quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O Auto de Inês Pereira e a relação com a contemporaneidade


O Auto de Inês Pereira e a relação com a contemporaneidade

            A verossimilhança que Gil Vicente expõe em sua obra de 1523,  O Auto de Inês Pereira, com os acontecimentos contemporâneos da humanidade, em especial ao gênero feminino são muito evidentes. A pouca valorização da mulher em detrimento ao homem é fato consumado em diversas épocas e, não se difere nos séculos mais recentes, pois as profissionais que exercem as mesmas funções que os homens recebem soldo menor por seu labuto, embora por muitas vezes mais qualificadas e sensíveis às alterações e progressos que as diversas atividades profissionais exigem.
            Se Inês vivia a lavrar e a exercer diversas atividades em sua moradia tendo que encontrar somente uma válvula de escape um casamento arranjado para exercê-lo como forma de fuga da realidade vivida, não diferente é em algumas situações onde as filhas são usadas como serviçais da casa e, para que isto tome um rumo diferente elas são absorvidas pelas mazelas da sociedade, o que lhes causa na maioria das vezes muita dor e sofrimento, pois partem para uma competição com os homens no mercado de trabalho onde ainda são menos valorizadas, principalmente quando se trata de mulheres de baixa renda.
            Os interesses materiais perduram por séculos se sobressaindo num revés da valorização humana e ao próprio cuidado com a vida, tema este discutido muito neste ano, principalmente na igreja brasileira.
            Daí, vem em seguida o desencanto com algo que era um sonho de liberdade, a vida à dois pode não ser melhor do que a outrora vida de solteira, a submissão antes à família, nos casos de hoje cuidando de irmãos menores e tomando conta da casa e, passa a ser uma submissão ao marido ou companheiro que por sua vez impõe tarefas e, mesmo que a mulher busque seus rendimentos além das atividades domésticas  do lar, o peso dobra sobre suas costas, pois o cúmulo de funções dentro e fora de casa as torna mulheres, muitas vezes depressivas e extremamente exaustas, o que as leva a novas desventuras e um abraço envolvente com a desilusão.
            As Inês Pereira deste século ainda perduram, ainda clamam por reconhecimento e ainda buscam os valores que ora perderam, a figura da submissão, da pessoa desencantada com a vida que leva tem gerado, ao longo dos anos contemporâneos, diversos desdobramentos na vida das mulheres das diferentes nacionalidades e classes sociais, tudo isto resulta em casos semelhantes aos que a ficção de Gil Vicente expôs em 1523 , pois as mulheres frustradas e desencantadas acabam por trair seus maridos na busca de algo que as complete e de algo que as equipare do gênero masculino, diante da sociedade.
            As mulheres contemporâneas buscam não somente o companheiro do sexo oposto mas também outras mulheres que supostamente, se enamoram por elas devido à desilusões já sofridas com seus com homens ou que possam trazer consigo o conhecimento de outras desiludidas e já crescerem com esta aversão ao homem, figura que traz consigo a carga histórica de dominador e exterminador de sonhos femininos pois, principalmente com o advento da imprensa livre, as atrocidades contra as mulheres passam da ficção e afloram nas manchetes dos principais meios de comunicação, indo além da clausura de Inês Pereira foi vítima em seu primeiro casamento, chegando até mutilações, como o caso de Maria da Penha, personagem real que inspirou Lei Federal de proteção às mulheres e que leva seu nome.

             Inês Pereira nada mais foi do que uma personagem protagonista de um auto de Gil Vicente, dramaturgo do Humanismo da Literatura Portuguesa, ela foi um marco na literatura relacionando a personagem às moças solteiras da época e, em seguida às senhoras casadas, as Inês Pereira de hoje são muitas e ainda existem, enquanto a busca da plena felicidade feminina persistir haverá a frustração, a desilusão, o desencanto e a perda de valores.


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Idealização da figura feminina na literatura trovadoresca

Idealização da figura feminina na literatura trovadoresca

            A literatura trovadoresca teve em sua essência a exaltação ao ser feminino, evocando a mulher como um ser a ser conquistado e cortejado, contrariando o que ocorrera anteriormente, quando a mulher era considerada ser inferior e deveria ser dominada pelo homem.
            - Essa Idade Média é resolutamente masculina. Pois todos os relatos que chegam até mim e me informam vêm dos homens, convencidos da superioridade do seu sexo (DUBY, 1989, p.10.). -  O aparecimento dessa modalidade literária é explicado por Massaud Moises, em quatro teses: tese arábica,  a tese popular ou folclórica, a tese médio-latinista,  a tese litúrgica, e a poesia trovadoresca.
            No trovadorismo, a mulher passou a ser destaque nas cantigas surgidas em Portugal,  como cantigas de amor, cantigas de amigo, cantigas de escárnio e de maldizer; tendo como ícones  Paio Soares de Taveirós – trovador de origem galega (séc. XII) e D. Dinis – o chamado “Rei-Trovador”.
            A mulher, na segunda parte do século XII era descrita como ser perigoso e sedutor, representante demoníaco, capaz de envolver o homem e levá-lo ao pecado; tese esta difundida pelo cristianismo daquele momento. O  historiador George Duby refere-se a Idade dos Homens este momento em sua bibliografia; a partir disto o poeta trovadoresco dedicara seus versos à mulher amada como forma de lamentos de dor.
            Este verdadeiro culto à mulher amada, expresso na poesia trovadoresca, vinha a reverenciar aquele ser que passava a ser uma espécie de premiação ao poeta trovador, ao contrário das expressões literárias medievais e a própria sociedade que tinha uma visão extremamente machista em relação ao ser feminino.

 A mulher, que até então era subjugada ao homem, passaria a ser parte de versos dos poetas trovadorescos transforma em dama e com encantos dedicados através desta manifestação literária.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Seguindo sonhos, alto e avante!

Seguindo sonhos, alto e avante!         


No início de 1977, para ser mais preciso no terceiro dia daquele ano, nascera um menino fraquinho, doentio e que precisava de cuidados, claro que os cuidados vieram, afinal o que se faz quando uma criança aguardada pelos pais espera e, muitas vezes ganha, o amor e o cuidado é claro, pois bem, com o passar dos anos esta criança melhorou de saúde, começou a interagir com o ambiente em que vivia e, algo poderia chamar a atenção de quem o rodeava, ele era muito tranquilo, aliás quase que tranquilo demais, o cuidado que tinha com seus poucos e simples brinquedinhos era de como alguém que zela por joias raras, pois para ele aqueles objetos eram seus e seriam a sua companhia em seu pequeno mundo, muitas vezes imaginário que se confundia com o real.
         Este menino caro leitor, era eu, sim eu mesmo Gilberto Machado, um garoto que entre seus muitos sonhos e brincadeiras tinha a paixão pelo rádio como uma de suas prioridades. O menino foi crescendo, a ambientação escolar a convivência em pobre bairro da periferia da cidade o moldavam para a vida, o mostravam o quão difícil ela poderia ser e, fácil ela nunca foi assim como não é para os milhares de brasileiros que viveram na pobreza nos anos 80 e 90 do século XX. As oportunidades que surgiram ao menino foram agarradas com unhas e dentes, sua dedicação na escola, sua obediência em tudo o levaram ao alcance do que era até então uma brincadeira quase inatingível ao toque verídico, mas quis o Criador que a oportunidade surgisse e ela foi abraçada de corpo, alma e coração.
         A oportunidade para a realização do sonho surgira, porém o outro sonho, o da formação no Ensino Superior teve de ser adiado, pois naquele momento, em meados dos anos 90 não havia qualquer possibilidade de ser feito curso algum, pois a Universidade mais próxima ficava a quase 100 KM de sua cidade e o transporte consumiria o seu pequeno soldo.
         Com o passar dos anos a experiência na sua profissão e dedicação foram observados por muitos, fora então convidado a assumir, simultaneamente à rádio o trabalho de assessor de imprensa do Município, vindo a exercer a função por 8 anos, lhe forjando ainda mais no campo da comunicação quando passou também a escrever a jornais locais e por vezes suas matérias iam parar na páginas dos grandes jornais da capital do Estado.
         Passado o período de assessoria o seu entorno não parou, pois como o planeta é um globo e circula dia a dia, a sua vida também veio a girar quando foi convidado a assumir a coordenação de uma nova emissora do mesmo grupo de comunicação que já havia dedicado 17 anos de sua vida.
         O trabalho mais uma vez foi árduo tendo de participado de todo o processo de montagem e implantação da nova emissora e também moldando-se ao novo estilo de comunicação ao qual a rede que o novo canal faria parte exigia.
         Mas a influência externa e a ambientação deste mundo que dá tantas voltas e nós não percebemos sequer a flor que desabrocha, o pássaro que canta, a chuva que cai ou o sol que nasce e se põe, então neste constante desenvolvimento planetário a vida ainda não para de girar também, foi aí que a oportunidade da realização do segundo grande sonho daquele tímido menino da periferia viria a realizar-se, pelo menos o seu início, pois surgira o Ensino Superior Federal em sua cidade e em uma área que sempre admirou, a educação, o curso de Letras Português e Espanhol da FURG, a tão conceituada Federal do Rio Grande chegava em sua cidade na modalidade de Ensino a Distância e foi aí que o grande sonho da formação acadêmica começou a ser construído para uma realidade palpável. Também não veio com facilidades, pois o menino havia parado com os estudos há exatos 20 anos, ora pois, mesmo assim passou no concurso vestibular em uma colocação muito boa e vem se dedicando arduamente rumo à sua diplomação e espera dar a sua parcela de contribuição para a educação da cidade que o viu nascer e crescer, espera conciliar e mesclar a sua profissão de comunicador já experiente com a de professor iniciante tendo uma expectativa de ser um bom educador e comunicador, como sempre foi comunicador da paz, do amor, da religiosidade, da alegria, do bem estar da comunidade, junte-se a isso a realização de outro grande sonho da vida ao galgar a formação Superior em um país que precisa muito de pessoas de bem e dedicadas no que fazem sem pensar prioritariamente em seu próprio umbigo, em seus favorecimentos pessoais em detrimento ao bem comum.
         Este sou eu, o menino, o filho desta terra que para ela quer dar tudo de bom que aprendeu na vida quer ensinar com amor, com o coração e quer que cada um que passa por suas aulas leve algo diferente em seu coração, algo que mexa coma sensibilidade de seres tratados como pessoas e não como números de estatísticas para os que gostam de números enfrentarem suas metas com galhardia.
O espaço em que vivi e vivo me oportunizou a momentos de criação de ser algo que eu poderia concretizar se acreditasse naquilo que estava sempre pensando, sempre esperando o melhor mas como compôs Geraldo Vandré, na canção “Pra não dizer que não falei das flores” - “...quem sabe faz a hora, não espera acontecer..”- Então vamos, faça acontecer, supere tudo e todos e dentro dos limites da lei suba ao mais alto ponto da montanha de seus sonhos e busque o que és capaz, porque todo o ser humano vive para encontrar a felicidade, ninguém vive para ser o chão ou o degrau de ninguém, mas sim vive para dar as mãos e subir “alto e avante!”





 Referências:
Imagem disponível em:
https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0CAYQjB1qFQoTCKmTorm84cgCFct9kAodF88Bnw&url=https%3A%2F%2Fdonluidi.wordpress.com%2Ftag%2Fsuperacao%2F&psig=AFQjCNGpdAixAxgYQznJa9uyPw51iWudFQ&ust=1445994702009321 
Acesso em 26/10/2015 às 23h10min.




sábado, 17 de outubro de 2015

O projeto Didático: forma de articulação entre leitura, literatura, produção de texto e análise linguística

O projeto Didático: forma de articulação entre leitura, literatura, produção de texto e análise linguística
A interação entre a linguística, a gramática e o ensino da Literatura no Ensino Médio deve acontecer de forma natural e compartilhada entre professores e alunos. Deve-se trabalhar com o chamado “conjunto da obra” e um belo e justo de aplausos exemplo foi o que fizeram os professores com o estágio com a turma de segundo ano do Colégio de Aplicação da UFPE, quando conseguiram fazer um projeto didático interativo entre os professores e alunos em um sistema de provocação para a ação efetiva de todos, englobando o ensino da Língua Portuguesa e suas nuances de interpretação e produção textual, congregadas com a Literatura Brasileira através da análise e leitura de obras e a formatação de roteiro, coleta de depoimento e realização de entrevista com a participação de todos os alunos na produção de um documentário, oportunizando assim as diferentes formas de avaliação de todos em todas as etapas do projeto.
Este formato apresentado deve ser tomado como grande exemplo, assim como outros criados e executados Brasil afora, com professores que são verdadeiros visionários na questão de unir as disciplinas sem que se possa avaliá-las em separado, porém integradas, pois não há obra literária que não tenha uma construção linguística, gramatical, de sintaxe e semântica; podendo ser perfeitamente analisadas de forma congregada e tornando ambas disciplinas prazerosas e interessantes aos olhos dos alunos que têm um mundo tecnológico  às mãos que deixa tudo mais prático.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015


DIDÁTICA

SUA DEFINIÇÃO E IMPORTÂNCIA PARA O TRABALHO DOCENTE
Didática vem do grego: “ensinar, instituir, fazer aprender”. É o ato de reflexão do processo ensino-aprendizagem que pode ser definida como “reflexão sistemática”, pois é onde há o estudo das teorias de ensino e de aprendizagem, obedecendo um esquema ou forma de organizar as questões, o que facilita na formação do docente e sua futura aplicação da teoria na prática de ensino. Como observação dos diferentes agentes da educação e seu comportamento mediante uma formatação, de esquema de aula ou do docente, fazendo um relacionamento entre os conteúdos a serem apresentados e os alunos que irão recebê-los para seu conhecimento educacional.
A Didática entra também nos processos de formas de avaliação, motivação e capacitação dos personagens do processo educacional, fazendo com que haja as aplicações das teorias através de uma determinada didática que está constantemente colocada à prova das novas realidades do processo.

CONTRIBUIÇÃO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

Por um processo intencional, a Didática busca alcançar seus objetivos com seus participantes, o professor que tem seu auxílio para organizar a aula na formatação didática para que o aluno aprenda bem o que é proposto. Neste processo a dimensão técnica do processo de aprendizagem comporta a definição de objetivos, o que vai ajudar o futuro professor a nortear seu trabalho desde o estágio. Oportunizando um formato pré estabelecido para, dentre outras coisas, organização do processo de avaliação ajuda na escolha de técnicas avaliativas, planejamento de curso e de aulas.

COLABORAÇÃO NOS DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS DA EDUCAÇÃO

A Didática elenca as principais dificuldades e perguntas que o professor se questiona ao deparar-se com uma turma de alunos que o desafiam a cada aula na busca de ampliação do leque de conteúdos, principalmente devido ao avanço tecnológico e o fácil acesso à informação, que muitas vezes atrapalham na formação e a Didática entra neste contexto respondendo a questões mais especuladas  como a busca de uma atividade que torne a aula atrativa e que realmente ensine, também a Didática orienta e auxilia nas questões de indisciplina  e ou desatenção de aluno.
A Didática também tem a tarefa de nos tornar agradável a tarefa de ensinar para que gostemos de dar aula, se tornando algo facilitado e de amplo domínio por parte do professor, pois oferece subsídios e as respostas aos principais questionamentos da educação.

Discussão


Realmente a Didática tem um papel ímpar na formação, no aperfeiçoamento e no formato do ensino-aprendizagem. Colocastes muito bem a questão da inovação, pois como nos contempla o texto proposto, a Didática tem a maioria das respostas aos questionamentos de uma formatação de aula na teoria e prática, porém vai da criatividade do professor em pesquisar algo além para contribuir no seu trabalho com os alunos, sempre sem que haja a fuga do proposto pela Didática e o Plano de Ensino da disciplina, porém deixando que o aluno seja um debatedor deste processo, que ele questione mais para conhecer mais e assim gostar da atividade pois só se gosta daquilo que se conhece e só se interessa em conhecer do que se gosta. Portanto esta é uma tarefa muito importante e que precisa de um professor com perfil inovador e de visão aberta e contemporânea, pois os desafios para as respostas que a Didática responde surgem a cada momento devido principalmente aos novos moldes de sociedade que estamos concebendo neste século XXI.
Referência:
Livro: Didática, A alma como centro. UAB - FURG - Letras - Português/Espanhol

quinta-feira, 1 de outubro de 2015


SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL – MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE
INSTITUTO DE LETRAS E ARTES
CURSO DE LETRAS – UAB -  POLO - SARANDI
DISCIPLINA - LÍNGUA PORTUGUESA V
 PROF.ª DR.ª MARIA CRISTINA FREITAS BRISOLARA





Análise simplificada do texto filmico publicitário do detergente Limpol Bombril através do modelo proposto por Umberto Eco.





Giancarlo Pereira de Barros
Gilberto Machado




Sarandi
2015



Análise simplificada do texto filmico publicitário do detergente Limpol Bombril através do modelo proposto por Umberto Eco.





DADOS TÉCNICOS DO COMERCIAL
- Agência: W Brasil
- Direção: Washington Oliveto
- Ator: Carlos Moreno
- Participação especial de Gil Gomes
- Ano da gravação: 1998
- São Paulo - Brasil
REGISTRO VERBAL
            Logomarca do produto estampada ao fundo bem atrás do ator no comercial = Limpol – Bom Bril.
            Texto em forma de legenda com o nome do personagem representado na peça publicitária: Gel Gomes.
            No comercial, a interpretação é feita pelo ator Carlos moreno, garoto propaganda da Bom Bril.


O texto interpretado no comercial foi disposto desta forma:
“Eu, Gel Gomes estou aqui neste comercial de Limpol para identificar os quatro novos elementos que precisam estar na sua cozinha. Limpol gel rende três vezes mais – eu disse: três vezes mais que os detergentes comuns é só passar um pouquinho na esponja e acabar de uma vez por todas com a sujeira. E aí está...ah! Gil! (entrada em cena do famoso repórter policial  dos anos 90 no Brasil; Gil Gomes: -“ geeel, limpol gel não esbanja na esponja.

Percebe-se que não há trilha sonora no vídeo do comercial do produto limpol, da Bom Bril sendo que a interpretação de Carlos Moreno em forma de imitação de Gil Gomes traz consigo a fala arrastada e enfática nas últimas palavras das frases do texto.
REGISTRO VISUAL
Nível Icônico
            Cenário de bancada, estilo telejornal com a logomarca da empresa que fabrica o detergente líquido Limpol.
            Sobre o cenário da peça publicitária para a televisão ainda temos a presença de um fundo preto e uma pequena bancada na horizontal à frente do ator, na bancada na qual tem sobre ela, quatro embalagens do novo detergente líquido Limpol da  Bom Bril nas cores transparente, verde, laranja e lilás.

            Em seus rótulos o telespectador pode identificar as inscrições na marca impressa e branco “Limpol” e a expressão “gel” é apresentada em vermelho, destacando a apresentação e consistência de detergente as demais nos rótulos não são claras no vídeo por serem em leras menores.


            O ator Carlos Moreno está vestindo uma camisa preta com traços brancos, representando rabiscos e formas indefinidas, camisas igual a usada no filme da Limpol pelo jornalista Gil Gomes, (pois esta foi sua característica de figurino utilizado ao longo dos anos em que apareceu nas telas dos telejornais na qual sempre teve participações irreverente como repórter policial).
            O microfone que está empunhado à mão direita do ator Carlos Moreno fica durante o filme todo gesticulando a mão esquerda na altura de seu queixo com a palma estendida. Como se demarcasse uma linha imaginária na horizontal, outra característica do jornalista Gil Gomes.

Nível iconográfico
            As imagens que aparecem no filme do Limpol Bombril nos lembram à bancada de um telejornal que anuncia de uma forma que chamamos de tom caricato um novo produto da Bom Bril. O ator mescla as suas próprias características, voz, óculos, e procura sátirizar com as características do jornalista Gil Gomes. Os ícones apresentados na peça dependem de um conhecimento por parte do telespectador do formato dos comerciais da Bom Bril com seu garoto propaganda e das características próprias de Gil Gomes e de como é seu trabalho no momento da produção do comercial, final dos anos 90 quando atuava no SBT no jornal Aqui e Agora, suas matérias vinha carregadas de sensacionalismo e com abordagens diferentes do tradicional.
            O texto do comercial de Gel Gomes traz “os quatro novos elementos que precisam estar na sua cozinha”. Como em toda a interpretação no filme apresenta um processo verbal explícito e marcas fonéticas da fala original do repórter Gil Gomes, que neste caso, teve seu nome adaptado para “Gel Gomes” em referência ao produto anunciado “LIMPOL GEL”.
            O termo “elementos” além de imitar o tom de voz de Gil Gomes ainda faz referencia aos assuntos policiais abordados por ele (em jargão policial o pretenso “criminoso” é sempre mencionado como “elemento” caracterizando recursos intertextuais metafóricos e metonímicos.
Nível Tropológico
            A condição de sátira caricata que o comercial faz ao jornalista e associa-o aos produtos apresentados tem a conotação de que as figuras de Carlos Moreno “garoto propaganda” da Bom Bril aliado ao jornalista policial Gil Gomes atrelam apelo popular, pois o produto é para donas-de-casa e ou trabalhadoras do lar que consomem de forma pressupostas o material para limpar a louça de forma mais eficiente e econômica ao jornalista que na época relatava de forma popular e com estilo próprio as tragédias policiais ocorridas em uma grande capital, São Paulo, maior centro comercial brasileiro. Em forma metonímica, representando algo que soluciona, economiza e é popular
Nível tópico
            O comercial produzido para seguir uma série de peças feitas em um determinado período trouxe a forma de sucesso comprovado do ator garoto-propaganda, evocando para que os consumidores continuem acreditando em produtos de sucesso como o personagem que satiriza o jornalista Gil Gomes. O trocadilho do nome do personagem caricato associado aos produtos “Gel Gomes” chancela o merchandising associando ao popular, o eficiente, o investigativo o humorístico e ao simples.
            A fórmula de um cenário como ícone apenas destacado com a logomarca Bom Bril é o simples do pouco que diz muito, pois a marca foi criada através das esponjas abrasivas de aço Bom Bril, ainda no final de 1940, a sua associação com o consagrado ator que fugiu do estereótipo de padrões de beleza de galãs de cinema teve seu objetivo quando identificou ainda mais a marca ao gosto popular.
            A persuasão fica por conta principalmente da figura de Gil Gomes que também sempre a grande massa popular ou o “povão” assistindo e vibrando com suas matérias na TV, ou seja, os “quatro elementos” deveriam ir à cozinha da brasileira através da soma dos ícones apresentados na peça.

Nível Entimemático
            A telespectadora é persuadida no comercial através de gestos e argumentos do autor como cito: “Rende três vezes mais... Eu disse três vezes mais que os detergentes comuns”. Com estes dizeres ficou evidente a preocupação em mostrar a economia e eficiência do novo Limpol Gel da Bom Bril. Mesmo vindo de uma marca líder no mercado e consagrada pelos consumidores existiu por do anunciante mostrar que o produto é eficaz, econômico e, principalmente incomum e especial, já que o próprio ator foi direto em falar que o detergente da Bom Bril é muito superior aos seus concorrentes.
Interação entre os dois registros
            O comercial do detergente Limpol da Bom Bril, procurar induzir o telespectador a momentos desconstraídos interpretados pelo lado cômico e caricato do ator Carlos Moreno, tendo ele dado vida novamente ao personagem Gil Gomes. O que se percebe que objetivo da Bom bril é impactar de uma forma bem popular o lançamento do novo detergente que chega como gel, diferentemente dos detergentes tradicionais.
            O texto acaba tendo um efeito maior no momento em que a interpretação é bem realizada, tanto nas expresões corporais ou na fala do personagem, ou seja, oral e gestual bem executadas. Desta forma, é evidente que o objetivo foi de fixar o novo produto na mente dos consumidores através de ícones da televisão como Gil Gomes e o já garoto-propaganda da Bom Bril Carlos Moreno.
            Ainda sobre o comercial, o fechamento do VT é marcado pelo aparecimento repentino do jornalista Gil Gomes na qual ele próprio acaba sendo também convencido pelo seu sósia de que realmente o produto é bom, é para levar mesmo. Vejam que a expressão: “Limpol Gel, não esbanja na espoja”, legitima o produto como sendo de alta qualidade, porém ao mesmo tempo o pressuposto é mostrar que ele é muito econômico rendendo mais que seus concorrentes.
            Cabe ressaltar que o ator do comercial, Carlos Moreno, é contratado como garoto-propaganda da Bom Bril desde 1978, elevando a marca a um patamar altíssimo como campeã em vendas da lã de aço, produto esse que foi o percursor para o sucesso da empresa, tendo ela hoje um mix muito grande de produtos. E claro, ganhando o conceito de produto com “1001 UTILIDADES”, slogan esse utilizado até hoje.

Referências
PETERMANN, Juliana. Algumas verificações: Dissertação de Mestrado A PUBLICIDADE DO BOM BRIL: O SEGREDO DO SUCESSO. Santa Maria, RS, 2006.
Filme publicitário Limpol Bombril “Limpol Gel”
Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=naWFvE8fESY . Acesso em 29 de setembro de 2015.
Site da Bom Bril

Disponível em https://www.bombril.com.br . Acesso em 29 de setembro de 2015.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

MINHA CONTRIBUIÇÃO NESTE RICO DEBATE SOBRE UM TEMA QUE GOSTO MUITO QUE É A PRODUÇÃO TEXTUAL
1)     Qual é a contribuição do ensino de gramática para desenvolver a compreensão leitora e a produção escrita dos estudantes?
Creio que a contribuição do ensino da gramática  para desenvolver a compreensão leitora e a produção escrita dos estudantes é fundamental, pois um texto bem redigido em minha concepção é um texto com uma boa formatação em nível gramatical, embora seu conteúdo seja o principal atrativo ou fator cativante para o leitor deste texto. Um texto que não possui uma pontuação condizente, que possui problemas de concordância, ou seja a coerência e coesão passam pela semântica, pela sintaxe bem aplicada e, sem dúvida de uma análise linguística mínima por parte dês seu autor.
2)Por que considerar a análise linguística um dos eixos fundamentais (ao lado da leitura e da produção textual) para o ensino de LP?
A significância e os significados, a estrutura global de um texto, uma produção textual coesa e coerente passa por uma análise linguística bem fundamentada, pois todo o produtor textual tem de ter esta noção básica deste elemento que fazer parte da espinha dorsal de uma boa produção. Um texto para ser bem compreendido, com uma estrutura gramatical condizente e uma boa formatação tem sua coroação com ma análise do ponto de vista linguista como cita Franchi(1987) -  o fundamental no estudo da gramática/análise linguística é contemplar a variedade de recursos expressivos postos à disposição do falante/escritor para a construção do sentido. Sendo a gramática o estudo das condições linguísticas da significação.
Portanto, a análise linguística e a gramática devem anda ladeadas para a construção de um bom texto para que este contenha todos os elementos necessários para atrair seu leitor.
Já quanto a atuação do professor neste processo, concordo com Murrie (1994) – é possível tentar formas alternativas de ensinar língua portuguesa/análise linguística e obter ganhos com isso, sendo o maior deles a ampliação da capacidade interativa de nossos aluno se, por extensão, de suas condições de exercícios da cidadania -   e, já havia eu expressado este relato em disciplinas anteriores de nosso curso de Letras, onde o professor deve usar da interatividade com seus alunos para fazê-los bons leitores e produtores de textos e, além disso tomarem o gosto pela atividade por ser atrativa e prazerosa, pois com o conhecimento de mundo e os argumentos adquiridos em suas leituras os melhores ingredientes para um bom texto, aliados à um conhecimento básico de gramática e análise linguística os farão alunos/escritores/leitores para a vida toda.




quarta-feira, 5 de agosto de 2015




Minha experiência como aluno do Ensino Básico e como acho que deveriam ser as aulas na área de Letras

            Minha experiência com a Língua Portuguesa e Literatura no Ensino Básico data de mais de 20 anos, pois foi no período de 1983, na primeira série do Fundamental, até 1993 no terceiro ano do Ensino Médio, todos os anos em escolas públicas municipais e estaduais.
            Houve uma pausa de 20 anos até o meu ingresso no Curso Superior de Letras – Português/Espanhol na UAB – EaD – FURG. Quando estudante do Ensino Básico, as disciplinas estudadas ao longo desta jornada foram sempre muito bem dadas pelos professores, levando em conta que na época não existia a internet e tudo tinha de ser pesquisado em bibliotecas, com muitos dias de pesquisa no turno inverso à aula.
            As metodologias eram do século passado porém, bem eficazes e aplicadas de forma competente pelos professores dentro dos recursos que a eles eram destinados, pois os fatores extra sala de aula que atribulavam sua profissão e a falta de estrutura das escolas, fator que é muito diferente nos dias atuais e que facilita o ensino.
            As aulas na atualidade nas disciplinas de Língua Portuguesa e Literatura devem ter um espaço muito aberto e motivador para a leitura, formar bons leitores para que também sejam bons escritores, que se desenvolvam bem também em outras disciplinas, ou seja, uma forma multidisciplinar de trabalhar com o aluno em todas as etapas do conhecimento, agregando assim a sua preferência por uma área ou outra à leitura e boa redação.
            A criatividade do professor atual é de fundamental importância para que torne sua disciplina atraente ao aluno, pois ele está envolto com as facilidades da tecnologia e esta deve ser usada em prol do ensino, basta ao professor saber a melhor forma, incentivando os alunos a lerem também pelas plataformas existentes nos diferentes canais, - que tal fazer um desafio de escrever poesias ou trechos de contos ou livros em uma página da turma em uma rede social?  - valendo avaliação por parte do professor.
            A interatividade e criatividade devem estar em primeiro lugar no processo de ensino-aprendizagem, o professor deve buscar a melhor forma de cativar seus alunos, de maneiras que eles absorvam os conteúdos propostos, seja da forma didática tradicional, com a busca em livros, ou de uso das formas inteligentes da internet.

            Portanto, o incentivo à leitura, lendo junto com os alunos e não somente os ordenando a ler; a interatividade e criatividade sabendo mesclar o uso da didática tradicional com a informática; além de uma aproximação maior com cada aluno o elogiando muito e provocando a criatividade do aluno para questionar e aprender de forma mais lúdica os ensinamentos, utilizar também diversas formas de memorização da disciplina e internalizarão da mesma por parte dos alunos, assim entendo que deva ser o ensino da Língua Portuguesa  e Literatura na escola atual.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Guimarães Rosa



“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” 
(ROSA, Guimarães. Grande sertão: veredas)




  Guimarães Rosa foi um diplomata brasileiro que viveu em diversas embaixadas começou a publicar suas obras após os seus 37 anos por achar que somente aí seus textos eram “maduros” o suficiente.
  O mineiro apesar de não ser um regionalista e escrever com variações da língua, usando bem a gramática, sintaxe e outras formas, num minucioso trabalho na linguagem, teve em seu maior expoente literário a obra “Grande Sertão: veredas” que conta a história de um homem nativo e que vive de andanças pelo sertão mineiro contando as agruras de seu caminho e as vivências entre o bem e o mal, as brigas de jagunços e, dentre uma narrativa e outra o autor lança sentenças que podem servir até nossos dias como “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” E ainda muitas citações sobre Deus  e o diabo, sempre de forma metafórica e termos de aforismos que servem para qualquer parte do mundo, onde há civilização.
  Um dos ícones de nossa literatura Guimarães Rosa deixou sua marca inclusive em obras que foram traduzidas para vários idiomas, escreveu contos e se preocupou em descrever os problemas do homem.
 
Para contribuir:
Guimarães Rosa é da escola literária do Modernismo. Ele pertence à 3ª fase da prosa modernista, juntamente com Clarice Lispector. Sua obra tem como característica uma linguagem difícil de ser entendida porque transcreve a fala do sertanejo do Brasil Central (Minas Gerais, Goiás). Na sua temática está a luta do homem com sua própria personalidade e com o ambiente, muitas vezes hostil para a sobrevivência e para o alcance do conforto e da felicidade. Em certos obras, como Sagarana e em Grande Sertão: Veredas observa-se até a fábula pela prosopopeia (personificação dos animais como burros, bois,etc.) Sua obra é muito lida e citada pelos escritores de Língua Portuguesa na África (Angola e Moçambique) sendo um deles o já famoso contista e romancista Mia Couto.



imagem: http://www.pontofrio.com.br/livros/LinguisticaOratoria/TeoriaLiteraria/Cadernos-de-Literatura-Brasileira-Joao-Guimaraes-Rosa-Volume-20-221340.html    

Mediador, o propulsor do conhecimento


   Por que o propulsor do conhecimento? Porque o professor tem um papel extremamente importante nesta tese defendida por Vygostsky no papel de mediador, de ser a figura não só transportadora ou expositora do conhecimento mas aquela que provoca o aluno para o desejo de absorver este conhecimento.
  O conhecimento de mundo do aluno e seu potencial cognitivo devem ser reconhecidos pelo professor neste processo de aprendizagem, o professor deve acima de tudo ser possuidor de conhecimentos da psicologia para saber observar e captar este conhecimento prévio do aluno, para então, ser este mediador do processo educativo e obter maior sucesso na relação professor/aluno/professor.
  O professor é o sujeito humano mais experiente e desenvolvido que irá transmitir seus conhecimentos outrora também adquiridos no mesmo processo, pois sempre há a questão da hereditariedade social, alguém mais experiente e conhecedor da teoria a transmitiu, foi o mediador, o provocador para que o processo educativo perdurasse e chegasse até nossos dias.
  O papel do professor como mediador dá os suportes necessários aos processos mentais, com interação e provocação através de atividades lúdicas ele promove a criança para uma prática mais eficaz. A socialização da criança no processo educativo tem passagem de forma vital pelo processo da linguagem, ela quem será o signo principal desta interação social do processo educativo, sempre mediado pelo professor, veja bem que sempre o mediador, o provocador, o propulso de todo este esquema é o professor.
  O outro social, apresentado pelo professor ao aluno dependerá sempre do diálogo, do questionamento, o professor tem de estar ciente que está diante de verdadeiras “esponjas” que estão dispostas a aprender, desde que sejam estimuladas a isto e o ambiente social para trazer este enfoque é muito importante, o papel do mediador para que isto ocorra deve preceder de um excelente preparo, de uma vivência de mundo social bem balizados em conceitos pedagógicos que insiram a melhor forma de ser este mediador, a ponte do desconhecido e do conhecimento.


REFERÊNCIA:
http://www.abrapso.org.br/siteprincipal/images/Anais_XVENABRAPSO/487.%20as%20contribui%C7%D5es%20da%20teoria%20psicol%D3gica.pdf 
DISPONIBILIZADO NO CURSO DE LETRAS PORTUGUÊS ESPANHOL FURG - EAD - pelo Prof. Dr. Paulo Gomes 

Imagem: 
http://etmevoila.blogspot.com.br/2013/11/dez-principios-para-um-bom-professor.html