protagonista da obra para com a Pátria Brasileira. Um nacionalista nato, uma pessoa que buscava de todas as formas defender seu país e, incondicionalmente defendia suas riquezas e a bonança de suas terras. Na concepção do Major Quaresma, como era conhecido Policarpo, a cultura brasileira através das modinhas, as suas terras fecundas, onde de acordo com ele em outras palavras afirmava que aqui se plantando tudo dá, a credibilidade com que tratava o comandante do país através de seu presidente Floriano Peixoto, ao qual ofereceu seus serviços em prol da Pátria frente as ameaças revolucionárias dos marinheiros, realmente um nacionalista patriota.
O livro de Lima Barreto é tomado de verossimilhança dotado de detalhes que o tornam verdadeiro para o leitor, o bairro onde Policarpo morava, dando a feição de local cercado de militares ou pessoas envolvidas com as forças armadas, a sua nova morada em vila do Sossego, onde a sua gana por ver o fruto brotar da terra brasileira que tanto ama e é um grande propagador de suas riquezas, Policarpo envolve o leitor com seu nacionalismo quase cego e que aos poucos vai o elucidando com as desilusões adquiridas através do preconceito em se tornar amigo de Ricardo Coração dos Outros e buscar o aprendizado de modinhas ao violão, fato que é criticado em sua própria casa pela irmã Adelaide, com quem morava, pois ambos eram solteirões – “- Mas você está muito enganada, mana. É preconceito supor-se que todo o homem que toca violão é um desclassificado. A modinha é a mais genuína expressão da poesia nacional e o violão é o instrumento que ela pede”(p. 2).
 Todas as ações de Policarpo Quaresma tem uma causa, o seu amor à pátria e, desencadeiam em conseqüências, como ser ridicularizado ao enviar carta ao congresso solicitando a implantação do Tupy Guarany  como a língua oficial brasileira, fato que lhe resultou em uma internação no hospício, o preconceito aos seu requerimento e às modinhas são percebidos em diálogo entre os oficiais  e vizinhos Genelício e Albernaz: –“ Mas você está muito enganada, mana. É preconceito supor-se que todo o homem que toca violão é um desclassificado. A modinha é a mais genuína expressão da poesia nacional e o violão é o instrumento que ela pede”(p. 21).
 Partindo ao interior do Brasil ele percebe o descaso para com o agricultor do local, o desleixo dos administradores da pequena cidade e do próprio Governo Federal para com a agricultura. Quaresma, já percebendo os erros da política nacional que obstruem o progresso do país, ao se apresentar ao presidente Floriano o entrega um documento e o explana com muita esperança de que o mandatário irá fazer acontecer suas reivindicações em prol da agricultura – “- Vê Vossa Excelência como é fácil erguer este país. Desde que se cortem todos aqueles empecilhos que eu apontei, no memorial que Vossa Excelência teve a bondade de ler; desde que se corrijam os erros de uma legislação defeituosa e inadaptável às condições do país, Vossa Excelência verá que tudo isto muda, que, em vez de tributários, ficaremos com a nossa independência feita...”(p. 83).
O nacionalismo de Policarpo o vincula ao território brasileiro de diversas formas, ele possui uma biblioteca em casa somente com obras nacionais; busca o aprendizado e o conhecimento das modinhas da época; aprende o Tupy Guarani e o pleiteia como língua oficial; parte para o interior, acreditando piamente em sua fecundidade espontânea, adquirindo um sítio abandonado em Curuzu; ao saber da possibilidade da guerra e de que o exército precisaria angariar soldados ele se apresenta para servir a sua nação, inclusive pagando para ser o então Major, título do qual carregava como pseudônimo; amou tanto a sua terra até os últimos dias de sua vida, embora tenha sido declarado traidor ao final da revolução, sendo enviado à prisão na ilha para o seu “Triste Fim”.


Fonte imagem: www.umapergunta.com  

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Parabéns Rede Sul pelo belo e amplo site.
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domingo, 29 de março de 2015


LOBATO, Monteiro. Nos domínios da sintaxe. Emília no País da gramática, Cap. XIX. Círculo do Livro S.A: São Paulo, Brasil. 94 p.
Resenhado por Gilberto Machado

Monteiro Lobato em “Emília no País da Gramática” nos mostra uma forma engraçada e lúdica de ensinar, através de uma estória com seus personagens do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, seu clássico literário que acabou nas telas da televisão.Os personagens Pedrinho, Narizinho, Emília e o Visconde de Sabugosa, viveram uma aventura com o rinoceronte “Quindim”, que recebera este pseudônimo de Emília. O quadrúpede levou-os ao País da Gramática, onde exploraram a cidade de Portugália, onde estavam as palavras da Língua Portuguesa.
No capítulo XIX - “Nos domínios da Sintaxe”, eles encontram o bairro da Sintaxe, dividido em duas zonas, a da Lexiologia, onde as palavras viviam soltas e a da Sintaxe, onde as palavras andavam em família, ou seja, uma oração. Em uma das primeiras lições que tomaram, foi a de que a oração leva na frente da família o sujeito e depois o predicado. E o predicado é o que se diz do sujeito e a importância do sujeito é bem destacada, eles, são os termos essenciais da oração. Destaca também os termos integrantes da oração, para que haja a concordância na construção da frase. Assim explica-se o uso do complemento verbal, do objeto direto e do objeto indireto, dos termos acessórios; o adjunto adnominal completando qualificando e determinando o substantivo e o adjunto adverbial,complementando e qualificando o verbo.
Às voltas com as palavras e classes gramaticais, os personagens se deparam com a própria Senhora Sintaxe, a qual lhes fala de sua importância na cidade de Portugália, no País da Gramática, de seu ofício de passar a vida fiscalizando a concordância das orações, ajustando as palavras – “Minha vida aqui é o que se vê. Tenho de estar fiscalizando todas estas senhoritas para que a cidade não vire salada de batatas. As frases que andam com a concordância na regra tornam-se claras como água da fonte -  e a clareza é a maior qualidade que existe. Tenho também de cuidar da colocação ou da ordem das palavras na frase” – disse a senhora Sintaxe.
Ao fazer o uso destas comparações entre as palavras e orações serem a população de um país, o autor prepara não somente o estudante da gramática, mas também o professor para esta forma de interagir com seu aluno, através de uma estória fictícia que trata da lição ao estudante, tornando o ensino menos monótono para ambos.
Em suma, Lobato nos apresenta nesta obra um envolvimento não somente dos personagens, bem como do leitor, que ao viajar por este país imaginário, suas cidades e bairros, acaba por absorver o tema proposto. Neste capítulo, todas as nuances da sintaxe são expostas ao leitor; como a aplicação de sujeito e predicado, a colocação correta dos verbos, a qualificação das frases,  a nominação das regras de ordem direta(sujeito antes do verbo) e inversa(verbo antes do sujeito nas frases optativas e imperativas) nas orações,  colocação dos pronomes para uma formação mais adequada da oração diante deles, o sujeito e o verbo, denominando suas nomenclaturas perante a gramática normativa; pronome Proclítico, Enclítico e Mesoclítico.
A arte de Lobato é um misto de recreação, interação, até a absorção do conteúdo da gramática, uma forma de aperfeiçoamento de nossa comunicação com a função sintática correta  no uso da língua materna. O seu objetivo fica bem claro em Emília no País da Gramática, através de sua obra, utilizando de seus mais conhecidos personagens ele envolve o leitor em um aprendizado leve e tomado pela magia da literatura infanto-juvenil, com sua ficção que motiva o imaginário de seus leitores.
A obra é direcionada a estudantes, professores e público em geral, recomendo pela forma lúdica que passa o conteúdo tanto para acadêmicos quanto para estudantes de níveis inicias.


Imagem: www.elo7.com.br acessada em 29.03.2015 às 22h26min.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Em “Educação no Brasil, Concepções e Desafios para o Século XXI” – Demerval Saviani inicialmente faz um relato histórico e evolutivo dos programas nacionais para a educação no Brasil.
O relato nos faz pensar e refletir nos avanços que tivemos com o passar dos anos e com tudo o que deve ser aprimorado de acordo com Saviani. O autor identificou as tendências que se manifestaram ao longo da história e também levou em conta o aspecto propriamente pedagógico, identificando as principais correntes pedagógicas e ainda considerando a função social desempenhada ao longo do tempo na área.
Fica comprovado, através de relatos do autor, da necessidade da alteração na legislação brasileira no que tange ao montante de recursos a serem investidos na educação, como sendo o principal passo para enfrentarmos os desafios da educação no século XXI. Pois, de acordo com Saviani, a duplicação dos investimentos seria a grande saída para a busca de uma educação ao estilo dos modelos Europeu e Americano.
Na concepção de educação destaca-se que o sistema veio a colocar a educação escolar como a forma principal e dominante da educação, por isso devem ser ampliados os recursos para a educação em todos os níveis para e buscar a excelência em todos os níveis, das creches às universidades, aos moldes do que já ocorre em algumas instituições de Ensino Superior Federal.
Voltando ao relato histórico e evolutivo da educação no país, têm-se a plena ideia do que era a tese de educação do período ditatorial brasileiro, onde o lema era “ensino secundário para nossos filhos e ensino profissional para os filhos dos outros”, uma forma totalmente discriminatória das classes que recebiam a educação no início dos anos 70, com a Lei 5692. Em texto da mesma lei também era introduzida a orientação profissional para todas as classes, para em lugares com muita evasão, os mínimos conhecimentos profissionais para o mercado de trabalho poderiam já ser úteis, ao invés de incentivar uma permanecia nos bancos escolares, mantendo a desigualdade e a conversão do slogan para “terminalidade legal para os nossos filhos e terminalidade real para os filhos dos outros”.
Devemos nos atentar que o texto de Demerval Saviani data de novembro de 2000, omitindo portanto as possíveis alterações até os dias atuais, porém as dificuldades não tiveram grande alteração e a política de aumento de investimentos do PIB de 4% (na data do texto) para 8% seria um grande passo para a nossa educação enfrentar os desafios deste século.

Fundamentos da Educação II
Debate:
As concepções pedagógicas na história da educação brasileira
Demerval Saviani
O texto de Demerval Saviani muito rico no que tange a explicitar as diferentes concepções de pedagogia adotadas ao longo da história de nossa educação.
Se tomarmos por base as duas grande concepções: Tradicional e Progressista, poderemos notar ao longo do texto do autor de que ambas são e foram extremamente necessárias ao desenvolvimento do ensino em nossos país. A pedagogia Tradicional, iniciada com a colonização portuguesa que introduziu os Jesuítas para catequizar os índios brasileiros tem reflexos até nossos dias nos bancos escolares brasileiros. A pedagogia Tradicional  Religiosa tão bem difundida e estabelecida como um padrão por longos anos no Brasil, teve seus dois grandes nomes,  que foram José de Anchieta e Nóbrega, com forte idéia pedagógica do primeiro e de logística das escolas no segundo.
Em seguida com o Ratio Studiorum as idéias pedagógicas foram conhecidas na modernidade como Pedagogia Tradicional, estabelecendo suas regras para todos os níveis de ensino.
Com as reformas pombalinas da instrução a expulsão dos jesuítas cria-se outro marco na educação instituindo um privilégio do Estado em gerir a educação de forma laica influenciada pelo iluminismo.
A evolução da pedagogia  ao longo dos anos seguindo-se o surgimento da concepção pedagógica renovadora, com a fundação da ABE, Associação Brasileira de Educação, as conferencias nacionais de educação, o Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, com a concepção de Anísio Teixeira de “a escola é o retrato da sociedade a que serve”(TEIXEIRA, 1968, p.37).
Ao longo dos tempos, a forma evolutiva com que Saviani relata em seu texto resume-se a explanação das diferentes correntes pedagógicas e concepções a que elas levaram as instituições e governos a executar seus planos pedagógicos, dos Jesuítas ao século XXI; a própria pedagogia jesuítica, pombalina, lancasteriana, do ensino intuitivo, libertária e libertadora. O próprio Saviani afirma na conclusão (p. 26) é de que são poucos os trabalhos levados a efeito no âmbito do HISTERDBR sobre concepções pedagógicas concentrando-se em um relato histórico.
Em suma, após a saída dos Jesuítas do cenário educacional brasileiro criou-se uma lacuna a ser preenchida somente após a criação da 1ª LDB, Lei de Diretrizes e Bases em 1961, sendo introduzidas aos poucos no Brasil a Escola Nova e embriões da  Pedagogia Progressista.


Foto: - Turma de concluentes do Ensino Fundamental EMFA Sarandi