sexta-feira, 24 de abril de 2015

Análises do Modernismo dos poemas de Manuel Bandeira

  Sobre o poema “Pneumotórax”, após ler o referido e algumas colocações na internet, notei que o eu lírico, apesar de ser em um momento de modernista, aparece mesmo que de forma subliminar, pois não há a identificação de que o “doente” é Manuel Bandeira, porém se pesquisar você saberá que ele estava vivendo a doença da tuberculose e apesar de poetizar algo que era terrível para si mesmo, ele relata o que estava passando e, no caso de um pneumotórax a sua vida seria abreviada.
  Portanto, mesmo que tragicômico ele escancara uma terrível mazela da saúde pública da época, os surtos de tuberculose e as baixas perspectivas de vida da sociedade, ou seja, escancara problemas seus e de da época, características bem definidas do modernismo, o abalo, o choque e o incomum.

  Algo semelhante ocorre como João Gostoso, personagem do “Poema Tirado de uma Notícia de jornal” ele tem uma vida medíocre e o seu final é medíocre e trágico, ou seja uma pessoa sem perspectiva alguma de sucesso na vida que tem um precoce fim; tudo relatado de alguma forma eternizada como poema, pois apenas como notícia de jornal, como Bandeira sugerira seria um caso a ser esquecido e o João Gostoso era um representante de uma classe que estava à margem da sociedade burguesa relatada de formas métricas em obras de outras escolas literárias passadas, anteriores ao Modernismo.

Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
– Diga trinta e três.
– Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
– Respire.
..............................................................
– O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
– Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
– Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Poema tirado de uma notícia de jornal"
João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barraco sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
 
(In: Libertinagem, de Manuel Bandeira)

terça-feira, 21 de abril de 2015

Análise do texto Filosofia da Educação e formação de professores no velho dilema entre teoria e prática

O texto de Amarildo Luiz Trevisan apresenta propostas para superar o dilema entre a teoria e a prática na formação de professores citando diversos pensadores da área que expressam suas experiências em pesquisa sobre o tema proposto.
Trevisan detalha nos pensamentos expostos o significado e a significância da teoria do reconhecimento do outro, que por muitos é defendida. O autor traça diferenças entre a pedagogia que valoriza a competência e a que privilegia a qualificação destacando uma delas como o eixo central na atual reforma curricular das licenciaturas, especificando o porquê desta definição.A discussão da inserção do estágio supervisionado já nas fases iniciais da formação de professores no processo de licenciatura é debatida na pesquisa de Trevisan, que aponta de acordo com os teóricos como sendo uma questão polemizada na formação, pois há quem a defenda e outros não, porém é uma das formas de aliar a teoria e a prática aproximando-as ou distanciando-as conforme a antecipação ou retardo deste processo de estágio supervisionado na formação de docentes.
Estudos chamam a atenção da importância do conceito de informação em sentido amplo e o dilema entre a teoria e a prática onde elas tornam-se um dos principais eixos articuladores da formação com a realidade dos professores. Trevisan coloca de forma genial a afirmação de que a formação do professor não pode ficar refém de uma pretensa teoria e menos ainda do lado simples da prática, o que seria conforme o autor, uma forma de tencionar o problema. (TREVISAN, 2011.p.198).
“O professor pode produzir conhecimento através da prática, desde que a investigação reflita intencionalmente sobre ela, problematizando os resultados obtidos com o suporte da teoria. E, portanto, como pesquisador de sua própria prática”. (PIMENTA, 2006, p.43)

Trevisan deixa claro que basear-se em uma simples prática seria uma forma de projetar o problema da formação. A proposta defendida por ele é que as dificuldades nas políticas de formação de professores em aliar a teoria à prática, privilegiando a prática, como no caso de antecipar o estágio supervisionado, por exemplo. Ações como essa podem apenas significar uma passagem de teorias de uma a outra, ou seja, da normativa para a explicativa. E como segunda proposta Trevisan defende a tese da teoria do reconhecimento social do outro, com o intuito de despertar o que ele chama de pássaro de Minerva, citando Hegel – “Quando as sombras da noite começam a cair é que levanta voo o pássaro de Minerva”. (HEGEL, 1986, p. 15). Nesse ponto temos a conquista do voo do reconhecimento, denunciando a submissão aos estreitamentos reflexivos implantados na formação de professores.
A chamada filosofia Hegeliana é dada neste estudo de Trevisan, citando Ítalo Testa, como a própria Teoria do Reconhecimento que é definida por ele como a entrada no mundo espiritual deixando um estado de natureza, (TESTA 2008, p.114). O que se pode dizer é que se promove uma articulação dialética das tendências agressiva e cooperativa do ser.Esta teoria de Hegel seria que o reconhecimento é o conceito intermediário entre prática e conceito, contemplando uma interação entre estes elementos da formação de professores.
Em detrimento ao exposto acima, vale ressaltar que é ponto importante que analisemos as ideias e talvez função do reconhecimento social do outro nos remetendo a pensar que essa Filosofia da Educação inspirada nestes contornos, nos remete a um sentido que nos prepara ou habilita para servir em um ensino mais completo, preparando o terreno para que não tenhamos irregularidades quanto à compreensão do processo. Em ambos os lados, professor e escola não pode haver subserviência: percebemos que a escola, universidade deve evitar encontrar saídas ou subterfúgios para deixar de lado a relação como simplesmente formar alunos. É importante lembrar e aqui é uma reflexão do grupo, constatamos que a questão competência acaba não substituindo a noção de qualificação, existindo entre elas uma grande diferenciação. O que percebemos é que a competência das pedagogias, prima pelo construtivismo, priorizando o universo subjetivo quanto à aquisição de conhecimentos, e ainda nas abordagens interdisciplinares, deixando de lado as dimensões sociais e históricas do processo educativo, procurando aproximar educação e trabalho. Já o conceito de qualificação vem regular as relações de trabalho quando do campo da educação. Podemos entender que ela busca modelos flexíveis e diferentes, todos relacionados a pratica do trabalho em geral e não apenas ao exercício de certa ocupação.Buscando a objetividade e o entendimento destes pontos, percebemos que a qualificação tem seu inicio na teoria e a competência das pedagogias é o reconhecimento do saber pela prática.
Por outro lado para que possamos ter um intermediador e evolução desses processos de competências pedagógicas e qualificação, é de suma importância que a escola esteja ciente que precisa ter uma responsabilidade maior no que diz respeito à formação de estagiários, seus futuros educadores. O importante neste processo é que ambos se encontrem e se completem, pois cada um se reconhece na identidade do outro, aquilo que chamamos por empatia.  Recordemos que é necessário que haja confrontos ou lutas de reconhecimento entre ambos os estágios, de forma igualitária nas interlocuções e sem falar é claro no que se referem os complementos e consensos, pontos importantes e básicos no reconhecimento social do outro. É evidente que a mistura dessas pedagogias, aliadas ao reconhecimento social do outro, acabam por dar um caminho mais claro nos que refere ao processo educação. Entendemos que não existe uma receita exata, pois, a ideal filosofia da educação que converge para a teoria e prática, é um processo em construção e evolução. Lembremos que a qualificação começa pela teoria e a competência pela prática. O fato é que nem um nem outro acaba por atender as demandas pedagógicas, por apenas ter um foco nos seus extremos. Desta forma a importância do reconhecimento social do outro.
Para concluir nossa análise, entendemos que a teoria do reconhecimento nos remete as alternativas de caminhos a serem seguidos, lembremos que quando existe um confronto entre dois extremos, é claro que podem a partir deste debate termos como extrair questões que podem ser respondidas. Vale ressaltar, a teoria do reconhecimento acaba sendo uma espécie de interlocutor de um modo em que articula as ideias em uma base de enfrentamento das duas extremidades entre professor e aluno, não deixando dúvidas que a partir desta reflexão podem existir novas caminhadas passíveis de novas pesquisas.
Referências

TREVISAN, A.L. Filosofia da educação e formação de professores no velho dilema entre a teoria e prática.


Alunos UAB-FURG -LETRAS - PORTUGUÊS/ESPANHOL - Polo Sarandi
Gilberto Machado, Giancarlo Barros e Karina Marzani

sábado, 11 de abril de 2015

Moacir Gadotti – Desafios para a Era do Conhecimento –
Filme Tempos Modernos – Charles Chaplin

O autor aborda as mudanças no início do século XXI as expectativas e perplexidades mediante a globalização, expira dose cautelar no  campo da educação.
Gadotti questiona o caminho a tomar neste novo século, ele observa que as tecnologias atuais estão todas baseadas em uma perspectiva atuais. As perspectivas teóricas podem desaparecer ou surgirem novas. Para entender o futuro é preciso estudar o passado, portanto alguns marcos vividos na educação podem perdurar e outros desaparecerem.
O autor enfatiza a simbiose entre o tradicional e o novo, mantendo o “aprender fazendo” na concepção tradicional ou pedagogia nova. Na segunda metade do século XX os planos de educação diminuíram os custos e aumentaram os benefícios. No final do século XX a globalização deu novo impulso à idéia de uma educação igual para todos com parâmetro curricular comum.
Cria-se a nova cultura, a cultura digital, surge a EaD  ao final do século XX. Para Gadotti, a função da escola será a pensar unicamente paradigmas holistas. É a complexidade e holismo valorizando a singularidade ao entorno do vivente.
Correlacionando com o filme de Chaplin, “Tempos Modernos” expressa bem o domínio do capital, da industrialização sobre o proletariado, expõe as manifestações comunistas e a repreensão sofrida, as injustiças nas prisões, sem qualquer tipo de defesa dos réus, a pobreza criada com o fim de algumas atividades com o advento da Revolução Industrial.
Voltando à Gadotti, no tópico “Educação Popular” há um domínio governamental neste processo, o prender é a partir do conhecimento do sujeito ensinado a partir de palavras e termos geradores, educação sendo um ato de conhecimento e transformação social ato de conhecimento e transformação social. Citando Paulo Freire e seu projeto Escola Cidadã, correlacionando mercado-escola-sociedade.
Seja qual for a perspectiva que a educação tomar no século XXI, a educação voltada ao futuro pró-educação contestadora – a pedagogia do Praxis. Está em andamento a Revolução da Informação e é com esta revolução que se tem que tratar agoa a adequar a educação, fazer dela uma aliada.



sexta-feira, 3 de abril de 2015

Debate de teorias pedagógicas, baseado em Newton Duarte e Ivo Tonet

“O debate contemporâneo das teorias pedagógicas”, Newton Duarte.
A ausência da perspectiva de superação da sociedade capitalista:
Esta ausência é refletida através do aumento dos problemas sociais e a visão destas pedagogias, de acordo com o autor são ilusórias e com visão errônea e idealista. Duarte discorda que da educação para uma prevenção dos problemas mais causados pelo capitalismo, como a violência e destruição ambiental e o desemprego. A pedagogia explicita adepta ao capitalista é exemplificada por Duarte pelo idealismo de que é acreditado em um ensino que ensine enfrentar a competitividade do mercado e imbuídos do espírito de solidariedade social. Uma forma bem capitalista de se pensar sem uma perspectiva de superação desta filosofia. A visão idealista citada pelo autor, é usada como referencia à sua adesão à sociedade capitalista.
Paradoxo entre competitividade  e espírito solidário:
 Este tema é praticamente impossível andar em conjunto, pois, citando Marx o autor exemplifica com a teoria marxista de desenvolvimento do lado criativo humano. Sendo esta uma forma solidária, porém, no contexto capitalista isto é de certa forma no embate da competitividade entre os indivíduos em busca do crescimento do capital. Toda e qualquer pedagogia que concentre um desenvolvimento do indivíduo não estará ausente do propósito da competitividade deste com outrem em detrimento de espírito solidário.
Relativismo epistemológico e cultural:
Levando em consideração o significado de algo que é epistemológico [1], ou seja, algo que provoca duas posições, uma empirista no que diz que o conhecimento deve ser baseado na experiência, o que for aprendido durante a vida e a posição racionalista, que prega que a fonte do conhecimento se encontra na razão e não na experiência.
O relativismo epistemológico e cultural no texto “O debate contemporâneo da teorias pedagógicas”, de Newton Duarte, estabelece pontos de ligação entre as  teorias e pontos distantes,   criando um certo relativismo entre as mesmas devido a forma hegemônica da pedagogia do aprender com negação à educação tradicional, com negação às formas clássicas de educação escolar.
“Educar para a cidadania ou para a liberdade”, Ivo Tonet
Categorias importantes no processo de autoconstrução do homem. Emancipação política (cidadania) e emancipação humana. Analiso a seguinte relacionalidade com o tipo de trabalho que as sustentam:
Tonet cita que o processo do sistema tende a deixar o homem cada vez mais heterogêneo, diversificado e multifacetado e, ao mesmo tempo, mais unitário relacionando esta posição com a problemática  da educação, destacando que esta é uma perspectiva Marxista.
A participação do indivíduo cada vez maior no processo social é enfatizada com uma ascensão política do indivíduo. Para a inserção no meio social é determinante para a emancipação política.
A correlação entre um ser emancipado humana e politicamente seria o complemento de um ser totalmente sociável solucionando a problemática da cidadania sendo que em cima disso o texto tem algo semelhante quando Tonet escreve que - “...a cisão entre a vida social e a vida política surge quando a humanidade se divide em classes sociais, como conseqüência, a preparação dessa cisão amplia a eliminação das classes sociais e da propriedade privada”, baseando-se na teoria de Marx.
Apesar de afirmar que não existem modelos nem receitas para a realização das potencialidades amplas do ser humano, Tonet destaca cinco requisitos indispensáveis em atividades educativas voltadas para a emancipação humana, a ausência de um domínio sólido, pode desnortear esta atividade educativa emancipadora. O conhecimento do processo histórico, real, universal e particular sendo a educação um conjunto da sociabilidade, a ação educativa não deve ser isolada. Esclarecer as reais atribuições do processo educacional e o posicionamento com questões de recursos de educação, se neutra, engajada, diretiva ou não, privilégio ao conteúdo ou método centrar-se na figura do aluno ou do professor. Para a sua emancipação o indivíduo deve ter o conhecimento e o domínio das diversas áreas do conteúdo escolar.
O quinto requisito abordado por Tonet para a emancipação humana seria a articulação da atividade educativa com as lutas das classes subalternas com posições na estrutura produtiva e transmitir o conhecimento mais avançado , qualifica Ivo Tonet.









[1] www.significados.com.br / em 02/04/2015, às 23h15.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Policarpo Quaresma, um nacionalista

Policarpo Quaresma, um nacionalista


Em Triste Fim de Policarpo Quaresma, o autor Lima Barreto ao longo da história exalta a paixão do protagonista da obra para com a Pátria Brasileira. Um nacionalista nato, uma pessoa que buscava de todas as formas defender seu país e, incondicionalmente defendia suas riquezas e a bonança de suas terras. Na concepção do Major Quaresma, como era conhecido Policarpo, a cultura brasileira através das modinhas, as suas terras fecundas, onde de acordo com ele em outras palavras afirmava que aqui se plantando tudo dá, a credibilidade com que tratava o comandante do país através de seu presidente Floriano Peixoto, ao qual ofereceu seus serviços em prol da Pátria frente as ameaças revolucionárias dos marinheiros, realmente um nacionalista patriota.
O livro de Lima Barreto é tomado de verossimilhança dotado de detalhes que o tornam verdadeiro para o leitor, o bairro onde Policarpo morava, dando a feição de local cercado de militares ou pessoas envolvidas com as forças armadas, a sua nova morada em vila do Sossego, onde a sua gana por ver o fruto brotar da terra brasileira que tanto ama e é um grande propagador de suas riquezas, Policarpo envolve o leitor com seu nacionalismo quase cego e que aos poucos vai o elucidando com as desilusões adquiridas através do preconceito em se tornar amigo de Ricardo Coração dos Outros e buscar o aprendizado de modinhas ao violão, fato que é criticado em sua própria casa pela irmã Adelaide, com quem morava, pois ambos eram solteirões – “- Mas você está muito enganada, mana. É preconceito supor-se que todo o homem que toca violão é um desclassificado. A modinha é a mais genuína expressão da poesia nacional e o violão é o instrumento que ela pede”(p. 2).
 Todas as ações de Policarpo Quaresma tem uma causa, o seu amor à pátria e, desencadeiam em conseqüências, como ser ridicularizado ao enviar carta ao congresso solicitando a implantação do Tupy Guarany  como a língua oficial brasileira, fato que lhe resultou em uma internação no hospício, o preconceito aos seu requerimento e às modinhas são percebidos em diálogo entre os oficiais  e vizinhos Genelício e Albernaz: –“ Mas você está muito enganada, mana. É preconceito supor-se que todo o homem que toca violão é um desclassificado. A modinha é a mais genuína expressão da poesia nacional e o violão é o instrumento que ela pede”(p. 21).
 Partindo ao interior do Brasil ele percebe o descaso para com o agricultor do local, o desleixo dos administradores da pequena cidade e do próprio Governo Federal para com a agricultura. Quaresma, já percebendo os erros da política nacional que obstruem o progresso do país, ao se apresentar ao presidente Floriano o entrega um documento e o explana com muita esperança de que o mandatário irá fazer acontecer suas reivindicações em prol da agricultura – “- Vê Vossa Excelência como é fácil erguer este país. Desde que se cortem todos aqueles empecilhos que eu apontei, no memorial que Vossa Excelência teve a bondade de ler; desde que se corrijam os erros de uma legislação defeituosa e inadaptável às condições do país, Vossa Excelência verá que tudo isto muda, que, em vez de tributários, ficaremos com a nossa independência feita...”(p. 83).
O nacionalismo de Policarpo o vincula ao território brasileiro de diversas formas, ele possui uma biblioteca em casa somente com obras nacionais; busca o aprendizado e o conhecimento das modinhas da época; aprende o Tupy Guarani e o pleiteia como língua oficial; parte para o interior, acreditando piamente em sua fecundidade espontânea, adquirindo um sítio abandonado em Curuzu; ao saber da possibilidade da guerra e de que o exército precisaria angariar soldados ele se apresenta para servir a sua nação, inclusive pagando para ser o então Major, título do qual carregava como pseudônimo; amou tanto a sua terra até os últimos dias de sua vida, embora tenha sido declarado traidor ao final da revolução, sendo enviado à prisão na ilha para o seu “Triste Fim”.


Fonte imagem: www.umapergunta.com  

Novo Site Rede Sul


Parabéns Rede Sul pelo belo e amplo site.
Merece ser visitado.
http://www.redesul.am.br/noticias/especiais/30-03-2015/redesul-de-radio-lanca-novo-portal-de-noticias


domingo, 29 de março de 2015


LOBATO, Monteiro. Nos domínios da sintaxe. Emília no País da gramática, Cap. XIX. Círculo do Livro S.A: São Paulo, Brasil. 94 p.
Resenhado por Gilberto Machado

Monteiro Lobato em “Emília no País da Gramática” nos mostra uma forma engraçada e lúdica de ensinar, através de uma estória com seus personagens do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, seu clássico literário que acabou nas telas da televisão.Os personagens Pedrinho, Narizinho, Emília e o Visconde de Sabugosa, viveram uma aventura com o rinoceronte “Quindim”, que recebera este pseudônimo de Emília. O quadrúpede levou-os ao País da Gramática, onde exploraram a cidade de Portugália, onde estavam as palavras da Língua Portuguesa.
No capítulo XIX - “Nos domínios da Sintaxe”, eles encontram o bairro da Sintaxe, dividido em duas zonas, a da Lexiologia, onde as palavras viviam soltas e a da Sintaxe, onde as palavras andavam em família, ou seja, uma oração. Em uma das primeiras lições que tomaram, foi a de que a oração leva na frente da família o sujeito e depois o predicado. E o predicado é o que se diz do sujeito e a importância do sujeito é bem destacada, eles, são os termos essenciais da oração. Destaca também os termos integrantes da oração, para que haja a concordância na construção da frase. Assim explica-se o uso do complemento verbal, do objeto direto e do objeto indireto, dos termos acessórios; o adjunto adnominal completando qualificando e determinando o substantivo e o adjunto adverbial,complementando e qualificando o verbo.
Às voltas com as palavras e classes gramaticais, os personagens se deparam com a própria Senhora Sintaxe, a qual lhes fala de sua importância na cidade de Portugália, no País da Gramática, de seu ofício de passar a vida fiscalizando a concordância das orações, ajustando as palavras – “Minha vida aqui é o que se vê. Tenho de estar fiscalizando todas estas senhoritas para que a cidade não vire salada de batatas. As frases que andam com a concordância na regra tornam-se claras como água da fonte -  e a clareza é a maior qualidade que existe. Tenho também de cuidar da colocação ou da ordem das palavras na frase” – disse a senhora Sintaxe.
Ao fazer o uso destas comparações entre as palavras e orações serem a população de um país, o autor prepara não somente o estudante da gramática, mas também o professor para esta forma de interagir com seu aluno, através de uma estória fictícia que trata da lição ao estudante, tornando o ensino menos monótono para ambos.
Em suma, Lobato nos apresenta nesta obra um envolvimento não somente dos personagens, bem como do leitor, que ao viajar por este país imaginário, suas cidades e bairros, acaba por absorver o tema proposto. Neste capítulo, todas as nuances da sintaxe são expostas ao leitor; como a aplicação de sujeito e predicado, a colocação correta dos verbos, a qualificação das frases,  a nominação das regras de ordem direta(sujeito antes do verbo) e inversa(verbo antes do sujeito nas frases optativas e imperativas) nas orações,  colocação dos pronomes para uma formação mais adequada da oração diante deles, o sujeito e o verbo, denominando suas nomenclaturas perante a gramática normativa; pronome Proclítico, Enclítico e Mesoclítico.
A arte de Lobato é um misto de recreação, interação, até a absorção do conteúdo da gramática, uma forma de aperfeiçoamento de nossa comunicação com a função sintática correta  no uso da língua materna. O seu objetivo fica bem claro em Emília no País da Gramática, através de sua obra, utilizando de seus mais conhecidos personagens ele envolve o leitor em um aprendizado leve e tomado pela magia da literatura infanto-juvenil, com sua ficção que motiva o imaginário de seus leitores.
A obra é direcionada a estudantes, professores e público em geral, recomendo pela forma lúdica que passa o conteúdo tanto para acadêmicos quanto para estudantes de níveis inicias.


Imagem: www.elo7.com.br acessada em 29.03.2015 às 22h26min.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Em “Educação no Brasil, Concepções e Desafios para o Século XXI” – Demerval Saviani inicialmente faz um relato histórico e evolutivo dos programas nacionais para a educação no Brasil.
O relato nos faz pensar e refletir nos avanços que tivemos com o passar dos anos e com tudo o que deve ser aprimorado de acordo com Saviani. O autor identificou as tendências que se manifestaram ao longo da história e também levou em conta o aspecto propriamente pedagógico, identificando as principais correntes pedagógicas e ainda considerando a função social desempenhada ao longo do tempo na área.
Fica comprovado, através de relatos do autor, da necessidade da alteração na legislação brasileira no que tange ao montante de recursos a serem investidos na educação, como sendo o principal passo para enfrentarmos os desafios da educação no século XXI. Pois, de acordo com Saviani, a duplicação dos investimentos seria a grande saída para a busca de uma educação ao estilo dos modelos Europeu e Americano.
Na concepção de educação destaca-se que o sistema veio a colocar a educação escolar como a forma principal e dominante da educação, por isso devem ser ampliados os recursos para a educação em todos os níveis para e buscar a excelência em todos os níveis, das creches às universidades, aos moldes do que já ocorre em algumas instituições de Ensino Superior Federal.
Voltando ao relato histórico e evolutivo da educação no país, têm-se a plena ideia do que era a tese de educação do período ditatorial brasileiro, onde o lema era “ensino secundário para nossos filhos e ensino profissional para os filhos dos outros”, uma forma totalmente discriminatória das classes que recebiam a educação no início dos anos 70, com a Lei 5692. Em texto da mesma lei também era introduzida a orientação profissional para todas as classes, para em lugares com muita evasão, os mínimos conhecimentos profissionais para o mercado de trabalho poderiam já ser úteis, ao invés de incentivar uma permanecia nos bancos escolares, mantendo a desigualdade e a conversão do slogan para “terminalidade legal para os nossos filhos e terminalidade real para os filhos dos outros”.
Devemos nos atentar que o texto de Demerval Saviani data de novembro de 2000, omitindo portanto as possíveis alterações até os dias atuais, porém as dificuldades não tiveram grande alteração e a política de aumento de investimentos do PIB de 4% (na data do texto) para 8% seria um grande passo para a nossa educação enfrentar os desafios deste século.

Fundamentos da Educação II
Debate:
As concepções pedagógicas na história da educação brasileira
Demerval Saviani
O texto de Demerval Saviani muito rico no que tange a explicitar as diferentes concepções de pedagogia adotadas ao longo da história de nossa educação.
Se tomarmos por base as duas grande concepções: Tradicional e Progressista, poderemos notar ao longo do texto do autor de que ambas são e foram extremamente necessárias ao desenvolvimento do ensino em nossos país. A pedagogia Tradicional, iniciada com a colonização portuguesa que introduziu os Jesuítas para catequizar os índios brasileiros tem reflexos até nossos dias nos bancos escolares brasileiros. A pedagogia Tradicional  Religiosa tão bem difundida e estabelecida como um padrão por longos anos no Brasil, teve seus dois grandes nomes,  que foram José de Anchieta e Nóbrega, com forte idéia pedagógica do primeiro e de logística das escolas no segundo.
Em seguida com o Ratio Studiorum as idéias pedagógicas foram conhecidas na modernidade como Pedagogia Tradicional, estabelecendo suas regras para todos os níveis de ensino.
Com as reformas pombalinas da instrução a expulsão dos jesuítas cria-se outro marco na educação instituindo um privilégio do Estado em gerir a educação de forma laica influenciada pelo iluminismo.
A evolução da pedagogia  ao longo dos anos seguindo-se o surgimento da concepção pedagógica renovadora, com a fundação da ABE, Associação Brasileira de Educação, as conferencias nacionais de educação, o Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, com a concepção de Anísio Teixeira de “a escola é o retrato da sociedade a que serve”(TEIXEIRA, 1968, p.37).
Ao longo dos tempos, a forma evolutiva com que Saviani relata em seu texto resume-se a explanação das diferentes correntes pedagógicas e concepções a que elas levaram as instituições e governos a executar seus planos pedagógicos, dos Jesuítas ao século XXI; a própria pedagogia jesuítica, pombalina, lancasteriana, do ensino intuitivo, libertária e libertadora. O próprio Saviani afirma na conclusão (p. 26) é de que são poucos os trabalhos levados a efeito no âmbito do HISTERDBR sobre concepções pedagógicas concentrando-se em um relato histórico.
Em suma, após a saída dos Jesuítas do cenário educacional brasileiro criou-se uma lacuna a ser preenchida somente após a criação da 1ª LDB, Lei de Diretrizes e Bases em 1961, sendo introduzidas aos poucos no Brasil a Escola Nova e embriões da  Pedagogia Progressista.


Foto: - Turma de concluentes do Ensino Fundamental EMFA Sarandi




sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Machado de Assis, o maior do Brasil

Machado de Assis, 
Através do documentário: https://www.youtube.com/watch?v=nUPumNK8Aig assistido por mim, destaco que Machado de Assis, embora tenha demorado a ser reconhecido um escritor realmente brasileiro, que não apresentava a realidade brasileira, como citado ao final do documentário, foi com certeza um marco de nossa literatura tendo tido dois momentos, duas fases em suas obras, uma de quando iniciou a escrita na tipografia de uma gráfica até a sua atividade árdua porém mais rentável junto ao Ministério da Agricultura onde escrevera sobre coisas mais elegantes e depois em uma segunda fase onde ele realmente escreve suas maiores obras declarando a fase mais real do Brasil deixando claras as manifestações em primeira pessoa, "dando a caneta" aos senhores, aos burgueses de onde começam a sair obras como Memórias Póstuma de Brás Cubas sendo uma dissertação em primeira pessoa de um defunto contando sua vida, depois veio Dom Casmurro, onde um senhor viúvo, idoso e solitário conta a própria história baseada no amor de infância ao qual ele levanta sérias acusações de traição da amada Capitu com o melhor amigo Escobar. Ele se vale de argumentos para as suas obras preocupando-se em mostrar a situação atual brasileira do século XIX, a crise, a escravidão que estava chegando ao seu final, mas que Machado de Assis alertava que os problemas não se resolveriam, ele era comprometido em entender o presente daquela sociedade, Machado foi muito pobre e teve um crescimento, chegando a tipografia, revisão de gráfica, jornalista, trabalhou no ministério da agricultura e chegou a presidir a Academia Brasileira de Letras. De acordo com os críticos que depõe no documentário do youtube apresentado, Machado escreveu mais de 200 contos além de romances e, sempre ouve uma correlação subliminar de seus contos com os romances.
Enfim, Machado de Assis foi o maior escritor da Literatura Brasileira.
foto: www.google.com.br/search?hl=pt-BR&site=imghp&tbm=isch&source=hp&biw=1137&bih=714&q=machado+de+assis+dom+casmurro&oq=machado+de+assis&gs_l=img.1.4.0i19l6.2453.4659.0.10740.16.9.0.0.0.0.587.587.5-1.1.0.msedr...0...1ac.1.60.img..15.1.587.rQVTOV9LWY0

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Sociologia, é preciso conhecer para entender


Com este título:
Sociologia, é preciso conhecer para entender. Faço um resumo do que li até agora, capítulos I e II do livro O que é Sociologia?,  de Carlos Benedito Martins, uma ciência, vamos chamá-la assim, que envolve todas as facetas do desenvolvimento da humanidade moderna, digo moderna pois pelo que sabemos o planeta tem milhões de anos. As civilizações evoluíram gradativamente conforme os seres humanos dera espaço à criatividade, esta criatividade transformou a produção primária em industrial, vindo assim os movimentos que transformaram as relações humanas em prol do desenvolvimento e do progresso. Tudo isto veio a influenciar diretamente na sociedade que temos hoje, pois a humanidade passou por inúmeros processos de evolução até chegarmos aos dias atuais e, a coisa não para por aí não, a automação em diversos setores está tomando conta, os seres humanos têm que se reinventar diariamente para manterem-se na atividade plena, caso contrário estão fadados à uma estagnação e atraso que será fatal ao seu desenvolvimento social e econômico. A engrenagem do planeta gira inconstantemente à velocidade que pode não ser possível de alcançá-la senão estivermos bem alicerçados e entender os processos que ocorreram com a humanidade como nos relata o  livro "O que é sociologia" de Carlos Benedito Martins é um processo cabal, precisamos entender o que os autores escreveram sobre os processos passados par assimilar em um processo contemporâneo a sociologia e a sua forma mais prática, sem paixões ou cegueiras.

Gilberto Machado

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Impressões sobre a função social da escola

Uma escola tem sua função social a partir do momento que insere as pessoas em seu meio, ultrapassando os limites do ensino somente em suas salas de aula e agregando a si novas tarefas que conjuguem a participação de toda a família, de seus docentes e discentes.
Existem várias formas de destacar e expandir as funções sociais da escola, como quando os alunos realizam um passeio nas proximidades da escola para observar onde e como pode ser melhorada a participação dos alunos no embelezamento o ambiente que circunda a escola, tornando-os cidadãos conscientes de que se deve colaborar com a limpeza, com a arborização, com o trânsito e, principalmente, com a educação para com os demais.
Além disso, pelo fato de alfabetizar e tornar cultas as pessoas, já é uma grande função social, pois estes cidadãos poderão ser reconhecidos como alfabetizados, como conhecedores da língua culta, das operações matemáticas, dos primeiros conhecimentos científicos, tornando-os cidadãos capazes de tornar uma sociedade melhor e mais desenvolvida no âmbito cultural e intelecto, com maiores possibilidades de crescimento individual e coletivo, sendo esta a principal função social da escola.
Relacionando esta explanação inicial com o documentário “O menino da internet - A história de Aaron Swartz”, ( https://www.youtube.com/watch?v=2uj1EeiuK5U ) percebe-se que a escola não é preparada para pessoas com alto grau de inteligência, como ocorreu com o menino, pois ele mencionou no documentário que estava decepcionado com a escola, ele não gostava os professores, achava ele dominadores e controladores, a iaô de casa era uma espécie de farsa, eles forçavam a fazer muito trabalho, sendo que Aaron mesmo começou a ler história da educação e como o sistema educacional foi desenvolvido, sabendo assim formas alternativas onde as pessoas pudessem realmente aprender as coisas ao invés de ficarem regurgitando fatos que os professores lhes diziam e este tipo de caminho o levou a questionar as coisas.
Aaron questionou a escola em que estava, questionou a sociedade que construiu a escola, questionou as empresas para quais as escolas estavam trei
nando as pessoas e questionou o governo, que configurou toda esta estrutura.
O que deve ser função social da escola pode ser equivalente ao que foi o legado de Aaron Swartz na tentativa de democratizar o acesso à informação, algo que realizou em sua função de hacker, porém por tentar abrir informações preciosas ao coletivo e bloqueadas no sistema de uma empresa, ele foi penalizado. A função social da escola é abrir os conhecimentos ao coletivo, interagir com os alunos e a comunidade, fazendo com que os conhecimentos não fiquem apenas nas bibliotecas e nos bancos das salas de aula, que estejam disponíveis a todos a qualquer momento.
Bertold Brecht, em seu poema “A Indiferença”, retrata o que pode ser relacionado com a função social do individuo perante os outros, pois esta indiferença de quem não se importa com ninguém acaba com ninguém se importando com este alguém, se o conhecimento é recluso ao nosso interior e não compartilhado para o bem dos demais, estes não terão o conhecimento necessário para te ajudar em atos futuros, ou seja, como escreveu Cora Coralina – “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. A função social de compartilhar seus conhecimentos é determinante para que você também adquira com esta vivência maior experiência cultural transformando isto em um intercâmbio de informações. “A Indiferença” escrita por Bertold Brecht retrata a pessoa ou instituição que não realiza nenhum tipo de comunhão de saber, não socializa e não compartilha compaixão e a recíproca fatalmente é a mesma, pois não há com quem contar em seu momento de aprisionamento. Não deixemos que a indiferença tome conta de nossos corações, compartilhemos toda e qualquer informação, mantenhamos o espírito semelhante ao de Aaron Swartz auxiliando a escola neste papel de cumprir sua função social.
Em nossas cidades próximas à Sarandi, e aqui mesmo, temos um exemplo prático desta função social quando o Programa União Faz a Vida é posto em prática, impulsionados pela cooperativa de crédito Sicredi as comunidades escolares realizam várias atividades de cooperação na educação elevando a níveis práticos as ações desempenhadas em seminários e trabalhos de interação entre as entidades educacionais e seus alunos e professores. Trabalhos que fazem com que os alunos sintam-se inseridos no bairro e na cidade, levar pais, conhecidos e familiares para dar seus depoimentos valorizando as pessoas da comunidade levando-as para um diálogo com os alunos.[1]



[1]  Disponível em : http://www.auniaofazavida.com.br/projetos_vejaosprojetos/?start=40 acesso em 29.10.14 às 21h26min.
SARANDI - RS

Bom dia, os trigais estão sendo colhidos, a soja e as demais culturas de verão estão sendo plantadas, ou já foram. Este é o ciclo que acompanhamos bem de perto aqui em uma cidade do interior que deve grande parte de seu desenvolvimento ao campo, da mesma forma ao soar das sirenes das fábricas percebe-se o caminho da industrialização mantendo e crescendo seu desenvolvimento, a população aumenta, os carros aumentam nas ruas, Sarandi é um ponto de referência na região da Produção, muitos a procuram em busca do pão de cada dia e, felizmente, o encontram. Como dizia J.B. Scalabrini - "A Pátria é a terra que lhe dá o Pão". E Sarandi é esta Pátria para muitos. Bom dia, boa quarta-feira, bom trabalho, bons estudos, seja feliz!
Paz e Bem!

sábado, 11 de outubro de 2014

O ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA A FALANTES NATIVOS
Conclusões da disciplina de Introdução aos Estudos Linguísticos

1-      Possenti, à página 18, apresenta duas teses que abordam o ensino, ou não, de uma variedade linguística padrão pela escola, relacione-as, considerando que a escola tem como função ‘fazer do aluno um poliglota na própria língua’.

- O papel da escola é ensinar uma língua padrão, ou criar condições para que ela seja aprendida. Na tese de natureza político-cultural a língua padrão é dialeto de grupos sociais mais favorecidos. Tornar seu uso em grupos sociais menos favorecidos como se fosse o único dialeto válido, seria uma violência cultural.

2-      De acordo com o texto, explique o que é considerado como ‘português padrão’.

- O português padrão seria o domínio da gramática normativa na produção textual, do ponto de vista da escola seria a aquisição de determinado domínio da escrita e da leitura.

3-      O que é sugerido, pelo autor, como atividade para que os alunos venham a conseguir ler e escrever adequadamente?

- O autor propõe a realização de coisas óbvias, segundo ele, escrever e ler constantemente, inclusive nas próprias aulas de português. Possenti defende que ler e escrever são atitudes essenciais no ensino da língua e devem ser exercidas na sala de aula.


4-      Para Possenti, por que motivo a escola fracassa, em relação ao ensino de leitura e escrita em sala de aula?

- O fracasso da escola, de acordo com Possenti, pode ser de ordem metodológica (pedagógica) ou decorrentes de valores sociais complexos.

5-      Na página 22, o autor apresenta um processo gramatical produtivo. Comente o exemplo dado e qual a importância de Possenti chamá-lo desta forma.

- O exemplo do autor refere-se à expressão ‘imexível’ feita pelo ex-ministro Magri, que usou de uma palavra que não está no dicionário, porém ‘imexível’ deriva de mexer, como intocável deriva de tocar, ou seja, ele seguiu as regras, pois usou uma derivação de um radical ou núcleo existente na gramática. A nossa desconfiança sobre uma palavra existir ou não no dicionário ou gramática denota de nosso conhecimento das regras gramaticais e se há a possibilidade de criar novos termos, elas nos dão uma visão problemática do que seja realmente uma língua.

6-      Qual o argumento do texto para afirmar que ‘não há línguas fáceis ou difíceis’?

- Hoje, sabemos que todas as línguas são estruturas de igual complexidade, isto é, não há línguas simples e línguas complexas, o que há são línguas diferentes. ‘Nenhuma tem um mínimo de regras substancialmente diversas de outras’. ‘Não há dialetos mais simples do que outros’ - POSSENTI, Sírio. 2006


7-      As páginas 31 e 32, o autor afirma que A escola recebe alunos que já falam’, por que, então, ensinamos Língua Portuguesa para quem é falante nativo de Língua Portuguesa?
- Porque a função da escola é ensinar o padrão, em especial o escrito, pois o grande problema dos alunos está no domínio do texto não do da gramática. O que a escola ensina aos nativos, é a modalidade escrita desta língua, mas não propriamente a língua.

8-      Explique a afirmativa do autor de que ‘Falamos mais corretamente do que pensamos’, a página 41.

- Temos o costume de taxar as formas de falar que não sejam do português culto como sendo uma forma ‘errada’ de falar, porém não se trata de forma ‘errada’ mas sim, de dialetos diferentes e, assim, ‘falamos mais corretamente do que pensamos’, pois há erros que chocam e há erros que não chocam mais, então, damos conta de que aqueles que erram não erram tudo.

9-      Na página 49, Possenti afirma que Ler e escrever são trabalhos essenciais no processo de aprendizagem. Mas, não são exercícios. Explique como devemos compreender as noções de ‘trabalho’ e de ‘exercício’, neste caso, e como elas se contrapõem.
- Ler e escrever são trabalhos essenciais na escola, pois se deve tomar como exemplo quem escreve por ofício, como escritores e jornalistas, pois eles leem e releem mostram a colegas e chefes e, somente em seguida é que finalizam sua escrita. Algo assim está sendo feito em nossa disciplina de Introdução aos Estudos Linguísticos, na qual lemos, relemos, enviamos aos tutores, estes nos fazem apontamentos e, somente depois é que finalizamos nossa escrita.

10-  Qual a diferença entre ‘ensinar língua’ e ‘ensinar gramática’?
- ‘o que já é sabido, não precisa ser ensinado’(p. 50) – Afirma Sírio Possenti, ou seja, para falantes nativos do português não há a necessidade de ensinar coisas muito básicas, pois elas já vêm no léxico do aluno pela convivência desde o nascimento. Ensinar desde a nomenclatura dos objetos do cotidiano é ensinar língua a estrangeiros, ensinar a gramática e a boa construção de textos são práticas de ensino a nativos da língua.

11-  De acordo com o texto da página 73 à página 95, relacione e explique as noções de ‘regras’ e de ‘erro’.

- Regra é obrigação, algo que se obedece, regras expressam na gramática normativa uma expressão do certo e errado e os falantes que as transgridam são considerados ignorantes e não dignos de passar de ano na escola. Na gramática normativa, os erros são os fatos que divergem da variante padrão, sendo os vícios de linguagem e vulgarismos.




12    -De acordo com todas as questões consideradas até este ponto, posicione-se em relação a:
o    Por que ensinamos língua materna na escola?
o    Qual o melhor caminho para o ensino de língua materna na escola?

A língua materna é ensinada na escola para que os alunos tenham o conhecimento e domínio do português padrão, proporcionando ao aluno o grande domínio da escrita e da leitura. A função da escola é o de ensinar este padrão, em especial o escrito, pois o grande problema dos alunos está no domínio do texto e não da gramática, segundo Possenti.
A escola, assim, ensina a modalidade escrita da língua, pois de acordo com o autor, ‘o que já é sabido não precisa ser ensinado’ (p. 50). Aprendendo as regras da gramática normativa e das demais na escola, o falante da língua materna que estuda o português, saberá como escrever na norma culta da língua, da forma entendida como correta melhorando também a sua fala, sendo correto não forçar a mudança de dialeto ao aluno, porém quando da escrita, sempre prevalecerá a forma culta da língua.
Partindo do pressuposto citado por Possenti, o qual ‘o que já é sabido não precisa ser ensinado’, ou seja, para falantes de português ao ensinar em sala de aula a forma culta de sua língua, não é necessário voltar ao básico, pois já há um léxico mental adquirido em família e na escola e comunidade com os passar dos anos.
A melhor forma de ensinar a língua materna na escola, de acordo com Possenti, é por intermédio da leitura e da escrita, tomados como trabalho em sala de aula tomando, por exemplo, que faz da escrita e leitura um ofício de trabalho como os escritores e jornalistas, pois eles leem, releem, pesquisam, trocam informações com colegas e chefes e, somente depois escrevem em definitivo. Este exemplo citado por Possenti é muito bem executado pela disciplina de Linguística da UAB – FURG, pois os alunos leem, pesquisam, escrevem são submetidos a avaliação dos tutores que lhes reencaminham para que façam os trabalhos finais da disciplina somando os apontamentos dos tutores, sendo esta uma excelente forma de estudos.
Concluindo, no que se trata de ensinar a língua materna aos falantes, parte-se do pressuposto de Possenti de ‘quem diz e entende frases, faz isto porque tem um domínio da estrutura da língua’(p. 31), e ler e escrever são atributos essenciais no ensino da língua e devem ser praticados na sala de aula, deve ser ensinado o que o aluno não conhece da língua, para que o estudo seja mais proveitoso e avançado.



Foto: EMEFMFA - Sarandi