segunda-feira, 30 de março de 2015

Policarpo Quaresma, um nacionalista

Policarpo Quaresma, um nacionalista


Em Triste Fim de Policarpo Quaresma, o autor Lima Barreto ao longo da história exalta a paixão do protagonista da obra para com a Pátria Brasileira. Um nacionalista nato, uma pessoa que buscava de todas as formas defender seu país e, incondicionalmente defendia suas riquezas e a bonança de suas terras. Na concepção do Major Quaresma, como era conhecido Policarpo, a cultura brasileira através das modinhas, as suas terras fecundas, onde de acordo com ele em outras palavras afirmava que aqui se plantando tudo dá, a credibilidade com que tratava o comandante do país através de seu presidente Floriano Peixoto, ao qual ofereceu seus serviços em prol da Pátria frente as ameaças revolucionárias dos marinheiros, realmente um nacionalista patriota.
O livro de Lima Barreto é tomado de verossimilhança dotado de detalhes que o tornam verdadeiro para o leitor, o bairro onde Policarpo morava, dando a feição de local cercado de militares ou pessoas envolvidas com as forças armadas, a sua nova morada em vila do Sossego, onde a sua gana por ver o fruto brotar da terra brasileira que tanto ama e é um grande propagador de suas riquezas, Policarpo envolve o leitor com seu nacionalismo quase cego e que aos poucos vai o elucidando com as desilusões adquiridas através do preconceito em se tornar amigo de Ricardo Coração dos Outros e buscar o aprendizado de modinhas ao violão, fato que é criticado em sua própria casa pela irmã Adelaide, com quem morava, pois ambos eram solteirões – “- Mas você está muito enganada, mana. É preconceito supor-se que todo o homem que toca violão é um desclassificado. A modinha é a mais genuína expressão da poesia nacional e o violão é o instrumento que ela pede”(p. 2).
 Todas as ações de Policarpo Quaresma tem uma causa, o seu amor à pátria e, desencadeiam em conseqüências, como ser ridicularizado ao enviar carta ao congresso solicitando a implantação do Tupy Guarany  como a língua oficial brasileira, fato que lhe resultou em uma internação no hospício, o preconceito aos seu requerimento e às modinhas são percebidos em diálogo entre os oficiais  e vizinhos Genelício e Albernaz: –“ Mas você está muito enganada, mana. É preconceito supor-se que todo o homem que toca violão é um desclassificado. A modinha é a mais genuína expressão da poesia nacional e o violão é o instrumento que ela pede”(p. 21).
 Partindo ao interior do Brasil ele percebe o descaso para com o agricultor do local, o desleixo dos administradores da pequena cidade e do próprio Governo Federal para com a agricultura. Quaresma, já percebendo os erros da política nacional que obstruem o progresso do país, ao se apresentar ao presidente Floriano o entrega um documento e o explana com muita esperança de que o mandatário irá fazer acontecer suas reivindicações em prol da agricultura – “- Vê Vossa Excelência como é fácil erguer este país. Desde que se cortem todos aqueles empecilhos que eu apontei, no memorial que Vossa Excelência teve a bondade de ler; desde que se corrijam os erros de uma legislação defeituosa e inadaptável às condições do país, Vossa Excelência verá que tudo isto muda, que, em vez de tributários, ficaremos com a nossa independência feita...”(p. 83).
O nacionalismo de Policarpo o vincula ao território brasileiro de diversas formas, ele possui uma biblioteca em casa somente com obras nacionais; busca o aprendizado e o conhecimento das modinhas da época; aprende o Tupy Guarani e o pleiteia como língua oficial; parte para o interior, acreditando piamente em sua fecundidade espontânea, adquirindo um sítio abandonado em Curuzu; ao saber da possibilidade da guerra e de que o exército precisaria angariar soldados ele se apresenta para servir a sua nação, inclusive pagando para ser o então Major, título do qual carregava como pseudônimo; amou tanto a sua terra até os últimos dias de sua vida, embora tenha sido declarado traidor ao final da revolução, sendo enviado à prisão na ilha para o seu “Triste Fim”.


Fonte imagem: www.umapergunta.com  

Novo Site Rede Sul


Parabéns Rede Sul pelo belo e amplo site.
Merece ser visitado.
http://www.redesul.am.br/noticias/especiais/30-03-2015/redesul-de-radio-lanca-novo-portal-de-noticias


domingo, 29 de março de 2015


LOBATO, Monteiro. Nos domínios da sintaxe. Emília no País da gramática, Cap. XIX. Círculo do Livro S.A: São Paulo, Brasil. 94 p.
Resenhado por Gilberto Machado

Monteiro Lobato em “Emília no País da Gramática” nos mostra uma forma engraçada e lúdica de ensinar, através de uma estória com seus personagens do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, seu clássico literário que acabou nas telas da televisão.Os personagens Pedrinho, Narizinho, Emília e o Visconde de Sabugosa, viveram uma aventura com o rinoceronte “Quindim”, que recebera este pseudônimo de Emília. O quadrúpede levou-os ao País da Gramática, onde exploraram a cidade de Portugália, onde estavam as palavras da Língua Portuguesa.
No capítulo XIX - “Nos domínios da Sintaxe”, eles encontram o bairro da Sintaxe, dividido em duas zonas, a da Lexiologia, onde as palavras viviam soltas e a da Sintaxe, onde as palavras andavam em família, ou seja, uma oração. Em uma das primeiras lições que tomaram, foi a de que a oração leva na frente da família o sujeito e depois o predicado. E o predicado é o que se diz do sujeito e a importância do sujeito é bem destacada, eles, são os termos essenciais da oração. Destaca também os termos integrantes da oração, para que haja a concordância na construção da frase. Assim explica-se o uso do complemento verbal, do objeto direto e do objeto indireto, dos termos acessórios; o adjunto adnominal completando qualificando e determinando o substantivo e o adjunto adverbial,complementando e qualificando o verbo.
Às voltas com as palavras e classes gramaticais, os personagens se deparam com a própria Senhora Sintaxe, a qual lhes fala de sua importância na cidade de Portugália, no País da Gramática, de seu ofício de passar a vida fiscalizando a concordância das orações, ajustando as palavras – “Minha vida aqui é o que se vê. Tenho de estar fiscalizando todas estas senhoritas para que a cidade não vire salada de batatas. As frases que andam com a concordância na regra tornam-se claras como água da fonte -  e a clareza é a maior qualidade que existe. Tenho também de cuidar da colocação ou da ordem das palavras na frase” – disse a senhora Sintaxe.
Ao fazer o uso destas comparações entre as palavras e orações serem a população de um país, o autor prepara não somente o estudante da gramática, mas também o professor para esta forma de interagir com seu aluno, através de uma estória fictícia que trata da lição ao estudante, tornando o ensino menos monótono para ambos.
Em suma, Lobato nos apresenta nesta obra um envolvimento não somente dos personagens, bem como do leitor, que ao viajar por este país imaginário, suas cidades e bairros, acaba por absorver o tema proposto. Neste capítulo, todas as nuances da sintaxe são expostas ao leitor; como a aplicação de sujeito e predicado, a colocação correta dos verbos, a qualificação das frases,  a nominação das regras de ordem direta(sujeito antes do verbo) e inversa(verbo antes do sujeito nas frases optativas e imperativas) nas orações,  colocação dos pronomes para uma formação mais adequada da oração diante deles, o sujeito e o verbo, denominando suas nomenclaturas perante a gramática normativa; pronome Proclítico, Enclítico e Mesoclítico.
A arte de Lobato é um misto de recreação, interação, até a absorção do conteúdo da gramática, uma forma de aperfeiçoamento de nossa comunicação com a função sintática correta  no uso da língua materna. O seu objetivo fica bem claro em Emília no País da Gramática, através de sua obra, utilizando de seus mais conhecidos personagens ele envolve o leitor em um aprendizado leve e tomado pela magia da literatura infanto-juvenil, com sua ficção que motiva o imaginário de seus leitores.
A obra é direcionada a estudantes, professores e público em geral, recomendo pela forma lúdica que passa o conteúdo tanto para acadêmicos quanto para estudantes de níveis inicias.


Imagem: www.elo7.com.br acessada em 29.03.2015 às 22h26min.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Em “Educação no Brasil, Concepções e Desafios para o Século XXI” – Demerval Saviani inicialmente faz um relato histórico e evolutivo dos programas nacionais para a educação no Brasil.
O relato nos faz pensar e refletir nos avanços que tivemos com o passar dos anos e com tudo o que deve ser aprimorado de acordo com Saviani. O autor identificou as tendências que se manifestaram ao longo da história e também levou em conta o aspecto propriamente pedagógico, identificando as principais correntes pedagógicas e ainda considerando a função social desempenhada ao longo do tempo na área.
Fica comprovado, através de relatos do autor, da necessidade da alteração na legislação brasileira no que tange ao montante de recursos a serem investidos na educação, como sendo o principal passo para enfrentarmos os desafios da educação no século XXI. Pois, de acordo com Saviani, a duplicação dos investimentos seria a grande saída para a busca de uma educação ao estilo dos modelos Europeu e Americano.
Na concepção de educação destaca-se que o sistema veio a colocar a educação escolar como a forma principal e dominante da educação, por isso devem ser ampliados os recursos para a educação em todos os níveis para e buscar a excelência em todos os níveis, das creches às universidades, aos moldes do que já ocorre em algumas instituições de Ensino Superior Federal.
Voltando ao relato histórico e evolutivo da educação no país, têm-se a plena ideia do que era a tese de educação do período ditatorial brasileiro, onde o lema era “ensino secundário para nossos filhos e ensino profissional para os filhos dos outros”, uma forma totalmente discriminatória das classes que recebiam a educação no início dos anos 70, com a Lei 5692. Em texto da mesma lei também era introduzida a orientação profissional para todas as classes, para em lugares com muita evasão, os mínimos conhecimentos profissionais para o mercado de trabalho poderiam já ser úteis, ao invés de incentivar uma permanecia nos bancos escolares, mantendo a desigualdade e a conversão do slogan para “terminalidade legal para os nossos filhos e terminalidade real para os filhos dos outros”.
Devemos nos atentar que o texto de Demerval Saviani data de novembro de 2000, omitindo portanto as possíveis alterações até os dias atuais, porém as dificuldades não tiveram grande alteração e a política de aumento de investimentos do PIB de 4% (na data do texto) para 8% seria um grande passo para a nossa educação enfrentar os desafios deste século.

Fundamentos da Educação II
Debate:
As concepções pedagógicas na história da educação brasileira
Demerval Saviani
O texto de Demerval Saviani muito rico no que tange a explicitar as diferentes concepções de pedagogia adotadas ao longo da história de nossa educação.
Se tomarmos por base as duas grande concepções: Tradicional e Progressista, poderemos notar ao longo do texto do autor de que ambas são e foram extremamente necessárias ao desenvolvimento do ensino em nossos país. A pedagogia Tradicional, iniciada com a colonização portuguesa que introduziu os Jesuítas para catequizar os índios brasileiros tem reflexos até nossos dias nos bancos escolares brasileiros. A pedagogia Tradicional  Religiosa tão bem difundida e estabelecida como um padrão por longos anos no Brasil, teve seus dois grandes nomes,  que foram José de Anchieta e Nóbrega, com forte idéia pedagógica do primeiro e de logística das escolas no segundo.
Em seguida com o Ratio Studiorum as idéias pedagógicas foram conhecidas na modernidade como Pedagogia Tradicional, estabelecendo suas regras para todos os níveis de ensino.
Com as reformas pombalinas da instrução a expulsão dos jesuítas cria-se outro marco na educação instituindo um privilégio do Estado em gerir a educação de forma laica influenciada pelo iluminismo.
A evolução da pedagogia  ao longo dos anos seguindo-se o surgimento da concepção pedagógica renovadora, com a fundação da ABE, Associação Brasileira de Educação, as conferencias nacionais de educação, o Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, com a concepção de Anísio Teixeira de “a escola é o retrato da sociedade a que serve”(TEIXEIRA, 1968, p.37).
Ao longo dos tempos, a forma evolutiva com que Saviani relata em seu texto resume-se a explanação das diferentes correntes pedagógicas e concepções a que elas levaram as instituições e governos a executar seus planos pedagógicos, dos Jesuítas ao século XXI; a própria pedagogia jesuítica, pombalina, lancasteriana, do ensino intuitivo, libertária e libertadora. O próprio Saviani afirma na conclusão (p. 26) é de que são poucos os trabalhos levados a efeito no âmbito do HISTERDBR sobre concepções pedagógicas concentrando-se em um relato histórico.
Em suma, após a saída dos Jesuítas do cenário educacional brasileiro criou-se uma lacuna a ser preenchida somente após a criação da 1ª LDB, Lei de Diretrizes e Bases em 1961, sendo introduzidas aos poucos no Brasil a Escola Nova e embriões da  Pedagogia Progressista.


Foto: - Turma de concluentes do Ensino Fundamental EMFA Sarandi




sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Machado de Assis, o maior do Brasil

Machado de Assis, 
Através do documentário: https://www.youtube.com/watch?v=nUPumNK8Aig assistido por mim, destaco que Machado de Assis, embora tenha demorado a ser reconhecido um escritor realmente brasileiro, que não apresentava a realidade brasileira, como citado ao final do documentário, foi com certeza um marco de nossa literatura tendo tido dois momentos, duas fases em suas obras, uma de quando iniciou a escrita na tipografia de uma gráfica até a sua atividade árdua porém mais rentável junto ao Ministério da Agricultura onde escrevera sobre coisas mais elegantes e depois em uma segunda fase onde ele realmente escreve suas maiores obras declarando a fase mais real do Brasil deixando claras as manifestações em primeira pessoa, "dando a caneta" aos senhores, aos burgueses de onde começam a sair obras como Memórias Póstuma de Brás Cubas sendo uma dissertação em primeira pessoa de um defunto contando sua vida, depois veio Dom Casmurro, onde um senhor viúvo, idoso e solitário conta a própria história baseada no amor de infância ao qual ele levanta sérias acusações de traição da amada Capitu com o melhor amigo Escobar. Ele se vale de argumentos para as suas obras preocupando-se em mostrar a situação atual brasileira do século XIX, a crise, a escravidão que estava chegando ao seu final, mas que Machado de Assis alertava que os problemas não se resolveriam, ele era comprometido em entender o presente daquela sociedade, Machado foi muito pobre e teve um crescimento, chegando a tipografia, revisão de gráfica, jornalista, trabalhou no ministério da agricultura e chegou a presidir a Academia Brasileira de Letras. De acordo com os críticos que depõe no documentário do youtube apresentado, Machado escreveu mais de 200 contos além de romances e, sempre ouve uma correlação subliminar de seus contos com os romances.
Enfim, Machado de Assis foi o maior escritor da Literatura Brasileira.
foto: www.google.com.br/search?hl=pt-BR&site=imghp&tbm=isch&source=hp&biw=1137&bih=714&q=machado+de+assis+dom+casmurro&oq=machado+de+assis&gs_l=img.1.4.0i19l6.2453.4659.0.10740.16.9.0.0.0.0.587.587.5-1.1.0.msedr...0...1ac.1.60.img..15.1.587.rQVTOV9LWY0

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Sociologia, é preciso conhecer para entender


Com este título:
Sociologia, é preciso conhecer para entender. Faço um resumo do que li até agora, capítulos I e II do livro O que é Sociologia?,  de Carlos Benedito Martins, uma ciência, vamos chamá-la assim, que envolve todas as facetas do desenvolvimento da humanidade moderna, digo moderna pois pelo que sabemos o planeta tem milhões de anos. As civilizações evoluíram gradativamente conforme os seres humanos dera espaço à criatividade, esta criatividade transformou a produção primária em industrial, vindo assim os movimentos que transformaram as relações humanas em prol do desenvolvimento e do progresso. Tudo isto veio a influenciar diretamente na sociedade que temos hoje, pois a humanidade passou por inúmeros processos de evolução até chegarmos aos dias atuais e, a coisa não para por aí não, a automação em diversos setores está tomando conta, os seres humanos têm que se reinventar diariamente para manterem-se na atividade plena, caso contrário estão fadados à uma estagnação e atraso que será fatal ao seu desenvolvimento social e econômico. A engrenagem do planeta gira inconstantemente à velocidade que pode não ser possível de alcançá-la senão estivermos bem alicerçados e entender os processos que ocorreram com a humanidade como nos relata o  livro "O que é sociologia" de Carlos Benedito Martins é um processo cabal, precisamos entender o que os autores escreveram sobre os processos passados par assimilar em um processo contemporâneo a sociologia e a sua forma mais prática, sem paixões ou cegueiras.

Gilberto Machado

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Impressões sobre a função social da escola

Uma escola tem sua função social a partir do momento que insere as pessoas em seu meio, ultrapassando os limites do ensino somente em suas salas de aula e agregando a si novas tarefas que conjuguem a participação de toda a família, de seus docentes e discentes.
Existem várias formas de destacar e expandir as funções sociais da escola, como quando os alunos realizam um passeio nas proximidades da escola para observar onde e como pode ser melhorada a participação dos alunos no embelezamento o ambiente que circunda a escola, tornando-os cidadãos conscientes de que se deve colaborar com a limpeza, com a arborização, com o trânsito e, principalmente, com a educação para com os demais.
Além disso, pelo fato de alfabetizar e tornar cultas as pessoas, já é uma grande função social, pois estes cidadãos poderão ser reconhecidos como alfabetizados, como conhecedores da língua culta, das operações matemáticas, dos primeiros conhecimentos científicos, tornando-os cidadãos capazes de tornar uma sociedade melhor e mais desenvolvida no âmbito cultural e intelecto, com maiores possibilidades de crescimento individual e coletivo, sendo esta a principal função social da escola.
Relacionando esta explanação inicial com o documentário “O menino da internet - A história de Aaron Swartz”, ( https://www.youtube.com/watch?v=2uj1EeiuK5U ) percebe-se que a escola não é preparada para pessoas com alto grau de inteligência, como ocorreu com o menino, pois ele mencionou no documentário que estava decepcionado com a escola, ele não gostava os professores, achava ele dominadores e controladores, a iaô de casa era uma espécie de farsa, eles forçavam a fazer muito trabalho, sendo que Aaron mesmo começou a ler história da educação e como o sistema educacional foi desenvolvido, sabendo assim formas alternativas onde as pessoas pudessem realmente aprender as coisas ao invés de ficarem regurgitando fatos que os professores lhes diziam e este tipo de caminho o levou a questionar as coisas.
Aaron questionou a escola em que estava, questionou a sociedade que construiu a escola, questionou as empresas para quais as escolas estavam trei
nando as pessoas e questionou o governo, que configurou toda esta estrutura.
O que deve ser função social da escola pode ser equivalente ao que foi o legado de Aaron Swartz na tentativa de democratizar o acesso à informação, algo que realizou em sua função de hacker, porém por tentar abrir informações preciosas ao coletivo e bloqueadas no sistema de uma empresa, ele foi penalizado. A função social da escola é abrir os conhecimentos ao coletivo, interagir com os alunos e a comunidade, fazendo com que os conhecimentos não fiquem apenas nas bibliotecas e nos bancos das salas de aula, que estejam disponíveis a todos a qualquer momento.
Bertold Brecht, em seu poema “A Indiferença”, retrata o que pode ser relacionado com a função social do individuo perante os outros, pois esta indiferença de quem não se importa com ninguém acaba com ninguém se importando com este alguém, se o conhecimento é recluso ao nosso interior e não compartilhado para o bem dos demais, estes não terão o conhecimento necessário para te ajudar em atos futuros, ou seja, como escreveu Cora Coralina – “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. A função social de compartilhar seus conhecimentos é determinante para que você também adquira com esta vivência maior experiência cultural transformando isto em um intercâmbio de informações. “A Indiferença” escrita por Bertold Brecht retrata a pessoa ou instituição que não realiza nenhum tipo de comunhão de saber, não socializa e não compartilha compaixão e a recíproca fatalmente é a mesma, pois não há com quem contar em seu momento de aprisionamento. Não deixemos que a indiferença tome conta de nossos corações, compartilhemos toda e qualquer informação, mantenhamos o espírito semelhante ao de Aaron Swartz auxiliando a escola neste papel de cumprir sua função social.
Em nossas cidades próximas à Sarandi, e aqui mesmo, temos um exemplo prático desta função social quando o Programa União Faz a Vida é posto em prática, impulsionados pela cooperativa de crédito Sicredi as comunidades escolares realizam várias atividades de cooperação na educação elevando a níveis práticos as ações desempenhadas em seminários e trabalhos de interação entre as entidades educacionais e seus alunos e professores. Trabalhos que fazem com que os alunos sintam-se inseridos no bairro e na cidade, levar pais, conhecidos e familiares para dar seus depoimentos valorizando as pessoas da comunidade levando-as para um diálogo com os alunos.[1]



[1]  Disponível em : http://www.auniaofazavida.com.br/projetos_vejaosprojetos/?start=40 acesso em 29.10.14 às 21h26min.
SARANDI - RS

Bom dia, os trigais estão sendo colhidos, a soja e as demais culturas de verão estão sendo plantadas, ou já foram. Este é o ciclo que acompanhamos bem de perto aqui em uma cidade do interior que deve grande parte de seu desenvolvimento ao campo, da mesma forma ao soar das sirenes das fábricas percebe-se o caminho da industrialização mantendo e crescendo seu desenvolvimento, a população aumenta, os carros aumentam nas ruas, Sarandi é um ponto de referência na região da Produção, muitos a procuram em busca do pão de cada dia e, felizmente, o encontram. Como dizia J.B. Scalabrini - "A Pátria é a terra que lhe dá o Pão". E Sarandi é esta Pátria para muitos. Bom dia, boa quarta-feira, bom trabalho, bons estudos, seja feliz!
Paz e Bem!

sábado, 11 de outubro de 2014

O ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA A FALANTES NATIVOS
Conclusões da disciplina de Introdução aos Estudos Linguísticos

1-      Possenti, à página 18, apresenta duas teses que abordam o ensino, ou não, de uma variedade linguística padrão pela escola, relacione-as, considerando que a escola tem como função ‘fazer do aluno um poliglota na própria língua’.

- O papel da escola é ensinar uma língua padrão, ou criar condições para que ela seja aprendida. Na tese de natureza político-cultural a língua padrão é dialeto de grupos sociais mais favorecidos. Tornar seu uso em grupos sociais menos favorecidos como se fosse o único dialeto válido, seria uma violência cultural.

2-      De acordo com o texto, explique o que é considerado como ‘português padrão’.

- O português padrão seria o domínio da gramática normativa na produção textual, do ponto de vista da escola seria a aquisição de determinado domínio da escrita e da leitura.

3-      O que é sugerido, pelo autor, como atividade para que os alunos venham a conseguir ler e escrever adequadamente?

- O autor propõe a realização de coisas óbvias, segundo ele, escrever e ler constantemente, inclusive nas próprias aulas de português. Possenti defende que ler e escrever são atitudes essenciais no ensino da língua e devem ser exercidas na sala de aula.


4-      Para Possenti, por que motivo a escola fracassa, em relação ao ensino de leitura e escrita em sala de aula?

- O fracasso da escola, de acordo com Possenti, pode ser de ordem metodológica (pedagógica) ou decorrentes de valores sociais complexos.

5-      Na página 22, o autor apresenta um processo gramatical produtivo. Comente o exemplo dado e qual a importância de Possenti chamá-lo desta forma.

- O exemplo do autor refere-se à expressão ‘imexível’ feita pelo ex-ministro Magri, que usou de uma palavra que não está no dicionário, porém ‘imexível’ deriva de mexer, como intocável deriva de tocar, ou seja, ele seguiu as regras, pois usou uma derivação de um radical ou núcleo existente na gramática. A nossa desconfiança sobre uma palavra existir ou não no dicionário ou gramática denota de nosso conhecimento das regras gramaticais e se há a possibilidade de criar novos termos, elas nos dão uma visão problemática do que seja realmente uma língua.

6-      Qual o argumento do texto para afirmar que ‘não há línguas fáceis ou difíceis’?

- Hoje, sabemos que todas as línguas são estruturas de igual complexidade, isto é, não há línguas simples e línguas complexas, o que há são línguas diferentes. ‘Nenhuma tem um mínimo de regras substancialmente diversas de outras’. ‘Não há dialetos mais simples do que outros’ - POSSENTI, Sírio. 2006


7-      As páginas 31 e 32, o autor afirma que A escola recebe alunos que já falam’, por que, então, ensinamos Língua Portuguesa para quem é falante nativo de Língua Portuguesa?
- Porque a função da escola é ensinar o padrão, em especial o escrito, pois o grande problema dos alunos está no domínio do texto não do da gramática. O que a escola ensina aos nativos, é a modalidade escrita desta língua, mas não propriamente a língua.

8-      Explique a afirmativa do autor de que ‘Falamos mais corretamente do que pensamos’, a página 41.

- Temos o costume de taxar as formas de falar que não sejam do português culto como sendo uma forma ‘errada’ de falar, porém não se trata de forma ‘errada’ mas sim, de dialetos diferentes e, assim, ‘falamos mais corretamente do que pensamos’, pois há erros que chocam e há erros que não chocam mais, então, damos conta de que aqueles que erram não erram tudo.

9-      Na página 49, Possenti afirma que Ler e escrever são trabalhos essenciais no processo de aprendizagem. Mas, não são exercícios. Explique como devemos compreender as noções de ‘trabalho’ e de ‘exercício’, neste caso, e como elas se contrapõem.
- Ler e escrever são trabalhos essenciais na escola, pois se deve tomar como exemplo quem escreve por ofício, como escritores e jornalistas, pois eles leem e releem mostram a colegas e chefes e, somente em seguida é que finalizam sua escrita. Algo assim está sendo feito em nossa disciplina de Introdução aos Estudos Linguísticos, na qual lemos, relemos, enviamos aos tutores, estes nos fazem apontamentos e, somente depois é que finalizamos nossa escrita.

10-  Qual a diferença entre ‘ensinar língua’ e ‘ensinar gramática’?
- ‘o que já é sabido, não precisa ser ensinado’(p. 50) – Afirma Sírio Possenti, ou seja, para falantes nativos do português não há a necessidade de ensinar coisas muito básicas, pois elas já vêm no léxico do aluno pela convivência desde o nascimento. Ensinar desde a nomenclatura dos objetos do cotidiano é ensinar língua a estrangeiros, ensinar a gramática e a boa construção de textos são práticas de ensino a nativos da língua.

11-  De acordo com o texto da página 73 à página 95, relacione e explique as noções de ‘regras’ e de ‘erro’.

- Regra é obrigação, algo que se obedece, regras expressam na gramática normativa uma expressão do certo e errado e os falantes que as transgridam são considerados ignorantes e não dignos de passar de ano na escola. Na gramática normativa, os erros são os fatos que divergem da variante padrão, sendo os vícios de linguagem e vulgarismos.




12    -De acordo com todas as questões consideradas até este ponto, posicione-se em relação a:
o    Por que ensinamos língua materna na escola?
o    Qual o melhor caminho para o ensino de língua materna na escola?

A língua materna é ensinada na escola para que os alunos tenham o conhecimento e domínio do português padrão, proporcionando ao aluno o grande domínio da escrita e da leitura. A função da escola é o de ensinar este padrão, em especial o escrito, pois o grande problema dos alunos está no domínio do texto e não da gramática, segundo Possenti.
A escola, assim, ensina a modalidade escrita da língua, pois de acordo com o autor, ‘o que já é sabido não precisa ser ensinado’ (p. 50). Aprendendo as regras da gramática normativa e das demais na escola, o falante da língua materna que estuda o português, saberá como escrever na norma culta da língua, da forma entendida como correta melhorando também a sua fala, sendo correto não forçar a mudança de dialeto ao aluno, porém quando da escrita, sempre prevalecerá a forma culta da língua.
Partindo do pressuposto citado por Possenti, o qual ‘o que já é sabido não precisa ser ensinado’, ou seja, para falantes de português ao ensinar em sala de aula a forma culta de sua língua, não é necessário voltar ao básico, pois já há um léxico mental adquirido em família e na escola e comunidade com os passar dos anos.
A melhor forma de ensinar a língua materna na escola, de acordo com Possenti, é por intermédio da leitura e da escrita, tomados como trabalho em sala de aula tomando, por exemplo, que faz da escrita e leitura um ofício de trabalho como os escritores e jornalistas, pois eles leem, releem, pesquisam, trocam informações com colegas e chefes e, somente depois escrevem em definitivo. Este exemplo citado por Possenti é muito bem executado pela disciplina de Linguística da UAB – FURG, pois os alunos leem, pesquisam, escrevem são submetidos a avaliação dos tutores que lhes reencaminham para que façam os trabalhos finais da disciplina somando os apontamentos dos tutores, sendo esta uma excelente forma de estudos.
Concluindo, no que se trata de ensinar a língua materna aos falantes, parte-se do pressuposto de Possenti de ‘quem diz e entende frases, faz isto porque tem um domínio da estrutura da língua’(p. 31), e ler e escrever são atributos essenciais no ensino da língua e devem ser praticados na sala de aula, deve ser ensinado o que o aluno não conhece da língua, para que o estudo seja mais proveitoso e avançado.



Foto: EMEFMFA - Sarandi

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Folleto turístico sobre Sarandi (Español)


Folleto turístico sobre la ciudad en  la que vives y en que naciste Español


Sarandí, fue creado en 27(veintisiete) de junio de 1939(mil novecientos treinta y nueve), tiene muchos atractivos para los turistas la visitar, es una ciudad industrializada, pero que no dejó de producir en el campo también. Vamos hablar de sólo 7 en esta demostración.

1.  El Monumento Farroupilha: Inaugurado en 20 de septiembre de 1985(mil novecientos ochenta y cinco). El Monumento Farroupilha, está en el centro de la Plaza Farroupilha con medidas de 7 metros de altura y pesa 3.500 kg, todo ello producido en hierro.
El monumento fue diseñado y desarrollado por los sarandienses Ale Zanonatto, Juliano Dalla Corte , Luis Antonio Rosin y Vanderlei Cenci .
2. Escalera de la Iglesia de Sarandí: con un total de 82m ². La autoría del dibujo, que representa a la saga de la colonización, es del artista Ale Zanonatto, El trabajo fue diseñado y implementado en agosto de 1998(mil novecientos noventa y ocho).
3. La pared del Cementerio del Sarandí: Pintado en año 2002(dos mil dos), la pared del Cementerio del Sarandí ganó "ventanas" con dibujos de la zona colonizada por los europeos. Echo por Ale Zanonatto, artista sarandiense, este trabajo muestra la armonía entre el hombre y la tierra.
4. El pórtico: En la entrada del la ciudad, que es una mano abierta como se fuera la mano del Dios, simboliza el pueblo sarandiense con su solidaridad y equipo a la mano es el símbolo universal de la mano de obra. El monumento también incluye las palabras: Bienvenidos y Vaya con Dios. El monumento fue edificado por el monumentista, Euclésio Palaoro, en año 2012(dos mil doce), se construyó para expresar los dos valores de la  población de la ciudad: la solidaridad y el trabajo.
5. La Escuela Sarandí: fuera  llamada " Gimnasio Sarandí. "  Y fuera fundada en  1951. El gimnasio fue diseñado y construido en estilo ecléctico por el ingeniero italiano Pietro Cescon. Las siguientes columnas se asemejan a los palacios italianos. Su arquitectura es inspirada en el Palacio de los Dodge de Venecia y es considerado uno de los más bellos edificios del Rio Grande do Sul.
6. Iglesia de Nuestra Señora de Lourdes: la iglesia de Nuestra Señora de Lourdes, es del estilo romano. Los trabajos fueron hechos por el ingeniero, artista, arquitecto y pintor italiano Fontanive Angelo, también es el autor de las obras presentes en la cúpula y el altar de la iglesia, el año en que la actual iglesia parroquial fue consagrada solemnemente fue 1945(mil novecientos cuarenta y cinco).
7. Prefectura de Sarandí: ubicada en la Plaza Presidente Vargas, considerada una de las más bellas del Estado, la prefectura fue diseñada por el arquitecto italiano Pietro Cescon. Fueua construida y inaugurada entre los años 1947(mil novecientos cuarenta y siete) y 1955(mil novecientos cincuenta y cinco).
Para obtener más información, visite el sitio web oficial de la ciudad de Sarandí. http://www.sarandi.rs.gov.br/turismo/turismo-cultural.html

Acceso en 08.05.2014.

“O Português são três” - Marcos Bagno - Por Gilberto Machado



“O Português são três”


Os falantes da Língua Portuguesa não empregam em sua totalidade a norma padrão da escrita na fala diária, o que é chamada de norma padrão da língua é usada predominantemente por pessoas letradas, em textos oficiais, científicos e jornalísticos. Havendo uma divisa entre a língua falada e a escrita. Vários autores linguistas são citados no texto de Marcos Bagno, expressando suas definições do uso da Língua Portuguesa pelos brasileiros que criaram a sua identidade própria e uma forma de utilizar a língua, em que podemos chamá-la de norma vernácula, além da norma culta e a norma padrão. Em “Nada na língua é por acaso”, o autor Marcos Bagno toma como ideia central vários exemplos de que “O Português são três”: a norma padrão, a norma culta e a norma vernácula. A norma culta é usada no cotidiano das pessoas com melhores condições financeiras e, consequentemente com maior acesso ao vocabulário requintado, que por vezes não é exatamente idêntico ao da norma padrão. Conclui-se, portanto, que norma padrão e norma culta da língua não devem ser confundidas, pois detém suas diferenças. Devem-se reconhecer as classes da língua prestigiadas e as estigmatizadas que são um modelo padrão de linguagem chamada “certa”. Os usos não normativos usados por falantes escolarizados e esclarecidos podem deixar de serem erros, mas reconhecidos nesta variante da linguagem, como erros menos errados que os outros. E, por isso, o “Português são três” – o povo, em sua maioria,  fala a norma vernácula, os letrados e escritores de documentos oficiais e notas jornalísticas usam a norma padrão e os falantes “afortunados” e de seus meios usam a norma culta. Após expor em seu texto diversos exemplos de publicações na internet das formas como as pessoas escrevem e falam Marcos Bagno defende uma pedagogia da variação e da mudança linguística, uma reeducação sociolinguística, com visão heterogênea de variáveis e mutações. É possível levar à escola esta variedade linguística expondo suas diferenças sem exclusões, mas adaptá-las ao crescimento intelectual dos alunos como assimiladores destas diversas construções da linguagem, apresentando e aceitando as diferentes normas existentes na linguagem do português brasileiro e as nuances aplicadas pelos seus falantes.

ANÁLISE DO ROMANCE LIVRO: DOM CASMURRO, MACHADO DE ASSIS, 1899.


ANÁLISE DO ROMANCE
LIVRO: DOM CASMURRO, MACHADO DE ASSIS, 1899.

ENREDO E TEMÁTICA
No romance Dom Casmurro o autor Machado de Assis, que o escreve em 1899, conta a estória de Bento Santiago, o Bentinho, narrada em primeira pessoa pelo próprio Dom Casmurro, chamado assim por um rapaz em uma viagem de trem, pois o mesmo cochilara enquanto ouvia versos lidos pelo que o batizara por esta alcunha, que foi adotada pela vizinhança que não gostava de seus hábitos reclusos e calados. Bentinho, um menino que órfão de pai que vive com a mãe D. Glória, o Tio Cosme, a prima de sua mãe, Justina e o agregado José Dias alimenta um romance desde a tenra idade com a vizinha e, pobre, Capitolina, a Capitu.
Bentinho que fora prometido por D. Glória a ingressar no seminário para tornar-se padre vive na infância, junto com Capitu e José Dias a forma de encontrar a maneira de convencer a mãe a não cumprir a promessa de tornar o filho um padre.
Este enredo - narrado por Dom Casmurro em sua casa feita réplica da que vivia na infância na Rua Mata cavalos -, tem em sua sequência a ida ao seminário, a conquista da amizade de Escobar, que futuramente, ao menos em sua cabeça, seria seu algoz tendo o traído ao fecundar Capitu, constatação esta provinda das semelhanças entre seu filho Ezequiel e o amigo de seminário Escobar.
Na obra, Dom Casmurro relata com detalhes os personagens da trama, em forma de flashback os locais por onde passara e vivera os planos feitos com o inseparável e prestativo José Dias, em um dia levá-lo à Europa, fato este que não se concretizou antes da partida final do agregado. O amor por Capitu é relatado página a página da obra, cresce, assim como os ciúmes pela morena.
O amor pela sua mãe D. Glória é imenso ao ponto de gravar em sua lápide a palavra “santa” ato que resume o que sempre pensou e externou de sua genitora, tão dedicada a ele e tão zelosa com o patrimônio herdado de seu pai Pedro de Albuquerque Santiago.
Apesar de ter conseguido sair do seminário após uma brilhante ideia do colega Escobar, - de sua mãe adotar um escravo e mandá-lo para o celibato em seu lugar-, ter ido a São Paulo estudar e formar-se advogado, ter se casado com o amor de infância, Capitu; Bento Santiago sentiu a maior dor se sua vida quando, após a morte trágica do amigo Escobar, que deixou viúva Sancha, constatava dia-a-dia a semelhança entre o filho Ezequiel e o falecido amigo, chegara a adquirir veneno para dar cabo à sua vida e, por um instante ofereceu o fel da morte em uma xícara de café a Ezequiel, porém nada consumado discute com Capitu e a deporta à Europa com o menino, teria assim a maior de suas desventuras e dias amargos de Dom Casmurro.
Após a morte da mãe Ezequiel tenta a aproximação com o que conhecia e chamava por pai e, depois de um frio encontro põe-se em aventura arqueológica com colegas à Jerusalém onde morre de febre tifoide.
Se Capitu o traiu realmente, não há indícios reais na obra que a condenem, senão as desconfianças de Bentinho e as semelhanças de Ezequiel com Escobar.
Dom Casmurro não vivera amais amor semelhante ao de Capitu a mulher de sua vida, o narrador encerra a obra anunciando que passaria a escrever sobre outro tema, “os subúrbios”, após relatar sua estória de vida até ali.

ANÁLISE A PARTIR DAS CATEGORIAS DA NARRATIVA

Dom casmurro é um “Narrador Protagonista”, é personagem central e narra a partir de sua perspectiva sem ter acesso ao estado mental dos demais personagens. Como é fácil de perceber em diversas passagens do livro – “... Vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei num trem da Central um rapaz aqui do bairro...” – “Agora que expliquei o título, passo a escrever o livro.” – “... esta monotonia acabou por exaurir-me também. Quis variar, e lembrou-me escrever um livro”. – “Também não me esqueceu o que ele me fez uma tarde. Posto que nascido na roça (donde vim com dois anos)”.
Os personagens do romance são:
- Bentinho (Bento Santiago), que além de ser o narrador também é personagem principal da trama, junto à Capitu, sendo um personagem redondo, pois sua vida desenrola-se de diferentes formas, desde a vinda para a cidade, saindo do campo para uma vida burguesa, o romance com Capitu, com diferentes passagens, a ida ao seminário, a formação em direito, o casamento com Capitu, o desfecho da obra determinado por ele mudando o rumo de suas vidas.
 - Capitu (Capitolina), amiga, vizinha e namorada de infância de Bentinho, uma personagem redonda, provida de complexidade, com características variáveis, personalidade instável, dinâmica, multifacetada. Capitu guarda em segredo dos pais o amor por Bentinho na infância, rabisca o chão, risca o muro, escondendo do próprio Bentinho, em seguida tenta auxiliar a não ida do amado ao seminário, cativa a mãe de Bentinho com visitas frequentes, tornando-se uma boa companhia a D. Glória. Capitu faz por alvoroçado o destino final na trama em uma traição com Escobar, consolidada na mente de Bentinho é uma personagem da qual a trama depende para seu transcurso e final, o grande amor da vida de Bentinho capaz de mudar os rumos da vida do amado.

         - Escobar se tornara desde o seminário o melhor amigo de Bentinho, tendo a concepção de personagem redondo, pois se apresenta como o amigo fiel de Bentinho, evolui durante a trama, casa-se com Sancha, estabiliza-se em sua profissão e, morre de forma trágica após um mergulho ao mar, sendo além de amigo também, segundo a imaginação de Bentinho, o maior algoz do amigo dos tempos de seminário.

            - Sancha, além de mulher de Escobar, foi ex-colega de colégio de Capitu. Torna-se uma personagem redonda, pois sua passagem na trama de Machado de Assis tem momentos que alternam piedade, quando padece em sua cama e  insinuação a uma possível traição à Escobar com trejeitos a Bentinho nutrindo no esposa da amiga Capitu um desejo de infidelidade, em seguida fica viúva de Escobar.

            - Dona Glória, a mãe de Bentinho, tem adoração pelo filho e também pela religião, ao ponto de prometer o primeiro filho varão ao celibato e batina. É uma personagem plana, sua figura mantém as mesmas características que não evoluem durante a narrativa. Sempre está em sua rotina e não altera até sua morte.

            - José Dias é o agregado que serve a família de dona Glória desde que seu esposo ainda vivia. Famoso pelo uso frequente de seus superlativos que agradavam aos patrões. Um personagem plano, que manteve suas características desde o início da trama, sempre ao lado de Bentinho e dos membros da família..

         - Tio Cosme, tio de Bentinho por ser o irmão de sua mãe, já era viúvo e por profissão advogado, e assim como a prima Justina eram personagens planos, construídos em torno de uma única ideia ou qualidade; definidos em poucas palavras e não evoluíram ao longo da narrativa, tia Justina mantém-se como uma observadora e que não tem papas na língua.

            - Pedro de Albuquerque Santiago, pai de Bentinho, já falecido quando D. Glória foi morar na cidade do Rio quando o filho ainda era muito pequeno. Personagem plano.

            - Senhor Pádua, pai de Capitu e Dona Fortunata, mãe de Capitu, personagens planos, sem evolução na narrativa que pudesse alterar o tema central, o romance de Bentinho e Capitu.

Ezequiel, o
filho de Capitu, sobre o qual o Bento Santiago possui evidentes dúvidas quanto à sua paternidade, devido a enorme semelhança física e de trejeitos do garoto com Escobar. Ezequiel é um personagem plano, coadjuvante no enredo do romance.

O tempo em que se passa a narrativa de Bento Santiago, o Dom Casmurro, é cronológico quando o mesmo cita locais reais em que passara a infância, com os anos citados em diversas fases da sua vida contada na trama, até os dias atuais da escrita em sua nova casa que se fez réplica da vivida na Rua Mata cavalos. –”... A casa era a da Rua de Mata-cavalos, o mês novembro, o ano é que é um tanto remoto, mas eu não hei de trocar as datas à minha vida só para agradar às pessoas que não amam histórias velhas; o ano era de 1857”.
- “viagem à Europa é o que é preciso, mas pode fazerse daqui a um ou dous anos, em 1859 ou 1860”.
O espaço da trama é minuciosamente descrito pelo narrador Dom Casmurro, tanto nas datas e locais, nomes de ruas, praias, tudo muito bem registrado, nada fica vago à visão e perspectiva do leitor, a não ser a veracidade ou ilusão da traição de Capitu com Escobar.
Todos os locais frequentados pelos personagens são bem especificados na narrativa.


INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA



INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA

No livro “Introdução à Linguística” – objetos teóricos -, o artigo de Margarida Petter, intitulado Linguagem, língua, linguística, o fascínio da linguagem para a vida humana e as formas de estudar e compreender as teorias da linguística com o passar dos anos, formam a temática nele descrita. No início de sua explanação a autora cita desde a criação do mundo. O objetivo da autora com Linguagem, língua, linguística é elucidar as formas diferentes em que a linguagem foi estudada ao longo dos anos pelos linguistas e, até mesmo, comparada a linguagem animal, quando relata detalhes de pesquisa realizada com abelhas. Nesta fundamentação teórica da linguística, é explícita a problemática em entender como a linguagem humana se difere da animal, seus signos de comunicação se assemelham, mas diferenças na execução desta comunicação ficam evidentes, sendo a linguagem animal simples linguagem de sinais. A metodologia usada por Margarida Petter no texto Linguagem, língua, linguística, de introdução à linguística, é a de expor as diversas passagens do estudo da linguística pelos diversos povos e continentes ao passar dos séculos, até o seu reconhecimento como estudo científico através das teorias do linguista Suíço Ferdinand de Saussure, publicadas no Curso Geral de Linguística pelos seus alunos em suas anotações destacando a afirmação de Saussure de que a linguagem é “heteróclita e multifacetada”, pois abrange vários domínios, sendo ao mesmo tempo física, fisiológica e psíquica, pertence ao domínio individual e social (1969:17). Parte da metodologia da pesquisa da linguista neste texto destaca, dentre outros, o contemporâneo linguista norte-americano Noam Chomski, o qual trouxe para os estudos linguísticos uma nova onda de transformação apresentado em seu livro Syntatic Structures (1957:13). Margarida encaminha para o encerramento do artigo de introdução à linguística, rememorando que a linguagem passou por muitas mudanças, pois muitas vezes o “errado” de uma época passou a ser o “consagrado” em tempos futuros devido à diacronia e sincronia associadas ao uso frequente dos falantes desta nova forma, porém, há a necessidade de observar também o estudo da gramática na linguagem, sendo a gramática gerativa, porque de regras limitadas gera infinitas sentenças. Fiorin finaliza o artigo escrevendo que a língua é, antes de tudo, instrumento de interação social, usado para estabelecer relações comunicativas entre os humanos, devendo ser considerados os conceitos históricos e sociais de uma sociedade.

PETTER, MARGARIDA. Linguagem, língua, linguística. In: FIORIN, José Luiz (org.). Introdução à Linguística – I. Objetos Teóricos. São Paulo: Contexto, 2002, p. 11-24.



Palavras-chave: Introdução. Linguística. Linguagem. Língua.