sexta-feira, 24 de abril de 2015

Análises do Modernismo dos poemas de Manuel Bandeira

  Sobre o poema “Pneumotórax”, após ler o referido e algumas colocações na internet, notei que o eu lírico, apesar de ser em um momento de modernista, aparece mesmo que de forma subliminar, pois não há a identificação de que o “doente” é Manuel Bandeira, porém se pesquisar você saberá que ele estava vivendo a doença da tuberculose e apesar de poetizar algo que era terrível para si mesmo, ele relata o que estava passando e, no caso de um pneumotórax a sua vida seria abreviada.
  Portanto, mesmo que tragicômico ele escancara uma terrível mazela da saúde pública da época, os surtos de tuberculose e as baixas perspectivas de vida da sociedade, ou seja, escancara problemas seus e de da época, características bem definidas do modernismo, o abalo, o choque e o incomum.

  Algo semelhante ocorre como João Gostoso, personagem do “Poema Tirado de uma Notícia de jornal” ele tem uma vida medíocre e o seu final é medíocre e trágico, ou seja uma pessoa sem perspectiva alguma de sucesso na vida que tem um precoce fim; tudo relatado de alguma forma eternizada como poema, pois apenas como notícia de jornal, como Bandeira sugerira seria um caso a ser esquecido e o João Gostoso era um representante de uma classe que estava à margem da sociedade burguesa relatada de formas métricas em obras de outras escolas literárias passadas, anteriores ao Modernismo.

Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
– Diga trinta e três.
– Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
– Respire.
..............................................................
– O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
– Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
– Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Poema tirado de uma notícia de jornal"
João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barraco sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
 
(In: Libertinagem, de Manuel Bandeira)

terça-feira, 21 de abril de 2015

Análise do texto Filosofia da Educação e formação de professores no velho dilema entre teoria e prática

O texto de Amarildo Luiz Trevisan apresenta propostas para superar o dilema entre a teoria e a prática na formação de professores citando diversos pensadores da área que expressam suas experiências em pesquisa sobre o tema proposto.
Trevisan detalha nos pensamentos expostos o significado e a significância da teoria do reconhecimento do outro, que por muitos é defendida. O autor traça diferenças entre a pedagogia que valoriza a competência e a que privilegia a qualificação destacando uma delas como o eixo central na atual reforma curricular das licenciaturas, especificando o porquê desta definição.A discussão da inserção do estágio supervisionado já nas fases iniciais da formação de professores no processo de licenciatura é debatida na pesquisa de Trevisan, que aponta de acordo com os teóricos como sendo uma questão polemizada na formação, pois há quem a defenda e outros não, porém é uma das formas de aliar a teoria e a prática aproximando-as ou distanciando-as conforme a antecipação ou retardo deste processo de estágio supervisionado na formação de docentes.
Estudos chamam a atenção da importância do conceito de informação em sentido amplo e o dilema entre a teoria e a prática onde elas tornam-se um dos principais eixos articuladores da formação com a realidade dos professores. Trevisan coloca de forma genial a afirmação de que a formação do professor não pode ficar refém de uma pretensa teoria e menos ainda do lado simples da prática, o que seria conforme o autor, uma forma de tencionar o problema. (TREVISAN, 2011.p.198).
“O professor pode produzir conhecimento através da prática, desde que a investigação reflita intencionalmente sobre ela, problematizando os resultados obtidos com o suporte da teoria. E, portanto, como pesquisador de sua própria prática”. (PIMENTA, 2006, p.43)

Trevisan deixa claro que basear-se em uma simples prática seria uma forma de projetar o problema da formação. A proposta defendida por ele é que as dificuldades nas políticas de formação de professores em aliar a teoria à prática, privilegiando a prática, como no caso de antecipar o estágio supervisionado, por exemplo. Ações como essa podem apenas significar uma passagem de teorias de uma a outra, ou seja, da normativa para a explicativa. E como segunda proposta Trevisan defende a tese da teoria do reconhecimento social do outro, com o intuito de despertar o que ele chama de pássaro de Minerva, citando Hegel – “Quando as sombras da noite começam a cair é que levanta voo o pássaro de Minerva”. (HEGEL, 1986, p. 15). Nesse ponto temos a conquista do voo do reconhecimento, denunciando a submissão aos estreitamentos reflexivos implantados na formação de professores.
A chamada filosofia Hegeliana é dada neste estudo de Trevisan, citando Ítalo Testa, como a própria Teoria do Reconhecimento que é definida por ele como a entrada no mundo espiritual deixando um estado de natureza, (TESTA 2008, p.114). O que se pode dizer é que se promove uma articulação dialética das tendências agressiva e cooperativa do ser.Esta teoria de Hegel seria que o reconhecimento é o conceito intermediário entre prática e conceito, contemplando uma interação entre estes elementos da formação de professores.
Em detrimento ao exposto acima, vale ressaltar que é ponto importante que analisemos as ideias e talvez função do reconhecimento social do outro nos remetendo a pensar que essa Filosofia da Educação inspirada nestes contornos, nos remete a um sentido que nos prepara ou habilita para servir em um ensino mais completo, preparando o terreno para que não tenhamos irregularidades quanto à compreensão do processo. Em ambos os lados, professor e escola não pode haver subserviência: percebemos que a escola, universidade deve evitar encontrar saídas ou subterfúgios para deixar de lado a relação como simplesmente formar alunos. É importante lembrar e aqui é uma reflexão do grupo, constatamos que a questão competência acaba não substituindo a noção de qualificação, existindo entre elas uma grande diferenciação. O que percebemos é que a competência das pedagogias, prima pelo construtivismo, priorizando o universo subjetivo quanto à aquisição de conhecimentos, e ainda nas abordagens interdisciplinares, deixando de lado as dimensões sociais e históricas do processo educativo, procurando aproximar educação e trabalho. Já o conceito de qualificação vem regular as relações de trabalho quando do campo da educação. Podemos entender que ela busca modelos flexíveis e diferentes, todos relacionados a pratica do trabalho em geral e não apenas ao exercício de certa ocupação.Buscando a objetividade e o entendimento destes pontos, percebemos que a qualificação tem seu inicio na teoria e a competência das pedagogias é o reconhecimento do saber pela prática.
Por outro lado para que possamos ter um intermediador e evolução desses processos de competências pedagógicas e qualificação, é de suma importância que a escola esteja ciente que precisa ter uma responsabilidade maior no que diz respeito à formação de estagiários, seus futuros educadores. O importante neste processo é que ambos se encontrem e se completem, pois cada um se reconhece na identidade do outro, aquilo que chamamos por empatia.  Recordemos que é necessário que haja confrontos ou lutas de reconhecimento entre ambos os estágios, de forma igualitária nas interlocuções e sem falar é claro no que se referem os complementos e consensos, pontos importantes e básicos no reconhecimento social do outro. É evidente que a mistura dessas pedagogias, aliadas ao reconhecimento social do outro, acabam por dar um caminho mais claro nos que refere ao processo educação. Entendemos que não existe uma receita exata, pois, a ideal filosofia da educação que converge para a teoria e prática, é um processo em construção e evolução. Lembremos que a qualificação começa pela teoria e a competência pela prática. O fato é que nem um nem outro acaba por atender as demandas pedagógicas, por apenas ter um foco nos seus extremos. Desta forma a importância do reconhecimento social do outro.
Para concluir nossa análise, entendemos que a teoria do reconhecimento nos remete as alternativas de caminhos a serem seguidos, lembremos que quando existe um confronto entre dois extremos, é claro que podem a partir deste debate termos como extrair questões que podem ser respondidas. Vale ressaltar, a teoria do reconhecimento acaba sendo uma espécie de interlocutor de um modo em que articula as ideias em uma base de enfrentamento das duas extremidades entre professor e aluno, não deixando dúvidas que a partir desta reflexão podem existir novas caminhadas passíveis de novas pesquisas.
Referências

TREVISAN, A.L. Filosofia da educação e formação de professores no velho dilema entre a teoria e prática.


Alunos UAB-FURG -LETRAS - PORTUGUÊS/ESPANHOL - Polo Sarandi
Gilberto Machado, Giancarlo Barros e Karina Marzani

sábado, 11 de abril de 2015

Moacir Gadotti – Desafios para a Era do Conhecimento –
Filme Tempos Modernos – Charles Chaplin

O autor aborda as mudanças no início do século XXI as expectativas e perplexidades mediante a globalização, expira dose cautelar no  campo da educação.
Gadotti questiona o caminho a tomar neste novo século, ele observa que as tecnologias atuais estão todas baseadas em uma perspectiva atuais. As perspectivas teóricas podem desaparecer ou surgirem novas. Para entender o futuro é preciso estudar o passado, portanto alguns marcos vividos na educação podem perdurar e outros desaparecerem.
O autor enfatiza a simbiose entre o tradicional e o novo, mantendo o “aprender fazendo” na concepção tradicional ou pedagogia nova. Na segunda metade do século XX os planos de educação diminuíram os custos e aumentaram os benefícios. No final do século XX a globalização deu novo impulso à idéia de uma educação igual para todos com parâmetro curricular comum.
Cria-se a nova cultura, a cultura digital, surge a EaD  ao final do século XX. Para Gadotti, a função da escola será a pensar unicamente paradigmas holistas. É a complexidade e holismo valorizando a singularidade ao entorno do vivente.
Correlacionando com o filme de Chaplin, “Tempos Modernos” expressa bem o domínio do capital, da industrialização sobre o proletariado, expõe as manifestações comunistas e a repreensão sofrida, as injustiças nas prisões, sem qualquer tipo de defesa dos réus, a pobreza criada com o fim de algumas atividades com o advento da Revolução Industrial.
Voltando à Gadotti, no tópico “Educação Popular” há um domínio governamental neste processo, o prender é a partir do conhecimento do sujeito ensinado a partir de palavras e termos geradores, educação sendo um ato de conhecimento e transformação social ato de conhecimento e transformação social. Citando Paulo Freire e seu projeto Escola Cidadã, correlacionando mercado-escola-sociedade.
Seja qual for a perspectiva que a educação tomar no século XXI, a educação voltada ao futuro pró-educação contestadora – a pedagogia do Praxis. Está em andamento a Revolução da Informação e é com esta revolução que se tem que tratar agoa a adequar a educação, fazer dela uma aliada.



sexta-feira, 3 de abril de 2015

Debate de teorias pedagógicas, baseado em Newton Duarte e Ivo Tonet

“O debate contemporâneo das teorias pedagógicas”, Newton Duarte.
A ausência da perspectiva de superação da sociedade capitalista:
Esta ausência é refletida através do aumento dos problemas sociais e a visão destas pedagogias, de acordo com o autor são ilusórias e com visão errônea e idealista. Duarte discorda que da educação para uma prevenção dos problemas mais causados pelo capitalismo, como a violência e destruição ambiental e o desemprego. A pedagogia explicita adepta ao capitalista é exemplificada por Duarte pelo idealismo de que é acreditado em um ensino que ensine enfrentar a competitividade do mercado e imbuídos do espírito de solidariedade social. Uma forma bem capitalista de se pensar sem uma perspectiva de superação desta filosofia. A visão idealista citada pelo autor, é usada como referencia à sua adesão à sociedade capitalista.
Paradoxo entre competitividade  e espírito solidário:
 Este tema é praticamente impossível andar em conjunto, pois, citando Marx o autor exemplifica com a teoria marxista de desenvolvimento do lado criativo humano. Sendo esta uma forma solidária, porém, no contexto capitalista isto é de certa forma no embate da competitividade entre os indivíduos em busca do crescimento do capital. Toda e qualquer pedagogia que concentre um desenvolvimento do indivíduo não estará ausente do propósito da competitividade deste com outrem em detrimento de espírito solidário.
Relativismo epistemológico e cultural:
Levando em consideração o significado de algo que é epistemológico [1], ou seja, algo que provoca duas posições, uma empirista no que diz que o conhecimento deve ser baseado na experiência, o que for aprendido durante a vida e a posição racionalista, que prega que a fonte do conhecimento se encontra na razão e não na experiência.
O relativismo epistemológico e cultural no texto “O debate contemporâneo da teorias pedagógicas”, de Newton Duarte, estabelece pontos de ligação entre as  teorias e pontos distantes,   criando um certo relativismo entre as mesmas devido a forma hegemônica da pedagogia do aprender com negação à educação tradicional, com negação às formas clássicas de educação escolar.
“Educar para a cidadania ou para a liberdade”, Ivo Tonet
Categorias importantes no processo de autoconstrução do homem. Emancipação política (cidadania) e emancipação humana. Analiso a seguinte relacionalidade com o tipo de trabalho que as sustentam:
Tonet cita que o processo do sistema tende a deixar o homem cada vez mais heterogêneo, diversificado e multifacetado e, ao mesmo tempo, mais unitário relacionando esta posição com a problemática  da educação, destacando que esta é uma perspectiva Marxista.
A participação do indivíduo cada vez maior no processo social é enfatizada com uma ascensão política do indivíduo. Para a inserção no meio social é determinante para a emancipação política.
A correlação entre um ser emancipado humana e politicamente seria o complemento de um ser totalmente sociável solucionando a problemática da cidadania sendo que em cima disso o texto tem algo semelhante quando Tonet escreve que - “...a cisão entre a vida social e a vida política surge quando a humanidade se divide em classes sociais, como conseqüência, a preparação dessa cisão amplia a eliminação das classes sociais e da propriedade privada”, baseando-se na teoria de Marx.
Apesar de afirmar que não existem modelos nem receitas para a realização das potencialidades amplas do ser humano, Tonet destaca cinco requisitos indispensáveis em atividades educativas voltadas para a emancipação humana, a ausência de um domínio sólido, pode desnortear esta atividade educativa emancipadora. O conhecimento do processo histórico, real, universal e particular sendo a educação um conjunto da sociabilidade, a ação educativa não deve ser isolada. Esclarecer as reais atribuições do processo educacional e o posicionamento com questões de recursos de educação, se neutra, engajada, diretiva ou não, privilégio ao conteúdo ou método centrar-se na figura do aluno ou do professor. Para a sua emancipação o indivíduo deve ter o conhecimento e o domínio das diversas áreas do conteúdo escolar.
O quinto requisito abordado por Tonet para a emancipação humana seria a articulação da atividade educativa com as lutas das classes subalternas com posições na estrutura produtiva e transmitir o conhecimento mais avançado , qualifica Ivo Tonet.









[1] www.significados.com.br / em 02/04/2015, às 23h15.