terça-feira, 16 de junho de 2015

Guimarães Rosa



“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” 
(ROSA, Guimarães. Grande sertão: veredas)




  Guimarães Rosa foi um diplomata brasileiro que viveu em diversas embaixadas começou a publicar suas obras após os seus 37 anos por achar que somente aí seus textos eram “maduros” o suficiente.
  O mineiro apesar de não ser um regionalista e escrever com variações da língua, usando bem a gramática, sintaxe e outras formas, num minucioso trabalho na linguagem, teve em seu maior expoente literário a obra “Grande Sertão: veredas” que conta a história de um homem nativo e que vive de andanças pelo sertão mineiro contando as agruras de seu caminho e as vivências entre o bem e o mal, as brigas de jagunços e, dentre uma narrativa e outra o autor lança sentenças que podem servir até nossos dias como “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” E ainda muitas citações sobre Deus  e o diabo, sempre de forma metafórica e termos de aforismos que servem para qualquer parte do mundo, onde há civilização.
  Um dos ícones de nossa literatura Guimarães Rosa deixou sua marca inclusive em obras que foram traduzidas para vários idiomas, escreveu contos e se preocupou em descrever os problemas do homem.
 
Para contribuir:
Guimarães Rosa é da escola literária do Modernismo. Ele pertence à 3ª fase da prosa modernista, juntamente com Clarice Lispector. Sua obra tem como característica uma linguagem difícil de ser entendida porque transcreve a fala do sertanejo do Brasil Central (Minas Gerais, Goiás). Na sua temática está a luta do homem com sua própria personalidade e com o ambiente, muitas vezes hostil para a sobrevivência e para o alcance do conforto e da felicidade. Em certos obras, como Sagarana e em Grande Sertão: Veredas observa-se até a fábula pela prosopopeia (personificação dos animais como burros, bois,etc.) Sua obra é muito lida e citada pelos escritores de Língua Portuguesa na África (Angola e Moçambique) sendo um deles o já famoso contista e romancista Mia Couto.



imagem: http://www.pontofrio.com.br/livros/LinguisticaOratoria/TeoriaLiteraria/Cadernos-de-Literatura-Brasileira-Joao-Guimaraes-Rosa-Volume-20-221340.html    

Mediador, o propulsor do conhecimento


   Por que o propulsor do conhecimento? Porque o professor tem um papel extremamente importante nesta tese defendida por Vygostsky no papel de mediador, de ser a figura não só transportadora ou expositora do conhecimento mas aquela que provoca o aluno para o desejo de absorver este conhecimento.
  O conhecimento de mundo do aluno e seu potencial cognitivo devem ser reconhecidos pelo professor neste processo de aprendizagem, o professor deve acima de tudo ser possuidor de conhecimentos da psicologia para saber observar e captar este conhecimento prévio do aluno, para então, ser este mediador do processo educativo e obter maior sucesso na relação professor/aluno/professor.
  O professor é o sujeito humano mais experiente e desenvolvido que irá transmitir seus conhecimentos outrora também adquiridos no mesmo processo, pois sempre há a questão da hereditariedade social, alguém mais experiente e conhecedor da teoria a transmitiu, foi o mediador, o provocador para que o processo educativo perdurasse e chegasse até nossos dias.
  O papel do professor como mediador dá os suportes necessários aos processos mentais, com interação e provocação através de atividades lúdicas ele promove a criança para uma prática mais eficaz. A socialização da criança no processo educativo tem passagem de forma vital pelo processo da linguagem, ela quem será o signo principal desta interação social do processo educativo, sempre mediado pelo professor, veja bem que sempre o mediador, o provocador, o propulso de todo este esquema é o professor.
  O outro social, apresentado pelo professor ao aluno dependerá sempre do diálogo, do questionamento, o professor tem de estar ciente que está diante de verdadeiras “esponjas” que estão dispostas a aprender, desde que sejam estimuladas a isto e o ambiente social para trazer este enfoque é muito importante, o papel do mediador para que isto ocorra deve preceder de um excelente preparo, de uma vivência de mundo social bem balizados em conceitos pedagógicos que insiram a melhor forma de ser este mediador, a ponte do desconhecido e do conhecimento.


REFERÊNCIA:
http://www.abrapso.org.br/siteprincipal/images/Anais_XVENABRAPSO/487.%20as%20contribui%C7%D5es%20da%20teoria%20psicol%D3gica.pdf 
DISPONIBILIZADO NO CURSO DE LETRAS PORTUGUÊS ESPANHOL FURG - EAD - pelo Prof. Dr. Paulo Gomes 

Imagem: 
http://etmevoila.blogspot.com.br/2013/11/dez-principios-para-um-bom-professor.html 

domingo, 7 de junho de 2015

JOÃO CABRAL DE MELO NETO
Poesia que cria imagem




  Um escritor poeta brasileiro e, principalmente pernambucano, em suas poesias ele retrata a realidade de modo imparcial foi um poeta que trouxe em sua maior obra “Morte e Vida Severina”, um auto de natal pernambucano, uma peça teatral, levada à TV e aos cinemas o relato de um povo que migrava do sertão nordestino, muito seco, a um litoral com maiores perspectivas de vida e terras regadas e produtivas.
  João Cabral foi reconhecido pela objetividade em suas obras ele veio em uma geração de 45 iniciando com traços de surrealismo com obras com intuição de formas e geometrismo, com sua  primeira obra “Pedra do Sono”(1942)  e passando para o poema mais popular com verso de sete sílabas, ele mesmo dizia em entrevistas que não era aquele poeta que estava entre o real e algo divino, ele era um sujeito sem graça e que relatava a poesia diferente, “compreende?”.
  João Cabral retratou a realidade de modo imparcial, em suas obras como “O Engenheiro” tem seu rigor com o semântico, passando também isto para “Morte e vida Severina” atuando como poeta narrativo também com rigor formal e temática participante dando assim um novo rumo à poesia brasileira criando a sua marca própria, a chamada “marca da pedra”.
  De acordo com os críticos e postas contemporâneos João Cabral de Melo Neto escreveu uma poesia mais construtiva, mais contundente e objetiva, enfim uma poesia que cria imagem.
João Cabral, apesar de ter vivido também muito tempo no Rio de Janeiro não menciona a cidade maravilhosa em suas poesias, porém Sevilla, onde também morou o cativou por seu povo e suas belezas, o que rendeu a cidade espanhola poemas em sua homenagem.
  João Cabral de Melo Neto, poeta brasileiro, uma poesia direta, uma linguagem totalmente compreensível sem deixar de ter cuidados semânticos, sem rimas aparentes e musicadas porém, rimas que estavam presentes nas vogais ao final dos versos, particularidades que o fizeram um dos grandes da Literatura Brasileira.



domingo, 24 de maio de 2015

Psicologia da Educação



  Analisando os conteúdos apresentados, inicio minha reflexão embasado no texto de Lígia de Carvalho Abões Vercelli, que destaca os três aspectos discutidos pelos pesquisadores que pesquisam a Psicologia da Educação: a concepção de homem, a multiplicidade de correntes teóricas e a relação entre teoria e prática pedagógica; este ultimo julgo o mais complexo e que depende dos anteriores para sua execução.
  A Psicologia da Educação deve sim fazer parte do currículo básico das licenciaturas, pois contribuem muito para a execução da prática educativa. Este estudo pode contribuir para que o aluno tenha uma visão mais ampla e crítica da disciplina.
  As características individuais de cada um , o seu contexto histórico da construção de caráter deve ser levado em consideração na formação do aluno.
A realidade de cada escola é de suma importância para que ocorra uma boa sincronia entre a teoria e a prática no ensino, para um melhor desempenho do futuro professor.
Citando Wundt, em 1875, quando caracterizou a Psicologia  como ciência que tinha objetivo próprio: a experiência consciente (Bock, 2002, p.16).
  O indivíduo ser relacionado como criatura e como criador, de acordo com Wundt, dá a importância de que o professor reconheça primeiramente o comportamento e o nível de desenvolvimento do aluno quanto ao aprendizado, deixá-lo livre para interagir na sala de aula, para que o aluno não seja somente um receptor, um sujeito de uma educação bancária e que o professor não seja somente um transmissor do conhecimento e sim, um provocador do mesmo através de uma reflexão junto com seu aluno dos conteúdos da aula.
  A Picologia da Educação entra neste contexto de entendimento da mente humana e sua relação com o mundo, pois se a dificuldade apresentada por um indivíduo, diferentemente de outro, for detectada pelo professor que usará dos conhecimentos da ciência da Psiologia, a forma de praticar a teoria com este aluno será totalmente modificada; certo aluno necessita de uma formatação de aula, outro uma diferente e, assim por diante, porém uma prospecção de aula que una estas diferentes “correntes” de captação de conhecimento irá facilitar a absorção do conteúdo pelos alunos, mesmo que tenham suas características individuais bem distintas, porém o professor detectou estas diferenças e as transformou em unidade de transmissão de conteúdo, facilitando seu trabalho e melhorando o rendimento dos alunos, tornando suas aulas mais proveitosas e  agradáveis.
  Ou seja, esta minha interpretação vem de encontro com o que foi compilado pelos autores do texto Em Busca De Um Ensino De Psicologia Significativo Para Futuros Professores – “Como fonte de conhecimento que a Psicologia teve um grande impacto sobre a educação, e tem mantido uma profunda relação com a prática educacional, entretanto nem sempre amistosa. A necessidade de termos consciência do pluralismo da prática científica é fundamental para evitarmos a ilusão de uma verdade necessária e definitiva. Tratando-se dos conhecimentos psicológicos, essa compreensão torna-se de fato essencial para superarmos o psicologismo na educação. Parece ser consensual que a Psicologia, nos cursos de licenciatura, deve buscar a compreensão do que ocorre nas escolas de ensino fundamental e médio, problematizando sobre quem é o aluno e o que ocorre no cotidiano das escolas. As situações vivenciadas na prática pedagógica precisam ser pensadas e analisadas já na formação inicial, com o objetivo de estabelecer projetos de intervenção nesse tipo de realidade. Entendemos que a Psicologia pode favorecer que o futuro professor ultrapasse o nível do senso comum, na medida em que os conhecimentos teóricos favorecem a compreensão do fenômeno da educação em diferentes dimensões, como a psicológica, a social, a antropológica, a biológica, a política etc.”
  A organização de um grupo social através do conhecimento compartilhado poderia desenvolver de uma forma diferenciada a questão da comunicação e do conhecimento aliados á Psicologia, ao conhecimento do indivíduo para seguinte uma ação para o todo, em grupo.
  Os conceitos de conhecimento, cognição e comunicação, não respeitam mais os antigos limites conceituais e preliminares. Estes conceitos estão correlacionados a uma expressão já citada anteriormente que seria uma visão de mundo do indivíduo, pois a comunicação tratou de esclarecer o que passou e passa em seu meio; a cognição lhe deu a capacidade psicológica de entender este processo externo  ocorrido e estas juntas lhe deram a percepção do conhecimento para que juntos constituam o indivíduo plenamente capacitados para agregar mais conhecimentos através do ensino regular de uma sala de aula.
  O trecho a seguir materializa o que citei em trecho anterior, a interação professor/aluno, aluno/professor: - “O construtivismo Piagetiano demonstra afinidade com o paradigma da simulação ao propor um processo constante de assimilação e acomodação, de interação entre o organismo e o meio, segundo o qual as estruturas são construídas ao longo do tempo, sendo o efeito e não a causa do desenvolvimento a partir da interação. Uma educação construtivista, pautada seja em Piaget, seja em L. Vygotsky, entende a relação ensino/aprendizagem como uma relação de interação entre alunos e professores, onde ambos aprendem e ensinam.”
 A evolução do campo da informatização, o avanço meteórico da informação através das novas tecnologias e plataformas deve alertar para que os futuros professores estejam preparados para realizar esta convergência em prol dos seus alunos.


Referências :

- VERCELLI, L. de C. A.a Psicologia da Educação na Formação Docente. Dialogia, São Paulo,v. 7, n. 2,  p. 223-2333, 2008.

- ALMEIDA, Patrícia C. Albieri de; AZZI, Roberta Gurgel ; MERCURI, Elisabeth N. G. Silva; PEREIRA, Marli A. Lucas . Em Busca De Um Ensino De Psicologia Significativo Para Futuros Professores.

- A Psicologia da Educação na Contemporaneidade e a possibilidade de um

Pensamento Comunicacional. Plataforma FURG –EaD – Psicologia da Educação.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

                             Psicologia da Educação


Nos documentários exibidos  através dos links abaixo podemos perceber um avanço significativo da Psicologia como área de estudo para ciência. Grandes pensadores do passado, cada um com sua teoria a frente os demais, participaram de forma essencial neste processo evolutivo da ciência que estuda a mente.
Grandes homens citados como, primeiramente Wilhelm Wundt,  com a criação do 1º laboratório de Psicologia , mencionado como o pai da psicologia moderna. A Psicologia translada em seus tempos como A ciência da vida mental; encaixando na relação corpo e alma e o problema do conhecimento; com a formação de diferentes correntes de pensamento. Platão dizia que o corpo é um cárcere par a alma e a alma é distinta do corpo, porém Aristótoles teorizava que a alma é propriedade essencial do corpo, fora do cárcere do sentido e da existência.
O entendimento de como está formada a mente humana, o espiritualismo; o estudo de sue funcionamento, no funcionalismo; o estudo da conduta no condutismo; o estudo o subconsciente no condicionamento; o funcionamento da mente, através do funcionalismo.
De acordo com Sigmun Freud, um dos maiores ícones entre os cientistas da mente humana, - a conduta humana é governada por motivos e desejos. Seguindo, o condicionamento estuda o subconsciente, a conduta reflexo de quem aprende. Na teoria do humanismo o homem é autônomo e responsável por sua decisões.
A definição de Psicologia seria a ciência que se encarrega dos estudos dos processos e fenômenos mentais. Ligando isto à conduta humana, ou seja, metas, descrição, explicação, pré decisão e modificação da conduta.  Quanto à etimologia diz-se Psiqué=alma e logos=trata ciência da alma. Se pode compreender e conceitualizar a psicologia quando se diz que ela estuda a relação ao meio ambiente e aos processos de comunicação.
A origem da Psicologia é pelo comportamento humano, oportunizando uma boa construção da sociedade e estruturas de convivência. A Psicologia possui a argumentação de estudo por métodos como as ciências sociais, ciências duras, quantitativas, qualitativas e mista, incluindo-se ainda o método experimental.
A Psicologia possui seus ramos assim subdivididos: biológicas, por fatores fisiológicos com perspectivas anatômicas; clínica, com o tratamento da saúde mental; cognitiva, com atividades mentais superiores do pensamento; do desenvolvimento, do andamento ou evolutiva nos campos físicos, objetivos e sociais; da saúde, laboral ou industrial e a psicologia educativa, no campo da educação. Quanto às origens e desenvolvimento da Psicologia da Educação, há todo um processo histórico e evolutivo neste contexto como ciência e a sua aplicação na prática.
Desde a antiga Grécia, passando por espanhóis, ingleses, americanos e, principalmente pensadores alemães, a inclusão da Psicologia no processo educativo é eminente e necessária, pois todo o estudo desta ciência que estuda a mente humana condiz com as formas de realizar um bom aprendizado, de formar bons professores para que com a ajuda da psicologia entendam melhor seus alunos e os façam entender melhor o conteúdos transmitidos em sala de aula.
Durante os primeiros 30 anos do século passado a Psicologia da Educação se perfila como ciência, com teorias, métodos e procedimentos próprios e várias áreas de atuação.
Também a Psicanálise aporta todo um sustento teórico sobre as etapas do desenvolvimento inicial e suas implicações na emoção, no caráter e na segurança pessoal.
Citando mais um trecho do vídeo, a Psicologia Humanista de Carl Rogers assinala que o homem pode crescer até o limite de suas próprias capacidades.
A Psicologia da Educação, ao longo de cem anos vem se definindo em seu campo de estudo e merecendo este status de ciência.

Referências:

https://www.youtube.com/watch?v=_aFPIknV63w
https://www.youtube.com/watch?v=zmHsmvDdMc8
https://www.youtube.com/watch?v=lNPvyg__ch4

Imagem: https://www.primecursos.com.br/nocoes-de-psicologia-da-aprendizagem/


sexta-feira, 24 de abril de 2015

Análises do Modernismo dos poemas de Manuel Bandeira

  Sobre o poema “Pneumotórax”, após ler o referido e algumas colocações na internet, notei que o eu lírico, apesar de ser em um momento de modernista, aparece mesmo que de forma subliminar, pois não há a identificação de que o “doente” é Manuel Bandeira, porém se pesquisar você saberá que ele estava vivendo a doença da tuberculose e apesar de poetizar algo que era terrível para si mesmo, ele relata o que estava passando e, no caso de um pneumotórax a sua vida seria abreviada.
  Portanto, mesmo que tragicômico ele escancara uma terrível mazela da saúde pública da época, os surtos de tuberculose e as baixas perspectivas de vida da sociedade, ou seja, escancara problemas seus e de da época, características bem definidas do modernismo, o abalo, o choque e o incomum.

  Algo semelhante ocorre como João Gostoso, personagem do “Poema Tirado de uma Notícia de jornal” ele tem uma vida medíocre e o seu final é medíocre e trágico, ou seja uma pessoa sem perspectiva alguma de sucesso na vida que tem um precoce fim; tudo relatado de alguma forma eternizada como poema, pois apenas como notícia de jornal, como Bandeira sugerira seria um caso a ser esquecido e o João Gostoso era um representante de uma classe que estava à margem da sociedade burguesa relatada de formas métricas em obras de outras escolas literárias passadas, anteriores ao Modernismo.

Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
– Diga trinta e três.
– Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
– Respire.
..............................................................
– O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
– Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
– Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Poema tirado de uma notícia de jornal"
João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barraco sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
 
(In: Libertinagem, de Manuel Bandeira)

terça-feira, 21 de abril de 2015

Análise do texto Filosofia da Educação e formação de professores no velho dilema entre teoria e prática

O texto de Amarildo Luiz Trevisan apresenta propostas para superar o dilema entre a teoria e a prática na formação de professores citando diversos pensadores da área que expressam suas experiências em pesquisa sobre o tema proposto.
Trevisan detalha nos pensamentos expostos o significado e a significância da teoria do reconhecimento do outro, que por muitos é defendida. O autor traça diferenças entre a pedagogia que valoriza a competência e a que privilegia a qualificação destacando uma delas como o eixo central na atual reforma curricular das licenciaturas, especificando o porquê desta definição.A discussão da inserção do estágio supervisionado já nas fases iniciais da formação de professores no processo de licenciatura é debatida na pesquisa de Trevisan, que aponta de acordo com os teóricos como sendo uma questão polemizada na formação, pois há quem a defenda e outros não, porém é uma das formas de aliar a teoria e a prática aproximando-as ou distanciando-as conforme a antecipação ou retardo deste processo de estágio supervisionado na formação de docentes.
Estudos chamam a atenção da importância do conceito de informação em sentido amplo e o dilema entre a teoria e a prática onde elas tornam-se um dos principais eixos articuladores da formação com a realidade dos professores. Trevisan coloca de forma genial a afirmação de que a formação do professor não pode ficar refém de uma pretensa teoria e menos ainda do lado simples da prática, o que seria conforme o autor, uma forma de tencionar o problema. (TREVISAN, 2011.p.198).
“O professor pode produzir conhecimento através da prática, desde que a investigação reflita intencionalmente sobre ela, problematizando os resultados obtidos com o suporte da teoria. E, portanto, como pesquisador de sua própria prática”. (PIMENTA, 2006, p.43)

Trevisan deixa claro que basear-se em uma simples prática seria uma forma de projetar o problema da formação. A proposta defendida por ele é que as dificuldades nas políticas de formação de professores em aliar a teoria à prática, privilegiando a prática, como no caso de antecipar o estágio supervisionado, por exemplo. Ações como essa podem apenas significar uma passagem de teorias de uma a outra, ou seja, da normativa para a explicativa. E como segunda proposta Trevisan defende a tese da teoria do reconhecimento social do outro, com o intuito de despertar o que ele chama de pássaro de Minerva, citando Hegel – “Quando as sombras da noite começam a cair é que levanta voo o pássaro de Minerva”. (HEGEL, 1986, p. 15). Nesse ponto temos a conquista do voo do reconhecimento, denunciando a submissão aos estreitamentos reflexivos implantados na formação de professores.
A chamada filosofia Hegeliana é dada neste estudo de Trevisan, citando Ítalo Testa, como a própria Teoria do Reconhecimento que é definida por ele como a entrada no mundo espiritual deixando um estado de natureza, (TESTA 2008, p.114). O que se pode dizer é que se promove uma articulação dialética das tendências agressiva e cooperativa do ser.Esta teoria de Hegel seria que o reconhecimento é o conceito intermediário entre prática e conceito, contemplando uma interação entre estes elementos da formação de professores.
Em detrimento ao exposto acima, vale ressaltar que é ponto importante que analisemos as ideias e talvez função do reconhecimento social do outro nos remetendo a pensar que essa Filosofia da Educação inspirada nestes contornos, nos remete a um sentido que nos prepara ou habilita para servir em um ensino mais completo, preparando o terreno para que não tenhamos irregularidades quanto à compreensão do processo. Em ambos os lados, professor e escola não pode haver subserviência: percebemos que a escola, universidade deve evitar encontrar saídas ou subterfúgios para deixar de lado a relação como simplesmente formar alunos. É importante lembrar e aqui é uma reflexão do grupo, constatamos que a questão competência acaba não substituindo a noção de qualificação, existindo entre elas uma grande diferenciação. O que percebemos é que a competência das pedagogias, prima pelo construtivismo, priorizando o universo subjetivo quanto à aquisição de conhecimentos, e ainda nas abordagens interdisciplinares, deixando de lado as dimensões sociais e históricas do processo educativo, procurando aproximar educação e trabalho. Já o conceito de qualificação vem regular as relações de trabalho quando do campo da educação. Podemos entender que ela busca modelos flexíveis e diferentes, todos relacionados a pratica do trabalho em geral e não apenas ao exercício de certa ocupação.Buscando a objetividade e o entendimento destes pontos, percebemos que a qualificação tem seu inicio na teoria e a competência das pedagogias é o reconhecimento do saber pela prática.
Por outro lado para que possamos ter um intermediador e evolução desses processos de competências pedagógicas e qualificação, é de suma importância que a escola esteja ciente que precisa ter uma responsabilidade maior no que diz respeito à formação de estagiários, seus futuros educadores. O importante neste processo é que ambos se encontrem e se completem, pois cada um se reconhece na identidade do outro, aquilo que chamamos por empatia.  Recordemos que é necessário que haja confrontos ou lutas de reconhecimento entre ambos os estágios, de forma igualitária nas interlocuções e sem falar é claro no que se referem os complementos e consensos, pontos importantes e básicos no reconhecimento social do outro. É evidente que a mistura dessas pedagogias, aliadas ao reconhecimento social do outro, acabam por dar um caminho mais claro nos que refere ao processo educação. Entendemos que não existe uma receita exata, pois, a ideal filosofia da educação que converge para a teoria e prática, é um processo em construção e evolução. Lembremos que a qualificação começa pela teoria e a competência pela prática. O fato é que nem um nem outro acaba por atender as demandas pedagógicas, por apenas ter um foco nos seus extremos. Desta forma a importância do reconhecimento social do outro.
Para concluir nossa análise, entendemos que a teoria do reconhecimento nos remete as alternativas de caminhos a serem seguidos, lembremos que quando existe um confronto entre dois extremos, é claro que podem a partir deste debate termos como extrair questões que podem ser respondidas. Vale ressaltar, a teoria do reconhecimento acaba sendo uma espécie de interlocutor de um modo em que articula as ideias em uma base de enfrentamento das duas extremidades entre professor e aluno, não deixando dúvidas que a partir desta reflexão podem existir novas caminhadas passíveis de novas pesquisas.
Referências

TREVISAN, A.L. Filosofia da educação e formação de professores no velho dilema entre a teoria e prática.


Alunos UAB-FURG -LETRAS - PORTUGUÊS/ESPANHOL - Polo Sarandi
Gilberto Machado, Giancarlo Barros e Karina Marzani

sábado, 11 de abril de 2015

Moacir Gadotti – Desafios para a Era do Conhecimento –
Filme Tempos Modernos – Charles Chaplin

O autor aborda as mudanças no início do século XXI as expectativas e perplexidades mediante a globalização, expira dose cautelar no  campo da educação.
Gadotti questiona o caminho a tomar neste novo século, ele observa que as tecnologias atuais estão todas baseadas em uma perspectiva atuais. As perspectivas teóricas podem desaparecer ou surgirem novas. Para entender o futuro é preciso estudar o passado, portanto alguns marcos vividos na educação podem perdurar e outros desaparecerem.
O autor enfatiza a simbiose entre o tradicional e o novo, mantendo o “aprender fazendo” na concepção tradicional ou pedagogia nova. Na segunda metade do século XX os planos de educação diminuíram os custos e aumentaram os benefícios. No final do século XX a globalização deu novo impulso à idéia de uma educação igual para todos com parâmetro curricular comum.
Cria-se a nova cultura, a cultura digital, surge a EaD  ao final do século XX. Para Gadotti, a função da escola será a pensar unicamente paradigmas holistas. É a complexidade e holismo valorizando a singularidade ao entorno do vivente.
Correlacionando com o filme de Chaplin, “Tempos Modernos” expressa bem o domínio do capital, da industrialização sobre o proletariado, expõe as manifestações comunistas e a repreensão sofrida, as injustiças nas prisões, sem qualquer tipo de defesa dos réus, a pobreza criada com o fim de algumas atividades com o advento da Revolução Industrial.
Voltando à Gadotti, no tópico “Educação Popular” há um domínio governamental neste processo, o prender é a partir do conhecimento do sujeito ensinado a partir de palavras e termos geradores, educação sendo um ato de conhecimento e transformação social ato de conhecimento e transformação social. Citando Paulo Freire e seu projeto Escola Cidadã, correlacionando mercado-escola-sociedade.
Seja qual for a perspectiva que a educação tomar no século XXI, a educação voltada ao futuro pró-educação contestadora – a pedagogia do Praxis. Está em andamento a Revolução da Informação e é com esta revolução que se tem que tratar agoa a adequar a educação, fazer dela uma aliada.



sexta-feira, 3 de abril de 2015

Debate de teorias pedagógicas, baseado em Newton Duarte e Ivo Tonet

“O debate contemporâneo das teorias pedagógicas”, Newton Duarte.
A ausência da perspectiva de superação da sociedade capitalista:
Esta ausência é refletida através do aumento dos problemas sociais e a visão destas pedagogias, de acordo com o autor são ilusórias e com visão errônea e idealista. Duarte discorda que da educação para uma prevenção dos problemas mais causados pelo capitalismo, como a violência e destruição ambiental e o desemprego. A pedagogia explicita adepta ao capitalista é exemplificada por Duarte pelo idealismo de que é acreditado em um ensino que ensine enfrentar a competitividade do mercado e imbuídos do espírito de solidariedade social. Uma forma bem capitalista de se pensar sem uma perspectiva de superação desta filosofia. A visão idealista citada pelo autor, é usada como referencia à sua adesão à sociedade capitalista.
Paradoxo entre competitividade  e espírito solidário:
 Este tema é praticamente impossível andar em conjunto, pois, citando Marx o autor exemplifica com a teoria marxista de desenvolvimento do lado criativo humano. Sendo esta uma forma solidária, porém, no contexto capitalista isto é de certa forma no embate da competitividade entre os indivíduos em busca do crescimento do capital. Toda e qualquer pedagogia que concentre um desenvolvimento do indivíduo não estará ausente do propósito da competitividade deste com outrem em detrimento de espírito solidário.
Relativismo epistemológico e cultural:
Levando em consideração o significado de algo que é epistemológico [1], ou seja, algo que provoca duas posições, uma empirista no que diz que o conhecimento deve ser baseado na experiência, o que for aprendido durante a vida e a posição racionalista, que prega que a fonte do conhecimento se encontra na razão e não na experiência.
O relativismo epistemológico e cultural no texto “O debate contemporâneo da teorias pedagógicas”, de Newton Duarte, estabelece pontos de ligação entre as  teorias e pontos distantes,   criando um certo relativismo entre as mesmas devido a forma hegemônica da pedagogia do aprender com negação à educação tradicional, com negação às formas clássicas de educação escolar.
“Educar para a cidadania ou para a liberdade”, Ivo Tonet
Categorias importantes no processo de autoconstrução do homem. Emancipação política (cidadania) e emancipação humana. Analiso a seguinte relacionalidade com o tipo de trabalho que as sustentam:
Tonet cita que o processo do sistema tende a deixar o homem cada vez mais heterogêneo, diversificado e multifacetado e, ao mesmo tempo, mais unitário relacionando esta posição com a problemática  da educação, destacando que esta é uma perspectiva Marxista.
A participação do indivíduo cada vez maior no processo social é enfatizada com uma ascensão política do indivíduo. Para a inserção no meio social é determinante para a emancipação política.
A correlação entre um ser emancipado humana e politicamente seria o complemento de um ser totalmente sociável solucionando a problemática da cidadania sendo que em cima disso o texto tem algo semelhante quando Tonet escreve que - “...a cisão entre a vida social e a vida política surge quando a humanidade se divide em classes sociais, como conseqüência, a preparação dessa cisão amplia a eliminação das classes sociais e da propriedade privada”, baseando-se na teoria de Marx.
Apesar de afirmar que não existem modelos nem receitas para a realização das potencialidades amplas do ser humano, Tonet destaca cinco requisitos indispensáveis em atividades educativas voltadas para a emancipação humana, a ausência de um domínio sólido, pode desnortear esta atividade educativa emancipadora. O conhecimento do processo histórico, real, universal e particular sendo a educação um conjunto da sociabilidade, a ação educativa não deve ser isolada. Esclarecer as reais atribuições do processo educacional e o posicionamento com questões de recursos de educação, se neutra, engajada, diretiva ou não, privilégio ao conteúdo ou método centrar-se na figura do aluno ou do professor. Para a sua emancipação o indivíduo deve ter o conhecimento e o domínio das diversas áreas do conteúdo escolar.
O quinto requisito abordado por Tonet para a emancipação humana seria a articulação da atividade educativa com as lutas das classes subalternas com posições na estrutura produtiva e transmitir o conhecimento mais avançado , qualifica Ivo Tonet.









[1] www.significados.com.br / em 02/04/2015, às 23h15.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Policarpo Quaresma, um nacionalista

Policarpo Quaresma, um nacionalista


Em Triste Fim de Policarpo Quaresma, o autor Lima Barreto ao longo da história exalta a paixão do protagonista da obra para com a Pátria Brasileira. Um nacionalista nato, uma pessoa que buscava de todas as formas defender seu país e, incondicionalmente defendia suas riquezas e a bonança de suas terras. Na concepção do Major Quaresma, como era conhecido Policarpo, a cultura brasileira através das modinhas, as suas terras fecundas, onde de acordo com ele em outras palavras afirmava que aqui se plantando tudo dá, a credibilidade com que tratava o comandante do país através de seu presidente Floriano Peixoto, ao qual ofereceu seus serviços em prol da Pátria frente as ameaças revolucionárias dos marinheiros, realmente um nacionalista patriota.
O livro de Lima Barreto é tomado de verossimilhança dotado de detalhes que o tornam verdadeiro para o leitor, o bairro onde Policarpo morava, dando a feição de local cercado de militares ou pessoas envolvidas com as forças armadas, a sua nova morada em vila do Sossego, onde a sua gana por ver o fruto brotar da terra brasileira que tanto ama e é um grande propagador de suas riquezas, Policarpo envolve o leitor com seu nacionalismo quase cego e que aos poucos vai o elucidando com as desilusões adquiridas através do preconceito em se tornar amigo de Ricardo Coração dos Outros e buscar o aprendizado de modinhas ao violão, fato que é criticado em sua própria casa pela irmã Adelaide, com quem morava, pois ambos eram solteirões – “- Mas você está muito enganada, mana. É preconceito supor-se que todo o homem que toca violão é um desclassificado. A modinha é a mais genuína expressão da poesia nacional e o violão é o instrumento que ela pede”(p. 2).
 Todas as ações de Policarpo Quaresma tem uma causa, o seu amor à pátria e, desencadeiam em conseqüências, como ser ridicularizado ao enviar carta ao congresso solicitando a implantação do Tupy Guarany  como a língua oficial brasileira, fato que lhe resultou em uma internação no hospício, o preconceito aos seu requerimento e às modinhas são percebidos em diálogo entre os oficiais  e vizinhos Genelício e Albernaz: –“ Mas você está muito enganada, mana. É preconceito supor-se que todo o homem que toca violão é um desclassificado. A modinha é a mais genuína expressão da poesia nacional e o violão é o instrumento que ela pede”(p. 21).
 Partindo ao interior do Brasil ele percebe o descaso para com o agricultor do local, o desleixo dos administradores da pequena cidade e do próprio Governo Federal para com a agricultura. Quaresma, já percebendo os erros da política nacional que obstruem o progresso do país, ao se apresentar ao presidente Floriano o entrega um documento e o explana com muita esperança de que o mandatário irá fazer acontecer suas reivindicações em prol da agricultura – “- Vê Vossa Excelência como é fácil erguer este país. Desde que se cortem todos aqueles empecilhos que eu apontei, no memorial que Vossa Excelência teve a bondade de ler; desde que se corrijam os erros de uma legislação defeituosa e inadaptável às condições do país, Vossa Excelência verá que tudo isto muda, que, em vez de tributários, ficaremos com a nossa independência feita...”(p. 83).
O nacionalismo de Policarpo o vincula ao território brasileiro de diversas formas, ele possui uma biblioteca em casa somente com obras nacionais; busca o aprendizado e o conhecimento das modinhas da época; aprende o Tupy Guarani e o pleiteia como língua oficial; parte para o interior, acreditando piamente em sua fecundidade espontânea, adquirindo um sítio abandonado em Curuzu; ao saber da possibilidade da guerra e de que o exército precisaria angariar soldados ele se apresenta para servir a sua nação, inclusive pagando para ser o então Major, título do qual carregava como pseudônimo; amou tanto a sua terra até os últimos dias de sua vida, embora tenha sido declarado traidor ao final da revolução, sendo enviado à prisão na ilha para o seu “Triste Fim”.


Fonte imagem: www.umapergunta.com  

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domingo, 29 de março de 2015


LOBATO, Monteiro. Nos domínios da sintaxe. Emília no País da gramática, Cap. XIX. Círculo do Livro S.A: São Paulo, Brasil. 94 p.
Resenhado por Gilberto Machado

Monteiro Lobato em “Emília no País da Gramática” nos mostra uma forma engraçada e lúdica de ensinar, através de uma estória com seus personagens do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, seu clássico literário que acabou nas telas da televisão.Os personagens Pedrinho, Narizinho, Emília e o Visconde de Sabugosa, viveram uma aventura com o rinoceronte “Quindim”, que recebera este pseudônimo de Emília. O quadrúpede levou-os ao País da Gramática, onde exploraram a cidade de Portugália, onde estavam as palavras da Língua Portuguesa.
No capítulo XIX - “Nos domínios da Sintaxe”, eles encontram o bairro da Sintaxe, dividido em duas zonas, a da Lexiologia, onde as palavras viviam soltas e a da Sintaxe, onde as palavras andavam em família, ou seja, uma oração. Em uma das primeiras lições que tomaram, foi a de que a oração leva na frente da família o sujeito e depois o predicado. E o predicado é o que se diz do sujeito e a importância do sujeito é bem destacada, eles, são os termos essenciais da oração. Destaca também os termos integrantes da oração, para que haja a concordância na construção da frase. Assim explica-se o uso do complemento verbal, do objeto direto e do objeto indireto, dos termos acessórios; o adjunto adnominal completando qualificando e determinando o substantivo e o adjunto adverbial,complementando e qualificando o verbo.
Às voltas com as palavras e classes gramaticais, os personagens se deparam com a própria Senhora Sintaxe, a qual lhes fala de sua importância na cidade de Portugália, no País da Gramática, de seu ofício de passar a vida fiscalizando a concordância das orações, ajustando as palavras – “Minha vida aqui é o que se vê. Tenho de estar fiscalizando todas estas senhoritas para que a cidade não vire salada de batatas. As frases que andam com a concordância na regra tornam-se claras como água da fonte -  e a clareza é a maior qualidade que existe. Tenho também de cuidar da colocação ou da ordem das palavras na frase” – disse a senhora Sintaxe.
Ao fazer o uso destas comparações entre as palavras e orações serem a população de um país, o autor prepara não somente o estudante da gramática, mas também o professor para esta forma de interagir com seu aluno, através de uma estória fictícia que trata da lição ao estudante, tornando o ensino menos monótono para ambos.
Em suma, Lobato nos apresenta nesta obra um envolvimento não somente dos personagens, bem como do leitor, que ao viajar por este país imaginário, suas cidades e bairros, acaba por absorver o tema proposto. Neste capítulo, todas as nuances da sintaxe são expostas ao leitor; como a aplicação de sujeito e predicado, a colocação correta dos verbos, a qualificação das frases,  a nominação das regras de ordem direta(sujeito antes do verbo) e inversa(verbo antes do sujeito nas frases optativas e imperativas) nas orações,  colocação dos pronomes para uma formação mais adequada da oração diante deles, o sujeito e o verbo, denominando suas nomenclaturas perante a gramática normativa; pronome Proclítico, Enclítico e Mesoclítico.
A arte de Lobato é um misto de recreação, interação, até a absorção do conteúdo da gramática, uma forma de aperfeiçoamento de nossa comunicação com a função sintática correta  no uso da língua materna. O seu objetivo fica bem claro em Emília no País da Gramática, através de sua obra, utilizando de seus mais conhecidos personagens ele envolve o leitor em um aprendizado leve e tomado pela magia da literatura infanto-juvenil, com sua ficção que motiva o imaginário de seus leitores.
A obra é direcionada a estudantes, professores e público em geral, recomendo pela forma lúdica que passa o conteúdo tanto para acadêmicos quanto para estudantes de níveis inicias.


Imagem: www.elo7.com.br acessada em 29.03.2015 às 22h26min.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Em “Educação no Brasil, Concepções e Desafios para o Século XXI” – Demerval Saviani inicialmente faz um relato histórico e evolutivo dos programas nacionais para a educação no Brasil.
O relato nos faz pensar e refletir nos avanços que tivemos com o passar dos anos e com tudo o que deve ser aprimorado de acordo com Saviani. O autor identificou as tendências que se manifestaram ao longo da história e também levou em conta o aspecto propriamente pedagógico, identificando as principais correntes pedagógicas e ainda considerando a função social desempenhada ao longo do tempo na área.
Fica comprovado, através de relatos do autor, da necessidade da alteração na legislação brasileira no que tange ao montante de recursos a serem investidos na educação, como sendo o principal passo para enfrentarmos os desafios da educação no século XXI. Pois, de acordo com Saviani, a duplicação dos investimentos seria a grande saída para a busca de uma educação ao estilo dos modelos Europeu e Americano.
Na concepção de educação destaca-se que o sistema veio a colocar a educação escolar como a forma principal e dominante da educação, por isso devem ser ampliados os recursos para a educação em todos os níveis para e buscar a excelência em todos os níveis, das creches às universidades, aos moldes do que já ocorre em algumas instituições de Ensino Superior Federal.
Voltando ao relato histórico e evolutivo da educação no país, têm-se a plena ideia do que era a tese de educação do período ditatorial brasileiro, onde o lema era “ensino secundário para nossos filhos e ensino profissional para os filhos dos outros”, uma forma totalmente discriminatória das classes que recebiam a educação no início dos anos 70, com a Lei 5692. Em texto da mesma lei também era introduzida a orientação profissional para todas as classes, para em lugares com muita evasão, os mínimos conhecimentos profissionais para o mercado de trabalho poderiam já ser úteis, ao invés de incentivar uma permanecia nos bancos escolares, mantendo a desigualdade e a conversão do slogan para “terminalidade legal para os nossos filhos e terminalidade real para os filhos dos outros”.
Devemos nos atentar que o texto de Demerval Saviani data de novembro de 2000, omitindo portanto as possíveis alterações até os dias atuais, porém as dificuldades não tiveram grande alteração e a política de aumento de investimentos do PIB de 4% (na data do texto) para 8% seria um grande passo para a nossa educação enfrentar os desafios deste século.

Fundamentos da Educação II
Debate:
As concepções pedagógicas na história da educação brasileira
Demerval Saviani
O texto de Demerval Saviani muito rico no que tange a explicitar as diferentes concepções de pedagogia adotadas ao longo da história de nossa educação.
Se tomarmos por base as duas grande concepções: Tradicional e Progressista, poderemos notar ao longo do texto do autor de que ambas são e foram extremamente necessárias ao desenvolvimento do ensino em nossos país. A pedagogia Tradicional, iniciada com a colonização portuguesa que introduziu os Jesuítas para catequizar os índios brasileiros tem reflexos até nossos dias nos bancos escolares brasileiros. A pedagogia Tradicional  Religiosa tão bem difundida e estabelecida como um padrão por longos anos no Brasil, teve seus dois grandes nomes,  que foram José de Anchieta e Nóbrega, com forte idéia pedagógica do primeiro e de logística das escolas no segundo.
Em seguida com o Ratio Studiorum as idéias pedagógicas foram conhecidas na modernidade como Pedagogia Tradicional, estabelecendo suas regras para todos os níveis de ensino.
Com as reformas pombalinas da instrução a expulsão dos jesuítas cria-se outro marco na educação instituindo um privilégio do Estado em gerir a educação de forma laica influenciada pelo iluminismo.
A evolução da pedagogia  ao longo dos anos seguindo-se o surgimento da concepção pedagógica renovadora, com a fundação da ABE, Associação Brasileira de Educação, as conferencias nacionais de educação, o Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, com a concepção de Anísio Teixeira de “a escola é o retrato da sociedade a que serve”(TEIXEIRA, 1968, p.37).
Ao longo dos tempos, a forma evolutiva com que Saviani relata em seu texto resume-se a explanação das diferentes correntes pedagógicas e concepções a que elas levaram as instituições e governos a executar seus planos pedagógicos, dos Jesuítas ao século XXI; a própria pedagogia jesuítica, pombalina, lancasteriana, do ensino intuitivo, libertária e libertadora. O próprio Saviani afirma na conclusão (p. 26) é de que são poucos os trabalhos levados a efeito no âmbito do HISTERDBR sobre concepções pedagógicas concentrando-se em um relato histórico.
Em suma, após a saída dos Jesuítas do cenário educacional brasileiro criou-se uma lacuna a ser preenchida somente após a criação da 1ª LDB, Lei de Diretrizes e Bases em 1961, sendo introduzidas aos poucos no Brasil a Escola Nova e embriões da  Pedagogia Progressista.


Foto: - Turma de concluentes do Ensino Fundamental EMFA Sarandi