quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

ANÁLISE DO SONETO Apolo e as nove Musas, discantando

 PRODUÇÃO LÍRICA DE LUIZ VAZ DE CAMÕES

·       RESUMO
A produção lírica de Luiz Vaz de Camões em seus traços mais relevantes é o objetivo deste artigo. A busca do desconhecido, o característico marcante da antítese amor platônico x amor carnal; da reflexão sobre a condição humana; do desconcerto do mundo; da pátria; de Deus; da figura feminina; e da visão da natureza. A metalinguística, os traços de melancolia, a presença constante do eu lírico expressando seus sentimentos, são fortes características da obra lírica Camoniana.

·       PALAVRAS CHAVE
Camões. Lírica. Soneto. Apolo.

·       ANÁLISE DO SONETO
Apolo e as nove Musas, discantando

051
Apolo e as nove Musas, discantando  
com a dourada lira, me influíam
na suave harmonia que faziam,
 quando tomei a pena, começando: 

— Ditoso seja o dia e hora, quando
tão delicados olhos me feriam!
 Ditosos os sentidos que sentiam
 estar se em seu desejo traspassando! 

Assi cantava, quando Amor virou
 a roda à esperança, que corria
tão ligeira que quase era invisível.
 
Converteu se me em noite o claro dia;
e, se algüa esperança me ficou,
 será de maior mal, se for possível.

O soneto Apolo e as nove Musas, traz quatorze versos compostos de dois quartetos e dois tercetos, com rimas alternadas ABBA nos quartetos e rimas opostas ou interpoladas, CDE DCE nos tercetos.
Neste soneto Camões usa a figura do deus grego Apolo[1] e que trata do amor que sofrera encanto das nove musas que tocavam sua lira[2]. Camões se utiliza do eu lírico na primeira pessoa do singular com o pronome possessivo “me” (...) me influíam...
O soneto “Apolo e as nove Musas, discantando” retrata o eu lírico que projeta um amor platônico com as musas que estão a lhe influenciar apaixonadamente com seu canto à lira dourada, o fato de elas o inspirarem a escrever tomando da pena para tal e declarando que esta paixão que o arrebatava fazia o tempo da esperança correr ligeiro e ao defrontar-se com algo impalpável e quase invisível tornou o seu dia em noite, o dia que nem como Apolo, deus grego do sol, não tinha forças para vencer a noite da desilusão pelo amor platônico sem deixá-lo brilhar.
Na obra de Camões, destacam-se em seus versos trechos como (...) tomei a pena... olhos me feriam... me influíam...(...) com característica metalinguística estabelecendo relação com sus própria produção literária. O eu lírico toma de queixas perante as mudanças de destino humano, a felicidade que o amor às musas o proporciona é interrompida pela melancolia e dor da noite com a perspectiva de que o futuro o traga maiores sofrimentos.
Observa-se neste e nos demais sonetos de Camões as principais características que demarcaram a escola literária ou gênero literário Classicismo:
Quanto ao conteúdo:
·       Idealização amorosa, neoplatonismo;
·       Predomínio da razão;
·       Paganismo;
·       Influência da cultura greco-romana;
·       Antropocentrismo;
·       Universalismo;
·       Busca de clareza e equilíbrio de ideias;
·       Nacionalismo.
Quanto à forma:
·       Gosto pelo soneto;
·       Imitação às formas clássicas;
·       Emprego de medida nova (poesia);
·       Busca do equilíbrio formal.
·

·       CONCLUSÃO
Com os soneto  Apolo e as nove Musas, discantando e suas demais obras, Camões tem as mais altas produções líricas de sua época na Europa, poesias sonetos que possuem intertextualidade quando se trata, por exemplo, dos deuses da mitologia grega, quando envolve em sua narrativa entre outras e outros a deusa do amor Vênus a qual tem a missão de fazer as ninfas se apaixonarem pelos Lusos, portugueses filhos de Luso e especificamente em Apolo e as nove Musas, discantando Camões se coloca na figura do próprio Apolo, deus grego da luz, do sol.
Em sua obra Camões usa de características do classicismo com suas métricas, nos versos todos decassílabos, oitavas e marcação rígida em todo o poema. Seguindo o plano histórico das navegações da época, já em Os Lusíadas, Camões ligou sua obra na expedição de Vasco da Gama em difundir o cristianismo, a expedição era uma epopeia cristã. A forma de narrativa também dissemina ao mundo uma nova Portugal em meados do século XV com as expedições e novas conquistas mercantis.

·       ABSTRACT

The lyrical production of Luís Vaz de Camões in its most important features is the purpose of this article. A search of the unknown, the defining characteristic of the Platonic x carnal love antithesis; reflection on the human condition; of the world's confusion; Homeland; of God; the female figure; and vision of nature. The meta-linguistic, melancholy traces of them, the constant presence of lyrical expressing your feelings are strong features of lyric Camões work.

·       KEYWORDS

Camões. Lyrical. Sonnet. Apollo.





Referências Bibliográficas
- CAMÕES, Luís Vaz de. A Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro  <http://www.bibvirt.futuro.usp.br > A Escola do Futuro da Universidade de São Paulo. Permitido o uso apenas para fins educacionais.
- RODRIGUES, Marina Machado. Para Uma Edição Crítica Da Lírica De Camões. UERJ, UFF e ABRAFIL. Disponível em:< http://www.filologia.org.br/abf/rabf/8/139.pdf> Acesso em 03.12.15 às 00h55min.
- OLIVEIRA, Raquel Trentin. Para Ler Camões. Ver. Let, São Paulo, v.51, n.1, p.9-21, jan/jun 2011.
- INFOESCOLA. Apolo. < http://www.infoescola.com/mitologia-grega/apolo/  > Acesso em 02/12/2015 às 21h45 min.
- WIKIPÉDIA. Lira. < https://pt.wikipedia.org/wiki/Lira_(instrumento_musical)  > Acesso em 02/12/2015 às 21h.
- SONETOS DE CAMÕES.  Disponível em: < http://teleliteraturateen.blogspot.com.br/2015/03/sonetos-de-camoes.html > Acesso em 03.12.15 às 23h.




[1] Apolo, também conhecido com Febo (brilhante), na mitologia grega é considerado o deus da juventude e da luz, identificado primordialmente como uma divindade solar, uma das divindades mais ecléticas da mitologia greco-romana. Filho de Zeus e da titã Latona (Leto). Apolo deus justo e puro que ajudava doentes e também curava várias doenças através do sono. INFOESCOLA. Apolo. < http://www.infoescola.com/mitologia-grega/apolo/ > Acesso em 02/12/2015 às 21h45 min.

[2] A lira é um instrumento de cordas conhecido pela sua vasta utilização durante a antiguidade. As récitas poéticas dos antigos gregos eram acompanhadas pelo seu som, ainda que o instrumento não tivesse origem helênica. O gênero de instrumento a que pertence a lira terá tido o seu alvorecer na Ásia, inferindo-se que terá entrado na Grécia através da Trácia ou da Lídia. WIKIPÉDIA. Lira. < https://pt.wikipedia.org/wiki/Lira_(instrumento_musical) > Acesso em 02/12/2015. 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

RESENHA - TECENDO DIÁLOGOS. “O lugar da emoção e da afetividade na escola”.Palestra do Prof. Dr. Psicólogo Paulo Gomes, Professor da FURG - Fundação Universidade Federal do Rio Grande. Dia 07/11/2015.


SEMANA ACADÊMICA POLO UAB SARANDI.
TECENDO DIÁLOGOS. “O lugar da emoção e da afetividade na escola”.Palestra do Prof. Dr. Psicólogo Paulo Gomes, Professor da FURG -  Fundação Universidade Federal do Rio Grande. Dia 07/11/2015.

O LUGAR DA EMOÇÃO E DA AFETIVIDADE NA ESCOLA

            De acordo com o Prof. Dr. Paulo Gomes, a psicologia funciona como um guarda-chuva, pois abrange várias áreas do comportamento humano, ela é multifacetada. No âmbito da emoção e da afetividade ele observa que a emoção age antes da linguagem e a afetividade vem de afetar, indicar algo. Há o chamado plano afetivo que age com a emoção pois esta tem a missão de que cuidem da gente.
            O valor do professor ser expressivo em suas aulas foi destacado pelo Prof Dr. Paulo, segundo ele esta atitude do docente faz com que o aluno preste mais atenção na aula, uma forma expressiva e gentil envolve mais o cognitivo e aguça mais para o cultural e a forma de analisar do aluno. Diferenciando o adulto e a criança na questão da emoção, na criança a emoção organiza e no adulto desorganiza os sentimentos  e em consequência seu comportamento.
            Gomes frisou que o condicionamento é algo que condiciona e o estímulo é algo incondicionado, não precisa de condição, está presente na história biológica da espécie. Citando experiência feita pelo psicólogo americano John Watson[1], o medo é gradiente de generalização, citando a experiência feita com um bebê e um coelho simulando que uma barulho que amedrontava o bebê era produzido pelo coelho, após este não temê-lo e até o acariciar  acabara tornando o animal um relação com o que lhe causava medo, que era o estrondo em um metal.
            Comentando sobre a punição em sala de aula Gomes relatou eu os alunos fazem coisas na aula para escapar da punição, ou seja ela por uma retirada de recreio, ou em casa com o pais  e outras situações. De acordo com o professor e psicólogo o controle aversivo gera emoções negativas e é um modelo inadequado de se trabalhar em sala de aula.
Concluindo, Gomes enfatizou em sua palestra que professor deve trabalhar no aluno a compaixão e empatia, o professor é o único que tem o poder de mudar o ambiente de aula, deve pedir ao aluno que se coloque no lugar do outro.


Gilberto Machado, Acadêmico do Curso de Letras, Português/Espanhol UAB-FURG, polo Sarandi. Dezembro, 2015.




[1] John Broadus Watson (Greenville, 9 de janeiro de 1878  Nova Iorque, 25 de setembro de 1958) foi um psicólogo estadunidense, considerado o fundador do comportamentismo ou comportamentalismo (ou simplesmente behaviorismo).

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O Auto de Inês Pereira e a relação com a contemporaneidade


O Auto de Inês Pereira e a relação com a contemporaneidade

            A verossimilhança que Gil Vicente expõe em sua obra de 1523,  O Auto de Inês Pereira, com os acontecimentos contemporâneos da humanidade, em especial ao gênero feminino são muito evidentes. A pouca valorização da mulher em detrimento ao homem é fato consumado em diversas épocas e, não se difere nos séculos mais recentes, pois as profissionais que exercem as mesmas funções que os homens recebem soldo menor por seu labuto, embora por muitas vezes mais qualificadas e sensíveis às alterações e progressos que as diversas atividades profissionais exigem.
            Se Inês vivia a lavrar e a exercer diversas atividades em sua moradia tendo que encontrar somente uma válvula de escape um casamento arranjado para exercê-lo como forma de fuga da realidade vivida, não diferente é em algumas situações onde as filhas são usadas como serviçais da casa e, para que isto tome um rumo diferente elas são absorvidas pelas mazelas da sociedade, o que lhes causa na maioria das vezes muita dor e sofrimento, pois partem para uma competição com os homens no mercado de trabalho onde ainda são menos valorizadas, principalmente quando se trata de mulheres de baixa renda.
            Os interesses materiais perduram por séculos se sobressaindo num revés da valorização humana e ao próprio cuidado com a vida, tema este discutido muito neste ano, principalmente na igreja brasileira.
            Daí, vem em seguida o desencanto com algo que era um sonho de liberdade, a vida à dois pode não ser melhor do que a outrora vida de solteira, a submissão antes à família, nos casos de hoje cuidando de irmãos menores e tomando conta da casa e, passa a ser uma submissão ao marido ou companheiro que por sua vez impõe tarefas e, mesmo que a mulher busque seus rendimentos além das atividades domésticas  do lar, o peso dobra sobre suas costas, pois o cúmulo de funções dentro e fora de casa as torna mulheres, muitas vezes depressivas e extremamente exaustas, o que as leva a novas desventuras e um abraço envolvente com a desilusão.
            As Inês Pereira deste século ainda perduram, ainda clamam por reconhecimento e ainda buscam os valores que ora perderam, a figura da submissão, da pessoa desencantada com a vida que leva tem gerado, ao longo dos anos contemporâneos, diversos desdobramentos na vida das mulheres das diferentes nacionalidades e classes sociais, tudo isto resulta em casos semelhantes aos que a ficção de Gil Vicente expôs em 1523 , pois as mulheres frustradas e desencantadas acabam por trair seus maridos na busca de algo que as complete e de algo que as equipare do gênero masculino, diante da sociedade.
            As mulheres contemporâneas buscam não somente o companheiro do sexo oposto mas também outras mulheres que supostamente, se enamoram por elas devido à desilusões já sofridas com seus com homens ou que possam trazer consigo o conhecimento de outras desiludidas e já crescerem com esta aversão ao homem, figura que traz consigo a carga histórica de dominador e exterminador de sonhos femininos pois, principalmente com o advento da imprensa livre, as atrocidades contra as mulheres passam da ficção e afloram nas manchetes dos principais meios de comunicação, indo além da clausura de Inês Pereira foi vítima em seu primeiro casamento, chegando até mutilações, como o caso de Maria da Penha, personagem real que inspirou Lei Federal de proteção às mulheres e que leva seu nome.

             Inês Pereira nada mais foi do que uma personagem protagonista de um auto de Gil Vicente, dramaturgo do Humanismo da Literatura Portuguesa, ela foi um marco na literatura relacionando a personagem às moças solteiras da época e, em seguida às senhoras casadas, as Inês Pereira de hoje são muitas e ainda existem, enquanto a busca da plena felicidade feminina persistir haverá a frustração, a desilusão, o desencanto e a perda de valores.


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Idealização da figura feminina na literatura trovadoresca

Idealização da figura feminina na literatura trovadoresca

            A literatura trovadoresca teve em sua essência a exaltação ao ser feminino, evocando a mulher como um ser a ser conquistado e cortejado, contrariando o que ocorrera anteriormente, quando a mulher era considerada ser inferior e deveria ser dominada pelo homem.
            - Essa Idade Média é resolutamente masculina. Pois todos os relatos que chegam até mim e me informam vêm dos homens, convencidos da superioridade do seu sexo (DUBY, 1989, p.10.). -  O aparecimento dessa modalidade literária é explicado por Massaud Moises, em quatro teses: tese arábica,  a tese popular ou folclórica, a tese médio-latinista,  a tese litúrgica, e a poesia trovadoresca.
            No trovadorismo, a mulher passou a ser destaque nas cantigas surgidas em Portugal,  como cantigas de amor, cantigas de amigo, cantigas de escárnio e de maldizer; tendo como ícones  Paio Soares de Taveirós – trovador de origem galega (séc. XII) e D. Dinis – o chamado “Rei-Trovador”.
            A mulher, na segunda parte do século XII era descrita como ser perigoso e sedutor, representante demoníaco, capaz de envolver o homem e levá-lo ao pecado; tese esta difundida pelo cristianismo daquele momento. O  historiador George Duby refere-se a Idade dos Homens este momento em sua bibliografia; a partir disto o poeta trovadoresco dedicara seus versos à mulher amada como forma de lamentos de dor.
            Este verdadeiro culto à mulher amada, expresso na poesia trovadoresca, vinha a reverenciar aquele ser que passava a ser uma espécie de premiação ao poeta trovador, ao contrário das expressões literárias medievais e a própria sociedade que tinha uma visão extremamente machista em relação ao ser feminino.

 A mulher, que até então era subjugada ao homem, passaria a ser parte de versos dos poetas trovadorescos transforma em dama e com encantos dedicados através desta manifestação literária.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Seguindo sonhos, alto e avante!

Seguindo sonhos, alto e avante!         


No início de 1977, para ser mais preciso no terceiro dia daquele ano, nascera um menino fraquinho, doentio e que precisava de cuidados, claro que os cuidados vieram, afinal o que se faz quando uma criança aguardada pelos pais espera e, muitas vezes ganha, o amor e o cuidado é claro, pois bem, com o passar dos anos esta criança melhorou de saúde, começou a interagir com o ambiente em que vivia e, algo poderia chamar a atenção de quem o rodeava, ele era muito tranquilo, aliás quase que tranquilo demais, o cuidado que tinha com seus poucos e simples brinquedinhos era de como alguém que zela por joias raras, pois para ele aqueles objetos eram seus e seriam a sua companhia em seu pequeno mundo, muitas vezes imaginário que se confundia com o real.
         Este menino caro leitor, era eu, sim eu mesmo Gilberto Machado, um garoto que entre seus muitos sonhos e brincadeiras tinha a paixão pelo rádio como uma de suas prioridades. O menino foi crescendo, a ambientação escolar a convivência em pobre bairro da periferia da cidade o moldavam para a vida, o mostravam o quão difícil ela poderia ser e, fácil ela nunca foi assim como não é para os milhares de brasileiros que viveram na pobreza nos anos 80 e 90 do século XX. As oportunidades que surgiram ao menino foram agarradas com unhas e dentes, sua dedicação na escola, sua obediência em tudo o levaram ao alcance do que era até então uma brincadeira quase inatingível ao toque verídico, mas quis o Criador que a oportunidade surgisse e ela foi abraçada de corpo, alma e coração.
         A oportunidade para a realização do sonho surgira, porém o outro sonho, o da formação no Ensino Superior teve de ser adiado, pois naquele momento, em meados dos anos 90 não havia qualquer possibilidade de ser feito curso algum, pois a Universidade mais próxima ficava a quase 100 KM de sua cidade e o transporte consumiria o seu pequeno soldo.
         Com o passar dos anos a experiência na sua profissão e dedicação foram observados por muitos, fora então convidado a assumir, simultaneamente à rádio o trabalho de assessor de imprensa do Município, vindo a exercer a função por 8 anos, lhe forjando ainda mais no campo da comunicação quando passou também a escrever a jornais locais e por vezes suas matérias iam parar na páginas dos grandes jornais da capital do Estado.
         Passado o período de assessoria o seu entorno não parou, pois como o planeta é um globo e circula dia a dia, a sua vida também veio a girar quando foi convidado a assumir a coordenação de uma nova emissora do mesmo grupo de comunicação que já havia dedicado 17 anos de sua vida.
         O trabalho mais uma vez foi árduo tendo de participado de todo o processo de montagem e implantação da nova emissora e também moldando-se ao novo estilo de comunicação ao qual a rede que o novo canal faria parte exigia.
         Mas a influência externa e a ambientação deste mundo que dá tantas voltas e nós não percebemos sequer a flor que desabrocha, o pássaro que canta, a chuva que cai ou o sol que nasce e se põe, então neste constante desenvolvimento planetário a vida ainda não para de girar também, foi aí que a oportunidade da realização do segundo grande sonho daquele tímido menino da periferia viria a realizar-se, pelo menos o seu início, pois surgira o Ensino Superior Federal em sua cidade e em uma área que sempre admirou, a educação, o curso de Letras Português e Espanhol da FURG, a tão conceituada Federal do Rio Grande chegava em sua cidade na modalidade de Ensino a Distância e foi aí que o grande sonho da formação acadêmica começou a ser construído para uma realidade palpável. Também não veio com facilidades, pois o menino havia parado com os estudos há exatos 20 anos, ora pois, mesmo assim passou no concurso vestibular em uma colocação muito boa e vem se dedicando arduamente rumo à sua diplomação e espera dar a sua parcela de contribuição para a educação da cidade que o viu nascer e crescer, espera conciliar e mesclar a sua profissão de comunicador já experiente com a de professor iniciante tendo uma expectativa de ser um bom educador e comunicador, como sempre foi comunicador da paz, do amor, da religiosidade, da alegria, do bem estar da comunidade, junte-se a isso a realização de outro grande sonho da vida ao galgar a formação Superior em um país que precisa muito de pessoas de bem e dedicadas no que fazem sem pensar prioritariamente em seu próprio umbigo, em seus favorecimentos pessoais em detrimento ao bem comum.
         Este sou eu, o menino, o filho desta terra que para ela quer dar tudo de bom que aprendeu na vida quer ensinar com amor, com o coração e quer que cada um que passa por suas aulas leve algo diferente em seu coração, algo que mexa coma sensibilidade de seres tratados como pessoas e não como números de estatísticas para os que gostam de números enfrentarem suas metas com galhardia.
O espaço em que vivi e vivo me oportunizou a momentos de criação de ser algo que eu poderia concretizar se acreditasse naquilo que estava sempre pensando, sempre esperando o melhor mas como compôs Geraldo Vandré, na canção “Pra não dizer que não falei das flores” - “...quem sabe faz a hora, não espera acontecer..”- Então vamos, faça acontecer, supere tudo e todos e dentro dos limites da lei suba ao mais alto ponto da montanha de seus sonhos e busque o que és capaz, porque todo o ser humano vive para encontrar a felicidade, ninguém vive para ser o chão ou o degrau de ninguém, mas sim vive para dar as mãos e subir “alto e avante!”





 Referências:
Imagem disponível em:
https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0CAYQjB1qFQoTCKmTorm84cgCFct9kAodF88Bnw&url=https%3A%2F%2Fdonluidi.wordpress.com%2Ftag%2Fsuperacao%2F&psig=AFQjCNGpdAixAxgYQznJa9uyPw51iWudFQ&ust=1445994702009321 
Acesso em 26/10/2015 às 23h10min.




sábado, 17 de outubro de 2015

O projeto Didático: forma de articulação entre leitura, literatura, produção de texto e análise linguística

O projeto Didático: forma de articulação entre leitura, literatura, produção de texto e análise linguística
A interação entre a linguística, a gramática e o ensino da Literatura no Ensino Médio deve acontecer de forma natural e compartilhada entre professores e alunos. Deve-se trabalhar com o chamado “conjunto da obra” e um belo e justo de aplausos exemplo foi o que fizeram os professores com o estágio com a turma de segundo ano do Colégio de Aplicação da UFPE, quando conseguiram fazer um projeto didático interativo entre os professores e alunos em um sistema de provocação para a ação efetiva de todos, englobando o ensino da Língua Portuguesa e suas nuances de interpretação e produção textual, congregadas com a Literatura Brasileira através da análise e leitura de obras e a formatação de roteiro, coleta de depoimento e realização de entrevista com a participação de todos os alunos na produção de um documentário, oportunizando assim as diferentes formas de avaliação de todos em todas as etapas do projeto.
Este formato apresentado deve ser tomado como grande exemplo, assim como outros criados e executados Brasil afora, com professores que são verdadeiros visionários na questão de unir as disciplinas sem que se possa avaliá-las em separado, porém integradas, pois não há obra literária que não tenha uma construção linguística, gramatical, de sintaxe e semântica; podendo ser perfeitamente analisadas de forma congregada e tornando ambas disciplinas prazerosas e interessantes aos olhos dos alunos que têm um mundo tecnológico  às mãos que deixa tudo mais prático.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015


DIDÁTICA

SUA DEFINIÇÃO E IMPORTÂNCIA PARA O TRABALHO DOCENTE
Didática vem do grego: “ensinar, instituir, fazer aprender”. É o ato de reflexão do processo ensino-aprendizagem que pode ser definida como “reflexão sistemática”, pois é onde há o estudo das teorias de ensino e de aprendizagem, obedecendo um esquema ou forma de organizar as questões, o que facilita na formação do docente e sua futura aplicação da teoria na prática de ensino. Como observação dos diferentes agentes da educação e seu comportamento mediante uma formatação, de esquema de aula ou do docente, fazendo um relacionamento entre os conteúdos a serem apresentados e os alunos que irão recebê-los para seu conhecimento educacional.
A Didática entra também nos processos de formas de avaliação, motivação e capacitação dos personagens do processo educacional, fazendo com que haja as aplicações das teorias através de uma determinada didática que está constantemente colocada à prova das novas realidades do processo.

CONTRIBUIÇÃO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

Por um processo intencional, a Didática busca alcançar seus objetivos com seus participantes, o professor que tem seu auxílio para organizar a aula na formatação didática para que o aluno aprenda bem o que é proposto. Neste processo a dimensão técnica do processo de aprendizagem comporta a definição de objetivos, o que vai ajudar o futuro professor a nortear seu trabalho desde o estágio. Oportunizando um formato pré estabelecido para, dentre outras coisas, organização do processo de avaliação ajuda na escolha de técnicas avaliativas, planejamento de curso e de aulas.

COLABORAÇÃO NOS DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS DA EDUCAÇÃO

A Didática elenca as principais dificuldades e perguntas que o professor se questiona ao deparar-se com uma turma de alunos que o desafiam a cada aula na busca de ampliação do leque de conteúdos, principalmente devido ao avanço tecnológico e o fácil acesso à informação, que muitas vezes atrapalham na formação e a Didática entra neste contexto respondendo a questões mais especuladas  como a busca de uma atividade que torne a aula atrativa e que realmente ensine, também a Didática orienta e auxilia nas questões de indisciplina  e ou desatenção de aluno.
A Didática também tem a tarefa de nos tornar agradável a tarefa de ensinar para que gostemos de dar aula, se tornando algo facilitado e de amplo domínio por parte do professor, pois oferece subsídios e as respostas aos principais questionamentos da educação.

Discussão


Realmente a Didática tem um papel ímpar na formação, no aperfeiçoamento e no formato do ensino-aprendizagem. Colocastes muito bem a questão da inovação, pois como nos contempla o texto proposto, a Didática tem a maioria das respostas aos questionamentos de uma formatação de aula na teoria e prática, porém vai da criatividade do professor em pesquisar algo além para contribuir no seu trabalho com os alunos, sempre sem que haja a fuga do proposto pela Didática e o Plano de Ensino da disciplina, porém deixando que o aluno seja um debatedor deste processo, que ele questione mais para conhecer mais e assim gostar da atividade pois só se gosta daquilo que se conhece e só se interessa em conhecer do que se gosta. Portanto esta é uma tarefa muito importante e que precisa de um professor com perfil inovador e de visão aberta e contemporânea, pois os desafios para as respostas que a Didática responde surgem a cada momento devido principalmente aos novos moldes de sociedade que estamos concebendo neste século XXI.
Referência:
Livro: Didática, A alma como centro. UAB - FURG - Letras - Português/Espanhol

quinta-feira, 1 de outubro de 2015


SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL – MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE
INSTITUTO DE LETRAS E ARTES
CURSO DE LETRAS – UAB -  POLO - SARANDI
DISCIPLINA - LÍNGUA PORTUGUESA V
 PROF.ª DR.ª MARIA CRISTINA FREITAS BRISOLARA





Análise simplificada do texto filmico publicitário do detergente Limpol Bombril através do modelo proposto por Umberto Eco.





Giancarlo Pereira de Barros
Gilberto Machado




Sarandi
2015



Análise simplificada do texto filmico publicitário do detergente Limpol Bombril através do modelo proposto por Umberto Eco.





DADOS TÉCNICOS DO COMERCIAL
- Agência: W Brasil
- Direção: Washington Oliveto
- Ator: Carlos Moreno
- Participação especial de Gil Gomes
- Ano da gravação: 1998
- São Paulo - Brasil
REGISTRO VERBAL
            Logomarca do produto estampada ao fundo bem atrás do ator no comercial = Limpol – Bom Bril.
            Texto em forma de legenda com o nome do personagem representado na peça publicitária: Gel Gomes.
            No comercial, a interpretação é feita pelo ator Carlos moreno, garoto propaganda da Bom Bril.


O texto interpretado no comercial foi disposto desta forma:
“Eu, Gel Gomes estou aqui neste comercial de Limpol para identificar os quatro novos elementos que precisam estar na sua cozinha. Limpol gel rende três vezes mais – eu disse: três vezes mais que os detergentes comuns é só passar um pouquinho na esponja e acabar de uma vez por todas com a sujeira. E aí está...ah! Gil! (entrada em cena do famoso repórter policial  dos anos 90 no Brasil; Gil Gomes: -“ geeel, limpol gel não esbanja na esponja.

Percebe-se que não há trilha sonora no vídeo do comercial do produto limpol, da Bom Bril sendo que a interpretação de Carlos Moreno em forma de imitação de Gil Gomes traz consigo a fala arrastada e enfática nas últimas palavras das frases do texto.
REGISTRO VISUAL
Nível Icônico
            Cenário de bancada, estilo telejornal com a logomarca da empresa que fabrica o detergente líquido Limpol.
            Sobre o cenário da peça publicitária para a televisão ainda temos a presença de um fundo preto e uma pequena bancada na horizontal à frente do ator, na bancada na qual tem sobre ela, quatro embalagens do novo detergente líquido Limpol da  Bom Bril nas cores transparente, verde, laranja e lilás.

            Em seus rótulos o telespectador pode identificar as inscrições na marca impressa e branco “Limpol” e a expressão “gel” é apresentada em vermelho, destacando a apresentação e consistência de detergente as demais nos rótulos não são claras no vídeo por serem em leras menores.


            O ator Carlos Moreno está vestindo uma camisa preta com traços brancos, representando rabiscos e formas indefinidas, camisas igual a usada no filme da Limpol pelo jornalista Gil Gomes, (pois esta foi sua característica de figurino utilizado ao longo dos anos em que apareceu nas telas dos telejornais na qual sempre teve participações irreverente como repórter policial).
            O microfone que está empunhado à mão direita do ator Carlos Moreno fica durante o filme todo gesticulando a mão esquerda na altura de seu queixo com a palma estendida. Como se demarcasse uma linha imaginária na horizontal, outra característica do jornalista Gil Gomes.

Nível iconográfico
            As imagens que aparecem no filme do Limpol Bombril nos lembram à bancada de um telejornal que anuncia de uma forma que chamamos de tom caricato um novo produto da Bom Bril. O ator mescla as suas próprias características, voz, óculos, e procura sátirizar com as características do jornalista Gil Gomes. Os ícones apresentados na peça dependem de um conhecimento por parte do telespectador do formato dos comerciais da Bom Bril com seu garoto propaganda e das características próprias de Gil Gomes e de como é seu trabalho no momento da produção do comercial, final dos anos 90 quando atuava no SBT no jornal Aqui e Agora, suas matérias vinha carregadas de sensacionalismo e com abordagens diferentes do tradicional.
            O texto do comercial de Gel Gomes traz “os quatro novos elementos que precisam estar na sua cozinha”. Como em toda a interpretação no filme apresenta um processo verbal explícito e marcas fonéticas da fala original do repórter Gil Gomes, que neste caso, teve seu nome adaptado para “Gel Gomes” em referência ao produto anunciado “LIMPOL GEL”.
            O termo “elementos” além de imitar o tom de voz de Gil Gomes ainda faz referencia aos assuntos policiais abordados por ele (em jargão policial o pretenso “criminoso” é sempre mencionado como “elemento” caracterizando recursos intertextuais metafóricos e metonímicos.
Nível Tropológico
            A condição de sátira caricata que o comercial faz ao jornalista e associa-o aos produtos apresentados tem a conotação de que as figuras de Carlos Moreno “garoto propaganda” da Bom Bril aliado ao jornalista policial Gil Gomes atrelam apelo popular, pois o produto é para donas-de-casa e ou trabalhadoras do lar que consomem de forma pressupostas o material para limpar a louça de forma mais eficiente e econômica ao jornalista que na época relatava de forma popular e com estilo próprio as tragédias policiais ocorridas em uma grande capital, São Paulo, maior centro comercial brasileiro. Em forma metonímica, representando algo que soluciona, economiza e é popular
Nível tópico
            O comercial produzido para seguir uma série de peças feitas em um determinado período trouxe a forma de sucesso comprovado do ator garoto-propaganda, evocando para que os consumidores continuem acreditando em produtos de sucesso como o personagem que satiriza o jornalista Gil Gomes. O trocadilho do nome do personagem caricato associado aos produtos “Gel Gomes” chancela o merchandising associando ao popular, o eficiente, o investigativo o humorístico e ao simples.
            A fórmula de um cenário como ícone apenas destacado com a logomarca Bom Bril é o simples do pouco que diz muito, pois a marca foi criada através das esponjas abrasivas de aço Bom Bril, ainda no final de 1940, a sua associação com o consagrado ator que fugiu do estereótipo de padrões de beleza de galãs de cinema teve seu objetivo quando identificou ainda mais a marca ao gosto popular.
            A persuasão fica por conta principalmente da figura de Gil Gomes que também sempre a grande massa popular ou o “povão” assistindo e vibrando com suas matérias na TV, ou seja, os “quatro elementos” deveriam ir à cozinha da brasileira através da soma dos ícones apresentados na peça.

Nível Entimemático
            A telespectadora é persuadida no comercial através de gestos e argumentos do autor como cito: “Rende três vezes mais... Eu disse três vezes mais que os detergentes comuns”. Com estes dizeres ficou evidente a preocupação em mostrar a economia e eficiência do novo Limpol Gel da Bom Bril. Mesmo vindo de uma marca líder no mercado e consagrada pelos consumidores existiu por do anunciante mostrar que o produto é eficaz, econômico e, principalmente incomum e especial, já que o próprio ator foi direto em falar que o detergente da Bom Bril é muito superior aos seus concorrentes.
Interação entre os dois registros
            O comercial do detergente Limpol da Bom Bril, procurar induzir o telespectador a momentos desconstraídos interpretados pelo lado cômico e caricato do ator Carlos Moreno, tendo ele dado vida novamente ao personagem Gil Gomes. O que se percebe que objetivo da Bom bril é impactar de uma forma bem popular o lançamento do novo detergente que chega como gel, diferentemente dos detergentes tradicionais.
            O texto acaba tendo um efeito maior no momento em que a interpretação é bem realizada, tanto nas expresões corporais ou na fala do personagem, ou seja, oral e gestual bem executadas. Desta forma, é evidente que o objetivo foi de fixar o novo produto na mente dos consumidores através de ícones da televisão como Gil Gomes e o já garoto-propaganda da Bom Bril Carlos Moreno.
            Ainda sobre o comercial, o fechamento do VT é marcado pelo aparecimento repentino do jornalista Gil Gomes na qual ele próprio acaba sendo também convencido pelo seu sósia de que realmente o produto é bom, é para levar mesmo. Vejam que a expressão: “Limpol Gel, não esbanja na espoja”, legitima o produto como sendo de alta qualidade, porém ao mesmo tempo o pressuposto é mostrar que ele é muito econômico rendendo mais que seus concorrentes.
            Cabe ressaltar que o ator do comercial, Carlos Moreno, é contratado como garoto-propaganda da Bom Bril desde 1978, elevando a marca a um patamar altíssimo como campeã em vendas da lã de aço, produto esse que foi o percursor para o sucesso da empresa, tendo ela hoje um mix muito grande de produtos. E claro, ganhando o conceito de produto com “1001 UTILIDADES”, slogan esse utilizado até hoje.

Referências
PETERMANN, Juliana. Algumas verificações: Dissertação de Mestrado A PUBLICIDADE DO BOM BRIL: O SEGREDO DO SUCESSO. Santa Maria, RS, 2006.
Filme publicitário Limpol Bombril “Limpol Gel”
Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=naWFvE8fESY . Acesso em 29 de setembro de 2015.
Site da Bom Bril

Disponível em https://www.bombril.com.br . Acesso em 29 de setembro de 2015.